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É preciso respeitar a vida

Educar é progredir; é permitir que se atinja um estágio maior de desenvolvimento, é proporcionar conhecimento. Este saber, que se transforma em ciência, é responsável pelo avanço e pelo atraso de muitos povos. Mas, qual é o custo desse progresso?
Não convém aqui falar da destruição da camada de ozônio, do efeito estufa, da poluição dos rios e mares e do desmatamento desenfreado; mas sim de um estrago muito maior: o sacrifício de vidas. Refiro-me aqui ao uso de embriões, ou seja, fetos. A ciência tem desenvolvido um tipo de terapia através do uso de células-tronco, um tratamento revolucionário, que no futuro, poderá permitir a cura de várias doenças.
Mas, para obter a matéria-prima desse tratamento, é necessário que se utilizem células extraídas da medula ou do cordão umbilical – ambas são adultas e, portanto, mais frágeis – ou células de fetos (estas são mais resistentes e jovens) e são capazes de originar qualquer tipo de tecido. Baseados nessa teoria, o judiciário, alguns cientistas, representantes de associações e o governo, travaram um debate (silencioso) para a aprovação de uma Lei – a Lei de Biossegurança – sancionada pelo presidente Lula em 24 de março deste ano. Ela permite que sejam usados embriões obtidos por inseminação artificial e congelados há mais de três anos, desde que autorizados pelos pais.
É preciso estar atento para que não surja um possível mercado de fetos, uma vez que o governo não terá como controlar isto; mas acima de tudo, é preciso que se respeite o direito à vida. Ninguém pode exercer o papel de Deus e decidir a respeito de um ser que já existe, pois houve a fecundação. O discurso de que o sistema nervoso somente é formado a partir do 15º dia e que isto justifica o uso de embriões não é verdade, é necessário que se respeite a dádiva permitida pelo Senhor: o nascimento de um novo ser.
Ramon Carrera

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