Espaço Jovem

Relacionamentos entre cristãos modernos
No mês dos namorados, jovens evangélicos opinam sobre compromisso

Flavia Machado Rocha editorialjp@terra.com.br

O mês é junho, o sinônimo para ele é o amor. Gestos afetuosos, juras de amor e muito romantismo no dia em que se comemora a cumplicidade íntima entre duas pessoas.

Mesmo com as novas e mais variadas formas de se relacionar surgidas no correr dos anos, o entusiasmo de se ter um parceiro não muda. Prova disto, é que o próprio universo dos negócios reconheceu este potencial e logo se criou uma data especial para estes casais. Relacionar-se é uma necessidade humana incontestável, porém fala-se hoje em relacionamentos momentâneos – o vulgo “ficar”. Esse gênero moderno de ter um parceiro ou parceira visa de modo objetivo, satisfazer desejos súbitos, sem intenções de prolongar as experiências vividas nem mesmo permitir que o tempo amadureça algum sentimento.

Porém, este comportamento empregado em sua maioria pelos jovens, não é à toa. Vivemos em uma época em que a quantidade sobressai à qualidade, seqüelas de uma sociedade pós-industrial que absorveu valores que servem apenas para estimular exagerada-mente o consumo e por isso acaba transformando até mesmo os relacionamentos humanos em algo descartável.

A produtora de televisão Ercília Silveira, de 31 anos, acredita que o acúmulo de relações superficiais não traz nenhum benefício, como muitos jovens acreditam, e sim frustrações com o passar do tempo. Ercília lamenta a falta de comprometimento por parte dos homens, e diz que mesmo com esta tendência, não quer aderir à prática de ficar sem se comprometer, pois mesmo quando ainda não era convertida não se sentia bem com esse tipo de vivência. Ela acredita que as frustrações ocorrem justamente pelo fato de não haver tempo suficiente de conhecer profundamente o parceiro.

Quanto aos jovens evangélicos, Ercília aconselha-os a ingressar em um namoro apenas quando tiverem condições de assumir um casamento, “não desperteis o amor enquanto não estiveres preparado para ele” reproduz um provérbio. Endossando este pensamento, André Cavalcanti, de 26 anos, líder de evangelismo da mocidade Igreja Batista Nova Jerusalém, conta que em sua igreja muitas jovens de 16 a 24 anos procuram orientação dos líderes sobre assuntos do coração demonstrando certa ansiedade em relação aos rapazes da mesma faixa etária, pois eles muitas vezes não querem se comprometer. Segundo Cavalcanti, todo jovem cristão deve começar um relacionamento já comprometido com Deus e, além disso, já deve ter um trabalho ou ofício. Justifica esta premissa explicando que sendo o matrimônio o objetivo final de todo relacionamento amoroso, é necessário um mínimo de estrutura para que isto ocorra.

Já em relação aos relacionamentos momentâneos, Cavalcanti é contra, pois ao “ficar”, o jovem não está comprometido com a palavra de Deus. Por isso, é importante que em uma relação os dois tenham a maturidade para assumirem posteriormente um casamento e constituir uma família.

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