Especial

O santo que se converteu

Missionárias ou não, as festas juninas estão cada vez mais presentes nas igrejas

Silvio Teixeira
redacao@jornalpalavra.com.br


O Brasil caipira manifesta-se com muita força no mês de junho, não só no Nordeste, mas também nas capitais e vilarejos de todo o país. São os festejos dos três mais populares “santos” do país: Santo Antônio, São João e São Pedro.

Igrejas e colégios de confissão evangélica já há algum tempo têm aderido a esses festejos com uma nova embalagem. Geralmente, para não causarem constrangimento, realizam suas festas no mês de julho. E ainda existem aquelas que colocam o nome de “Festa Missionária”.

Isso tem trazido discussão em muitas comunidades colocando em lados opostos o conservadorismo e o liberalismo. Os “santos” vão se tornando peças costumeiras nos calendários religiosos dos evangélicos sem ser citados evidentemente.

Quem são os “santos” juninos?

A mitologia religiosa encontra ambiente fácil na mente simples do sertanejo. Com o êxodo rural em meados do século XX, a cidade recebeu esse povo com suas crenças e costumes.

Mas os “santos” que do imaginário interiorano, também estavam presentes por aqui, para a Bíblia não tiveram nenhum poder depois de mortos. O apóstolo João, um dos personagens da Bíblia que mais gerou lendas em torno de si, ficou famoso nas festas do inverno brasileiro.

Os quitutes de “São” Pedro e o romantismo de “Santo” Antônio fizeram dessas noites algo mágico na vida sofrida de um povo que escorrega pelo asfalto e vielas das grandes metrópoles.

Os “santos” se conver-teram ou os crentes se corromperam?

Esses eventos acabaram por invadir sorrateiramente as igrejas e entidades afins. Com mudança de data ou nomes diferentes, chegaram até os arraiais evangélicos.

Para o pesquisador de cultura popular brasileira, frei Chico, essas festas que passaram a ter conotação folclórica, são, na realidade, eventos religiosos. Segundo o frei, nasceram da adoração do povo aos “santos” já citados, que se misturou com as características populares fazendo o chamado sincretismo, que vem dos tempos da colonização.

A questão da viabilidade de se realizar uma festa junina é analisada pelo pastor Marcelo Vieira: “o pecado não está no folclore (que significa saber popular) e sim na idolatria.” Realizar uma festa que lembre o interior, suas canções, seus costumes, suas danças e contos, não tem nada de idolatria. O cuidado que temos que tomar é o sincretismo religioso que está muito próximo. Mas Vieira alerta. “A única coisa que não podemos esquecer no meio de tudo isso é que somos sal da terra.”


A história das festas
Na mitologia romana, pagãos prestavam culto à deusa Juno, cujos festejos eram denominados junônias, adaptado no Brasil para junina.
Os primeiros registros dessas festas religiosas no país datam de 1603, pelo frade Vicente do Salvador, que narrou o fato de os índios aceitarem de bom grado o dia de São João Batista, por causa das fogueiras e capelas. Já os folguedos e os balões, são costumes típicos da festividade junina portuguesa.