Gostaria, logo de início, fazer uma afirmação que talvez possa assustar! Procurem, por favor, seguir a minha linha de raciocínio, porque não gostaria de ser mal-interpretado.
Após vários anos, finalmente percebi que os meninos (- sexo masculino - tanto pequenos, como pré-adolescentes e adolescentes) não apresentam resultados muito positivos através de um aconselhamento específico. Na verdade, o que os garotos mais precisam é de uma figura masculina que lhes sirva de herói! E, preferivelmente, essa figura deveria ser o pai. Plagiando um famoso comercial, podemos dizer "Não basta ser pai, tem que participar"!
Um pai, que dedique a seu filho atenção carinhosa, que lhe dê tempo e verbalize admiração, pode levar o garoto a mudanças de atitude, e a desenvolver traços de caráter, de forma mais rápida e natural. Pena que tão poucos pais saibam disso e assumam essa postura!
Como nação, temos ficado cada vez mais abalados com a violência demonstrada pelos jovens. Temos medo das gangues que aterrorizam as ruas, dos assaltos praticados por menores (trombadinhas e trombadões) dos poderosos que administram o mundo das drogas e que escravizam os jovens, de adolescentes alcoólatras oriundos de famílias de alcoólatras.
A maioria dessa juventude desajustada é de meninos e rapazes, em sua maior parte, órfãos de pai. Muitos nunca conheceram ou nem mesmo sabem quem é seu pai biológico. Eles são criados por mães, tias, avós ou um tio ausente e entediado com as suas presenças.
Onde estão os pais desses meninos? – Bem, eu posso responder onde eles não estão!
Não estão nas reuniões de pais e mestres ou à frente de uma atividade juvenil na Escola Dominical. Eles não são encontrados no consultório do pediatra consolando, amparando, dando atenção, carinho, tempo e sua presença à criança adoentada. Nunca aparecem para torcer pelos filhos nas competições esportivas de sua escola ou clube. Não estão disponíveis para ajudar seu filho a elucidar alguma dúvida, seja ela pessoal ou escolar.
Pensando bem, eu também posso responder à pergunta sobre onde estão os pais desses meninos. Se é que ainda estão vivos, estão em restaurantes, bares, boates, danceterias (tanto em zonas de classe "A" quanto em subúrbios) batendo papo, flertando com uma mulher que não é sua esposa, jogando sinuca ou baralho com outros homens. Estão nos campos de futebol (torcendo em estádios, jogando em campos de várzea ou em clubes requintados) nas pistas dos autódromos, jogando tênis, pescando com amigos, etc. ... Outros estão casados com o trabalho e é fácil encontrá-los em frenética atividade desde muito cedo até a madrugada. Dizem que é por amor à família, mas é para ser verem livre da presença dela! Alguns nem saem de casa, estão desempregados ou não gostam de trabalhar, ficando pregados na frente da televisão, computador ou mexendo nisso ou naquilo que precisa de reparos, o que não deixa de ser um hobby. Enfim, estão em todo e qualquer lugar, muitas vezes sendo até úteis, mas não estão fazendo companhia a seus filhos.
Felizmente há exceções e, quem sabe você, pai seja uma delas. Você tem consciência de sua responsabilidade e empenha-se para que seu filho se sinta importante, amado? Você dialoga com ele, oferece-lhe sua atenção e disponibilidade? Você o conhece, é seu amigo?
Por outro lado, talvez você esteja percebendo que não é uma dessas exceções. Como aproveita seu dia livre, um feriado ou mesmo algumas horas de folga? Você fica tentado a preencher seu tempo com projetos desnecessários?
Vou lhe fazer agora, uma pergunta bem direta:
- Por que você não gasta hoje, um tempo com seu filho? Se for preciso, marque em sua agenda. Faça isso antes que seja tarde demais. Não se esqueça de que o tempo que você oferece a ele irá impactá-lo profundamente, tornando-se marcante e determinante na vida dele!
