|
15- COMO ENTENDER AS "70 SEMANAS DE DANIEL"?
Por sua fundamental importância nos estudos da Escatologia, e pelas
dificuldades em sua interpretação, a profecia das SETENTA SEMANAS de
Daniel desperta muito interesse. Entre os teólogos não há consenso
quanto alguns aspectos. Por exemplo, um grupo segue a interpretação
contínua, segundo a qual a septuagésima semana segue a sexagésima-nona,
sem nenhum intervalo. Outro, defende a teoria do intervalo, ou seja, 69
semanas já se cumpriram, mas falta o cumprimento da septuagésima
semana. Estamos acordes com a interpretação que admite um intervalo.
O CONTEXTO - erusalém estava praticamente destruída. Seu povo,
inclusive o profeta Daniel, foi levado cativo para a Babilônia, sob as
ordens de Nabucodonosor, a quem deveria servir por 70 anos (2 Crônicas
36.17-21; Jeremias 25.11). Daniel inquieta-se porque os 70 anos de
cativeiro são findos e não recebe de Deus qualquer palavra sobre a
restauração da Cidade Santa e restauração espiritual do povo. Daniel
intercede pelo seu povo e Deus responde, através do anjo Gabriel.
A PROFECIA - Daniel 9.24: "Setenta Semanas estão determinadas sobre o
teu povo, e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e
dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça
eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos santos".
9.25: "Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para
edificar Jerusalém, até o Messias, o Príncipe, sete semanas e sessenta e
duas semanas; as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos
angustiosos".
9.26: "E depois das sessenta e duas semanas será tirado o Messias, e já
não estará; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o
santuário, e o seu fim será uma inundação; e até ao fim haverá guerra;
estão determinadas assolações".
9.27: "E ele fará firme aliança com muitos por uma semana; e na metade
da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa
das abominações virá o assolador, e isso até a consumação; e o que está
determinado será derramado sobre o assolador".
A INTERPRETAÇÃO - As 70 semanas são 490 anos, considerando-se
tratar-se de semanas de anos ("setenta setes") e não semanas de dias. Esses 490 anos estão divididos em dois períodos:
- o primeiro período é de 69 semanas, igual a 483 anos ou 173.880 dias,
considerado ano profético de 360 dias (69 x 7 x 360). Esse período -
que é o marco inicial das 70 semanas - inicia-se com a "saída da ordem
para restaurar e para edificar Jerusalém" (Daniel 9.25), e teve seu
cumprimento em Neemias 2.1-8 (Ano vigésimo do Artaxerxes, mês de
nisã). Esse período termina com a manifestação do Messias como Príncipe
de Israel (Lucas 19.28-40; Zacarias 9.9) Este primeiro período de 69
semanas é dividido em duas partes na profecia: uma de sete semanas (49
anos), e outra de 62 semanas (434 anos). Logo após esse primeiro período
de 69 semanas, o "Messias foi tirado" (morto) e a cidade santa
destruída: a morte de Jesus na cruz ( Lucas 23.46) e a
destruição de Jerusalém no ano 70 d.C.).
- entre o primeiro e segundo período, existe uma lacuna profética, um
intervalo. É um tempo de duração indefinida quanto à quantidade de
semanas/anos. Esse intervalo se prolongará até o arrebatamento da Igreja
e o consequente aparecimento do anticristo, quando terá início a última
semana da profecia, a septuagésima semana.
- o segundo e último período da profecia, a tão conhecida SEPTUAGÉSIMA
SEMANA DE DANIEL, iniciar-se-á com o surgimento do anticristo, "o
príncipe que há de vir" (Daniel 9.26, Ap 6.2), e terminará com a volta
do Messias, com poder e glória, para Seu reinado milenar (Ap 20.1-6).
Esta semana, ou sete anos, será dividida em dois períodos distintos de
três anos e meio, ou 1260 dias, ou 42 meses. O anticristo fará uma
aliança com Israel por todo o período de sete anos, mas na metade desse
tempo quebrará o acordo e fará cessar a adoração a Deus (Daniel 9.27; Ap
11.2; 12.6; 12.14; 13.5).
