Está Resolvido

Foi somente o dia 21 de janeiro, e Alessandra já se sentia como um fracasso. Mais uma vez suas resoluções de ano novo estavam dissipando como tanta neblina. Começara bem, lendo alguns capítulos de Gênesis por dia, com o alvo de ler a Bíblia toda no decorrer do ano. Mas ficou atolada em Êxodo, e agora já estava muito atrasada. . . Também iniciara um programa de exercícios e regime, mas durante as férias engordou 2 quilos . . . E agora, a gotinha que fez transbordar o copo (ou pelo menos que rasgou sua lista de resoluções)--ela descobriu de novo que estava roendo as unhas sem ela mesma perceber--mais uma resolução quebrada.
"Chega de resoluções" Alessandra pensou. "Não funcionam mesmo!"
Você já se sentiu como Alessandra? Frente o desafio de um novo começo, ficou empolgado com a possibilidade de mudanças e melhoras em sua vida. Fez aquela lista de "projetos" pessoais, só para "pifar" antes do término das férias. O que pensar sobre resoluções? É certo fazê-las? Quais as vantagens? Existem perigos? Como fazer resoluções que realmente têm chance de sucesso? Vamos analisar essas questões e outras à luz da Palavra de Deus.
Devo Fazer Resoluções?
Há várias razões por quê fazer resoluções: uma insatisfação com o status quo, um desejo de crescer, hábitos ou pecados que precisam ser deixados, um alvo a ser atingido, uma preocupação com saúde. São boas razões porque estabelecer projetos pessoais. E o ano novo apresenta uma ótima ocasião para "começar de novo". Por se tratar de uma época de férias para muitos, o ano novo é um tempo ideal para formar novos hábitos.
Mas existem algumas razões erradas de fazer resoluções. Primeiro, o próprio termo "resolução" é enganosa, como se eu pela própria força de vontade e determinação fosse capaz de mudar o rumo da minha vida só pela declaração "Está resolvido!" Claro que a vontade humana é fator importante em mudanças, mas devemos sempre lembrar as palavras de Jesus, "Sem mim, nada podeis fazer" (Jo. 15:5). Resoluções feitas no poder individualista e sem uma dependência na graça de Deus não chegam a nada, pelo menos aos olhos de Deus.
Resoluções, projetos e objetivos de vida também podem ser prejudiciais se forem motivados pela "aparência". Em outras palavras, estabelecemos alvos egoístas, com o desejo de sermos mais populares, bonitos, ou bem-sucedidos aos olhos das pessoas. Provérbios chama isso o "temor aos homens", uma armadilha que enlaça muita gente e gera insegurança na vida (Pv. 29:25).
Os Perigos de Resoluções
Além das razões erradas de fazer resoluções, a Bíblia nos adverte contra alguns perigos deste tipo de "voto":
1) Presunção x Fé. Tiago nos alerta contra a presunção de estabelecer projetos sem levar em conta a soberania de Deus: Prestem atenção, vocês que dizem: 'Hoje ou amanhã vamos a esta ou àquela cidade, ficaremos lá um ano, e exploraremos um negócio lucrativo'. Como é que sabem o que vai acontecer amanhã? . . . O que vocês devem dizer é: 'Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo'. Caso contrário, vocês estarão vangloriando-se dos seus próprios planos, e uma presunção assim não agrada nunca a Deus. (Tg. 4:13-16, Bíblia Viva).
2) Votos Precipitados. Outro perigo grande é quando alguém transforma suas resoluções em votos perante o Senhor. ."Senhor, prometo ler a Bíblia inteira este ano"; "Darei 15% da minha renda para missões"; "Nunca faltarei em nenhum culto da igreja"; "Evangelizarei todos os colegas da minha turma". Estas e outras declarações semelhantes devem ser feitas com todo cuidado. A Bíblia nos diz, "Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes. Melhor é que não votes do que votes e não cumpras" (Ecles. 5:4,5; cp. Dt. 23:21-23). Provérbios também nos aconselha a tomar muito cuidado com "votos precipitados" "Laço é para o homem o dizer precipitadamente: 'E santo" [quer dizer, dedicado ao Senhor], e só refletir depois de fazer o voto" (Pv. 20:25; cp. Sl. 15:4).
3. Decepção. Votos que envolvem outras pessoas também são perigosos, principalmente se não cumpridos. O pai que promete para seu filho no início do ano, "Vamos pescar juntos sábado que vem" ou "Este ano vamos acampar durante as férias" ou "Levarei todos vocês para Disney" deve cumprir o que promete, ou o resultado será bem pior do que se nunca tivesse prometido. Provérbios diz, "A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida" (Pv. 13:12).
