Infantil

Influência da TV - parte II

Dedicar mais tempo aos filhos no dia-a-dia pode fazer diferença

Mª Cecília Bahia e Sílvio Teixeira (especial)
mariaceciliabahia@yahoo.com.br


Desde que foi ao ar pela primeira vez em 1950, a TV brasileira causou uma revolução nos meios de comunicação. A princípio ficou restrita à elite, mas aos poucos foi se transformando em figurinha fácil nos lares brasileiros, sendo o meio de entretenimento mais barato e acessível da grande massa.

Sua influência no comportamento jovem se tornou extremamente polêmica. O público infantil foi um dos segmentos de audiência da mídia eletrônica que mais causou e ainda causa preocupação, assunto que começamos a abordar na edição anterior.

A TV como babá eletrônica

Alguns pais, por conveniência ou necessidade, utilizam a TV como companhia das crianças, se omitindo de serem os primeiros educadores de seus filhos.

Para a professora Elza Dias, do Laboratório de Pesquisa Sobre Infância Imaginário e Comunicação (LAPIC) da ECA/PUC, a mulher a cada ano acumula mais funções e os aparelhos eletrônicos estão substituindo o contato físico entre pais e filhos; e o mais importante para a saúde emocional da criança, que é o afeto, o estar junto, acariciá-la e agradá-la, está sendo deixado de lado. Já a Dra. Sonia Lia Litwinczuk, psicóloga, observa que o que marca mais a personalidade de uma criança, não é a TV, e sim a ausência dos pais na educação dos filhos.

A gerente de produção e programação da Rede Boas Novas - RBN/RIO, Ana de Ava, declarou ter criado uma estratégia quando seu filhos eram menores: “Sempre procurei ver televisão junto com meus filhos e apontava o que não era bom e porque não era bom. Não dizia simplesmente não vejam. Discutíamos à luz da bíblia o que o desenho queria dizer.”

Reflexos no comportamento social

Os valores de defesa passados pelo cristianismo são alterados pela filosofia pagã, onde o ser humano é o seu próprio Deus e tem a força para destruir aquilo que ele julga ser mau.
Para a pedagoga Andrea Mascarenhas, embora a TV não seja o único fator responsável pelo aumento da agressividade em crianças, é fato que a exposição à violência na mídia facilita a identificação com modelos agressivos, glorificados como heróis, estimulando a crença da violência como modo aceitável de resolver conflitos, tornando-os insensíveis ao sofrimento das vítimas.

Ainda que as programações em sua maioria tenham elementos nocivos ao desenvolvimento da personalidade infanto-juvenil, não se pode negar que hoje a televisão também tem apresentado novas alternativas. Já há programas infantis com teor educativo, moral e religioso, que as crianças gostam e influenciam-se de maneira positiva.

É preciso estabelecer um diálogo com a criança e envolvê-la. “Peça ajuda ao seu filho para preparar o jantar, colocar a mesa, converse sobre o seu dia, brinque com ele. Não é impossível. Os pais chegam cansados, eu sei! Mais vale a pena e você verá que o seu filho preferirá você à televisão”, finaliza a psicóloga Sonia Lia.

Fonte: www.spacejam1.hpg.ig.com.br/filhovenatv.htm

Pesquisa constata exposição à violência
Em outubro de 1998, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou uma pesquisa entre os desenhos animados transmitidos pela TV brasileira, com objetivo de medir a quantidade de violência passada para as crianças. O resultado foi assombroso. De acordo com a pesquisa, a criança que assiste duas horas de desenhos animados por dia - que é considerado pouco - estará exposta a 40 cenas de violência explicita. Em um mês, seriam 1.200 cenas e, em um ano, seriam 14.400 cenas de pura violência sendo produzidas dentro da própria casa.