No dia 19 de fevereiro de 1979, um pequeno avião bateu nas montanhas de São Gabriel, no sul da Califórnia, Estados Unidos e caiu. Esse acontecimento desencadeou uma dramática história de morte, coragem e sobrevivência.
Havia quatro passageiros no Cessna 172 que caiu: o piloto, uma mulher jovem, um advogado e seu filho.
O piloto e o advogado morreram instantaneamente no choque da aeronave com a montanha. Entre os destroços o filho tentava reanimar e acordar seu pai, até se dar conta de que ele estava morto.
O menino e a jovem procuraram um lugar para abrigar-se e aquecer-se do rigor de uma temperatura bem abaixo de zero.
Durante sete horas eles esperaram por socorro, cada vez mais gelados e desesperados. Finalmente decidiram aventurar-se a descer a montanha escarpada para não morrerem congelados.
Logo no início da descida, a mulher escorregou e despencou de um precipício de 120 metros de altura, direto para a morte.
O menino ficou só. A montanha parecia ainda maior e mais perigosa. Ele estava com muito frio, com fome, ensangüentado pois também se machucara na queda do avião; estava com um medo enorme e triste. Ali, a alguns metros, seu pai estava morto. Havia só ele, a montanha escarpada, e o frio cortante. O que fazer?
Muitos meninos de sua idade teriam desistido, mas ele não desistiu! Começou a descer escorregando, metro por metro, até suas roupas virarem trapos. Mesmo com a mão fraturada segurava um pedaço de pau, que utilizava como uma espécie de freio para controlar a velocidade da descida.
Por volta das 17 horas foi encontrado perto de uma vila, no pé da montanha, praticamente inconsciente e quase congelado. Ele estava machucado, debilitado, quase inconsciente, mas vivo.
Levaram-no ao atendimento de emergência do hospital. Antes de receber alta, os repórteres fizeram uma entrevista coletiva. Ele recebeu um bombardeio de perguntas sobre o acidente.
- Como você reuniu forças e coragem?
- Em algum momento, você quis desistir?
Sua resposta foi simples e direta:
- Eu estou vivo hoje porque meu pai, que era meu melhor amigo e sempre presente em minha vida, ensinou-me a nunca desistir!
Quando li esta história pela primeira vez, vinte anos atrás, minhas filhas eram pré-adolescentes. Fiquei muito comovido com esse relato e pensei: "Se eu morresse hoje, qual a herança moral e espiritual que eu deixaria para minhas filhas?
Em seu livro "The Effective Father". Gordon McDonald, conta a história de James Boswell, o grande biógrafo de Samuel Johnson.
Boswell às vezes se referia a um dia específico de sua infância, quando seu pai o levou para pescar. Foi uma ocasião muito especial para o garotinho e, tempos depois, ele refletiu sobre quantas coisas aprendeu naqueles momentos felizes.
Após a morte de seu pai, alguém olhou no diário daquele homem e procurou exatamente aquela data para verificar se havia alguma anotação a respeito. As únicas palavras escritas ali, eram: "Hoje eu fui pescar com meu filho. Dia perdido!"
No cotidiano da vida, as horas que talvez julguemos perdidas, como aquelas em que levamos nossos filhos à escola ou vamos pescar com eles na beira de um riacho num sábado à tarde, ou levamos nossas filhas ao Shopping sejam exatamente os momentos em que eles aprenderão as lições que os impactarão para sempre.
Seja nas situações felizes, de alegria e paz, ou quando acontecem os acidentes e dores irreversíveis, de conseqüências tristes e sérias, aquilo que você transmitir para seus filhos, sua reação, suas palavras, sua atitude, seu comportamento marcarão suas vidas para a eternidade.
Lembre-se sempre disso! Pense seriamente nisso!
Artigo com base no livro escrito pelo Pst. Jaime Kemp, ainda no prelo, a ser lançado em breve pela Editora Lar Cristão
JAIME KEMP
é atualmente diretor da Sociedade Religiosa Lar Cristão. Foi missionário da Sepal por 31 anos e fundador da Missão Vencedores Por Cristo. É conferencista e autor de 33 livros. Aceita convites para seminários e palestras.