Como Fazer Resoluções
Mesmo que haja perigos, isso não significa que resoluções, votos, e alvos não podem ser estabelecidos. Há alguns passos objetivos que nos darão muito mais chance de levar nossos projetos ao fim desejado.
1. Fazer uma auto-avaliação perante Deus. Em outras palavras, as nossas "resoluções" devem partir de uma ciência de que Deus quer lapidar determinadas áreas em nossas vidas. Esta convicção vem através de tempo na Palavra, oração, e sensibilidade e transparência diante das críticas que ouvimos. Uma auto-avaliação pode nos mostrar maus hábitos que precisam ser quebrados, como por exemplo, fofoca, reclamação, entretenimento não-saudável, etc. Também pode revelar áreas fracas no nosso caráter, como por exemplo impaciência, ira e orgulho. Ou pode mostrar áreas pessoais que precisam ser moldadas, como por exemplo: excesso de peso, falta de exercício, leitura da Bíblia, contribuição, evangelismo, etc.
2. Determinar o que Deus quer que você faça. Baseado na Palavra de Deus, você deve identificar a área a ser lapidada e o projeto específico a ser elaborado. Por exemplo, "Deus não se agrada com a minha condição física. Para ser um mordomo fiel do corpo que Ele me deu, preciso perder no mínimo 10 quilos." Ou talvez, "Deus quer que eu leia a Palavra dEle para crescer na minha vida espiritual. Preciso adquirir este hábito antes de sair para o serviço ou tomar café."
3. Estabelecer alvos objetivos e mensuráveis, em etapas. Muitos erram por abraçar o mundo, ou por ser tão gerais na colocação de seus alvos que nunca sabem se acertaram ou não. "Este ano serei uma pessoa mais meiga" é vago demais. "Em 2001 mudarei o rumo da minha vida" não diz quase nada. O alvo tem que ser concreto, objetivo e mensurável: "Até o final do ano, gostaria de realizar um tempo devocional pelo menos 4 vezes por semana". "Até maio, pretendo perder 4 quilos." O alvo também deve ser atingido em etapas, sem tentar fazer tudo de uma só vez. Seria difícil alguém cumprir uma resolução que diz, "A partir do dia primeiro de janeiro, farei Cooper durante 45 minutos todos os dias da semana". Bem mais realizável é a resolução que diz, "A partir de janeiro, começarei a andar 20 minutos, 3 vezes por semana, até poder correr sem parar 30 minutos, 5 vezes por semana."
4. Incluir flexibilidade em seus planos. Para obter sucesso nas resoluções, precisamos levar em conta a fraqueza da carne, a dificuldade de auto-disciplina, a demora para estabelecer hábitos saudáveis, e a importância da visão do "longo prazo". Por isso, deve haver uma certa flexibilidade em nossos planos. As férias geralmente não proporcionam boas oportunidades para emagrecer. A semana de provas não é a melhor época de iniciar um novo hábito. Devemos sempre levar em consideração os imprevistos da vida, e estabelecer alvos realistas e flexíveis. Resolver nunca mais comer chocolate ou temperar comida com sal talvez seja ousado demais, pelo menos no início de um novo regime. Mas procurar modificar aos poucos sua dieta tem mais chance de sucesso.
5. Manter um registro do seu progresso, com pequenos "prêmios" para sucesso. Muitas pessoas acham uma certa satisfação e até estímulo ao notar seu progresso. Uma simples tabela para exercícios feitos no mês, um gráfico que mostra os capítulos da Bíblia já lidos, até mesmo pequenos prêmios para cada etapa de um plano completado podem fazer muito para encorajar seu progresso.
Resoluções de ano novo não são para todos. Mas pessoas como Alessandra não precisam desistir de vez. Podem fazê-las, desde que com muito cuidado e bastante sabedoria, sem nunca esquecer da importância da graça de Deus. "Tudo posso, naquele (Cristo) que me fortalece" (Fp. 4:13). "As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, por que as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade" (Lm. 3:22,23). Em outras palavras, pela graça de Deus, "Hoje pode ser o primeiro dia do resto da sua vida."
Pr. Davi Merkh
está casado com sua esposa Carol a 22 anos e têm 6 filhos. Leciona no Seminário Bíblico Palavra da Vida, ministra como pastor auxiliar de exposição bíblica na Primeira Igreja Batista de Atibaia, e é autor de 14 livros com temas voltados para ministério criativo e o lar cristão pelas Editoras Hagnos e Atos.
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