Dias depois do nascimento a criança é levada diante da congregação para ali, mediante oração, ser dedicada a Deus. Os pais pedem sabedoria e assumem um compromisso de conduzir o bebê nos caminhos do Senhor.
Este é um sublime momento de entrega, porém, a verdade é que a criança não vai a lugar algum, permanecendo ainda nos braços dos pais. Esta cena revela duas realidades: A entrega e a permanência.
Quando entregamos um filho a Deus estamos declarando, de fato e de direito, que não somos mais os donos da criança e que ela pertence ao Senhor. A segunda realidade é que o Pai Eterno deixa que a criança permaneça com os pais biológicos a fim de que cuidem do que agora lhe pertence.
Qualquer que seja o momento, dedicar um filho ao Senhor significa dar-lhe a posse e aceitar a responsabilidade do cuidado que nos compete dentro da nossa capacidade e alcance. Neste ponto, começa ou continua a maratona: alimentar, limpar, tratar, disciplinar, proteger, zelar, ensinar. Tudo exatamente como Deus, o único e legítimo dono, quer que façamos, sem esquecer, porém, que a criança é dEle.
Com o desenvolvimento e crescimento dos filhos os pais devem assumir o papel de inculcar neles o amor e o temor do Senhor, como parceiros de Deus na tarefa de educá-los de maneira sábia e diligente.
Tudo parece entendido, claro e óbvio até que nos deparamos com situações que fogem ao nosso controle... então, e só então, descobrimos de fato as implicações de uma genuína entrega de nossas crianças a Deus.
- Se o filho adoece, mesmo com todos os cuidados, sentimo-nos impotentes para resolver tudo. Esta é a hora de lembrar que somos parceiros do dono da criança - Jeová RAFA - Deus que sara.
- Se o filho se perde ou se ausenta, nossa visão é curta demais e o nosso corpo não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Enquanto procuramos temos que lembrar que o dono da criança é Jeová ROI - Deus que tudo vê.
- Se o filho não chegou na hora marcada, preocupamo-nos com o imprevisível. Enquanto aguardamos ou tomamos as providências cabíveis é a hora de confiar no dono da criança - Jeová ROI - Deus que pastoreia mesmo no vale da sombra da morte.
- Se o filho ameaça tomar rumos não previstos, sentimo-nos frustrados e falhos na educação. Esta é a hora de entregar o futuro da criança ao grande EU SOU - Deus de ontem, de hoje e de toda a eternidade.
Quando não descansamos em relação àquilo que foge ao nosso controle, revelamos sentimentos e atitudes que precisam ser trabalhados à luz da entrega dos filhos a Deus e da parceria que com Ele estabelecemos para a educação dos mesmos. Vale a pena refletir em questões como:
- Estaríamos falhando em nosso papel de pais e, por isso, tentando compensar com excesso de cuidado e preocupação?
- Estaríamos desconfiando da capacidade de Deus como Pai?
- Estaríamos pretendendo controlar o universo e as circunstâncias, assumindo o papel do Pai Eterno?
- Estaríamos revelando o fato de que nunca houve uma entrega genuína dos filhos a Deus?
- Estaríamos duvidando da capacidade de Deus cuidar dos que são DELE?
Pais, não é possível glorificar a Deus com atitudes e pensamentos que caracterizam os que não reconhecem a existência de Deus, muito menos o Seu amor e poder.
Gostaria de sugerir que relembrem o dia em que seus filhos foram dedicados a Deus, para que deixem com Ele o cuidado das áreas e dos momentos sobre os quais vocês não têm controle. Outro lembrete importante é que Deus ainda quer ser o Pai e o Dono dos filhos que ainda não foram a Ele dedicados, mesmo que sejam adolescentes, jovens ou adultos, principalmente os que ainda estão sob a sua autoridade e guarda.
ARMANDO BISPO
é Pastor da Igreja Batista Central de Fortaleza, Ceará, Presidente da Ekklesia e também co-autor do livro "Como descobrir seu ministério no Corpo de Cristo"