Jorge Camargo

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GOSPEL - BOAS NOTÍCIAS MUSICAIS


A palavra Gospel significa evangelho, que em grego quer dizer 'boas notícias'.

No âmbito da música, está relacionada a um estilo próprio, enraizado na história dos negros norte-americanos, nascido do canto dos escravos em suas congregações, e que tem em nosso século como um de seus maiores expoentes a cantora Mahalia Jackson.

No Brasil, no início da década de 90, passou a designar um movimento, cuja tentativa era de abrir a mídia para a música cristã contemporânea.

Este esforço tem obtido sucesso, uma vez que pipocam país afora grupos dos mais variados estilos e tendências, num "boom" jamais visto antes.

Assim, em terras brasileiras, 'Gospel'— ao contrário do estilo único e inconfundível do canto negro da América do Norte — é sinônimo de música cristã de todas as formas e matizes.




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Temos rock Gospel, samba Gospel, evento Gospel e até (e por que não?) revista Gospel...

Nós a saudamos como boa nova, a despeito de eventuais críticas a uma ou outra postura. O fato é que, música cristã contemporânea e brasileira (ou Gospel se preferirmos) é hoje uma realidade.

E o que esperar desta onda, deste movimento, desta tendência?

Primeiro, que venha pra ficar.

A música cristã contemporânea neste país merece o seu lugar. Afinal, aqui parece haver lugar pra tudo! Quanto mais para aquilo que tem conteúdo e faz diferença na vida de quem ouve e aprecia. Nossos maiores nomes da música popular cantam com toda liberdade suas opções religiosas e convicções espirituais. Por que não deixar que os valores do cristianismo tenham igual destaque? Ainda mais quando observamos no que tem sido produzido até aqui (sem obviamente generalizar) qualidade estética, bom gosto musical e coerência.















Segundo, que seja generosa.

Como toda avalanche, a exemplo de toda explosão, a tendência de movimentos é de que atropelem tudo que encontrem à sua frente. Com isso quero dizer que música cristã tem uma história de luta e plantio que não deve ser ignorada. Para os que não sabem, música Gospel no Brasil existe há mais de 30 anos, não é algo tão novo assim. E nada mais injusto e até mesmo perigoso pra quem faz história que não ter memória...

Terceiro, que seja diferenciada.

Vivemos na era da informação, onde ciências como estatística e atividades humanas como o marketing nunca foram tão valorizadas.

No entanto, a essência da mensagem do 'Gospel' não tem preço, não podendo portanto ser negociada. Podemos e devemos utilizar todos os meios disponíveis para propagá-la, mas a ética e a paixão pelo que ela comunica devem estar acima de quaisquer outros interesses, todos extremamente secundários.















Por fim, que seja relevante.

A música cristã não é mais um filão de mercado apenas. Como temos observado, ela engloba vários estilos musicais. Mas no fundo o que importa pra ela é o conteúdo do que comunica. Os ritmos são a embalagem. O recheio é o que faz a diferença.

Que venham os rappers, os pagodeiros, as duplas sertanejas, os roqueiros em todas as suas variantes, os trovadores estilo MPB, os funkeiros, os Christafaris, e todos mais dos quais tenha me esquecido. Todo mundo trazendo na voz, nas mãos, no sopro, nos acordes, nas harmonias e acima de tudo na alma a mensagem maravilhosa do amor apaixonado de Deus por todos nós. Amor que tem na música um de seus mais poderosos veículos de comunicação. Mensagem de boas notícias, mensagem 'gospel' que recebemos e abraçamos de bom grado.

Revista Gospel Music - jun/1998












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