Observações:
1) As 70 semanas que estão determinadas têm os seguintes propósitos
(Daniel 9.24):
- extinguir a transgressão
- dar fim aos pecados
- expiar a iniquidade
- trazer a justiça eterna
- sela a visão e a profecia
- ungir o Santo dos santos
2) As 69 semanas (173.880 dias) contadas "desde a saída da ordem para
restaurar e edificar Jerusalém", em 14.3.445 a.C. (veja obs. n. 8,
abaixo), findam exatamente no dia 6 de abril de 32 d.C., dia da entrada
triunfal de Jesus em Jerusalém. Vejamos os cálculos feitos por Alva J.
Mc Clain (cálculo dos dias decorridos entre 14.3.445 a.C. e 6.4.32
d.C.):
| 445 a.C. a 32 d.C |
476
anos (AC 1 até DC 1 = 1 ano) |
| 476 x 365 |
173.740
dias |
| Aumento dos anos bissextos |
116 dias (3
a menos em 4 séculos) |
| 14 de março a 6 de abril |
24
dias |
| TOTAL |
173.880
dias |
(Considerar que o ano do século (100, 200, 300, 400...) não é
bissexto, exceto quando divisível por 400. Na transformação para dias do
nosso calendário, o ano passa a ser de 365 dias).
3) Oscapítulos 6 a 19 do Apocalipse dizem respeito à septuagésima
semana de Daniel, ou seja, os eventos escatológicos ali mencionados (o
derramar dos juízos de Deus, por exemplo) ocorrerão durante aquele
último período da profecia. Diríamos que no Apocalipse a profecia das
setentas semanas está no varejo, ampliada, detalhada.
4) A profecia relaciona-se diretamente com a nação de Israel e a cidade
de Jerusalém (Daniel 9.24). Antes de iniciar a septuagésima a Igreja
será arrebatada (1 Ts 1.10; Ap 3.10).
5) Note-se que o tempo da Igreja, a destruição de Jerusalém e o Calvário
estão incluídos no intervalo: entre o fim da 69a semana e o começo da
seguinte, da septuagésima. Este tempo é também chamado de lacuna
profética.
6) A Bíblia não relata, mas há o registro histórico da tomada de
Jerusalém pelo general romano Tito, no ano 70 d.C., depois de um cerco
de cinco meses, com o emprego de uns 100.000 homens. Estima-se em um
milhão a perda de vidas nessa catástrofe. Cumpriu-se assim Daniel 9.26:
..."o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário"
(v. Lucas 21.20).
7) Nosso Senhor legitimou a profecia das Setentas Semanas ao fixar a
Grande Tribulação dentro da Septuagésima (Mateus 24.15-22; Marcos
13.14-20).
8) Neemias 2.1-8: Artaxerxes I, rei da Pérsia, foi elevado ao trono em
465 a.C. Logo, o "ano vigésimo do rei" deu-se em 445 a.C. E como não
está indicado o dia do mês, fica entendido ser o primeiro dia do mês
nisã (conforme costume judaico), que em nosso calendário corresponde a
14 de março. Daí porque o ponto de partida da profecia, ou seja, a
"ordem para reedificar Jerusalém" (Daniel 9.25) é o dia 14 de março de
445 a.C. Conforme cálculo, o fim das 69 semanas, contadas a partir de
14.3.445 a.C., deu-se em 6 de abril de 32 d.C., data em que Jesus foi
aclamado Rei em Jerusalém: "Bendito o Rei que vem em nome do Senhor"
(Lucas 19.28-40).
9) A resposta sobre as Setentas Semanas de Daniel não se esgota nestas
palavras. O livro de Daniel é uma fonte inesgotável para pesquisa e
debate.
Fonte: "As Setenta Semanas de Daniel", de Alva J. Mc Clain; Bíblia de
Estudos Pentecostal.
|