(Esse é o segundo de três artigos sobre "Graça entre Pais e Filhos")
Você já ficou decepcionado com sua família? Talvez consigo mesmo, pelas suas atitudes dentro do lar? Pelos atritos, pelas brigas e pelas mágoas entre pais e filhos? Como experimentar a graça de Deus em nossos lares?
Em toda a Palavra de Deus, não encontramos nenhuma família "modêlo". Ao mesmo tempo isso nos anima e desanima: somos fracos e limitados, mas pelo menos Deus reconhece esse fato (Sl 103:14). Talvez não seja possível ter uma família perfeita, mas podemos ser uma família que sabe perdoar e viver a verdadeira graça de Deus. Como já vimos (veja o primeiro artigo dessa série) o perdão é a chave para se ter uma família feliz. Sem o perdão, ressentimentos e ira ficam submersos debaixo da superfície do lar. Mas a cruz de Cristo nos liberta para viver o perdão de Deus em nossas famílias.
Toda família é composta de seres humanos imperfeitos. Mas, muitos de nós, vivemos debaixo de uma expectativa de que a nossa família será diferente. Pensamos "se somente seguirmos aqueles princípios que ouvimos no retiro de casais", ou "se copiarmos o exemplo da família Silva", ou "se tivermos uma experiência marcante com Deus" então teremos uma família 'cinco estrelas'. Quantos jovens de decepcionam logo no início de seus casamentos ao descobrirem que eles, também, são incapazes de formarem lares "perfeitos"?
Muitos, por serem imperfeitos, buscam o alívio de sua "culpa" pelas técnicas mais variadas; contudo, somente a cruz de Cristo nos livra destas tentativas humanas. Na cruz, Jesus cancelou nossa grande dívida para com a justiça de Deus (Ef. 2:14, 15). Quando declarou "Está consumado", ele não disse que a nossa dívida até então foi paga, mas que tudo foi cancelado.
Infelizmente, a maioria de nós não vive esta realidade do perdão de Deus. Não"sentimos na pele" o quanto fomos perdoados, pois não conhecemos a verdadeira podridão dos nossos corações. Então somos muito exigentes de todos ao nosso redor, especialmente na família, como se nós mesmos fossemos perfeitos. Ou tentamos "mascarar" nossa imperfeição, procurando nos aperfeiçoar pelo desempenho, auto-sacrifício e esforço próprio.
Além disso, muitas vezes somos movidos por culpa. Claro, a culpa pode nos motivar muito bem, por certo tempo. Infelizmente, as mudanças são, em geral, superficiais e temporárias. Como um viciado em drogas ou álcool, o "culpólatra" precisa de doses repetidas (e, muitas vezes, mais fortes) para produzir o mesmo efeito. O viciado em culpa acrescenta mais e mais itens a sua lista de "afazeres cristãos", para talvez receber algo mais de Deus, ou sentir a aprovação de Deus (como se fosse escravo e não filho) ou efetuar transformações em sua família. Mas normalmente mudanças provocadas por culpa ou ativismo permanecem por pouco tempo.
O problema é que a lista de "afazeres cristãos" não tem fim, e com o tempo, a culpa vai perdendo seu poder motivador. Claro, em alguns casos, pessoas com mais "força de vontade" e "consagração" conseguirão manter a disciplina durante muito tempo. Mas, se agirmos com base na culpa, acabaremos no farisaísmo, legalismo e orgulho. E se não, criaremos calos no coração, que nos levarão a desistir da "vida cristã", por ser algo impossível de ser vivido.
Se vivermos, não motivados pela culpa, mas, sim, por GRATIDÃO pela graça de Deus já derramada em nossas vidas; pelo PERDÃO de Deus dos nossos muitos pecados; pela realidade da VIDA de Jesus EM nós (Cl 1:27); pela presença do ESPÍRITO SANTO que nos controla pela PALAVRA DE DEUS; somente então é que poderemos mudar radicalmente a vida familiar:
*Não usaremos a culpa como "chicote" para motivar transformação e desempenho na vida de outros.
*Nunca vamos esperar que o nosso cônjuge, os nossos filhos, os pais ou a família em si supram as nossas necessidades mais profundas. Pessoas, sempre nos decepcionarão, Cristo, não.
*Não ficaremos tão decepcionados com outras pessoas quando nos desapontam ("errar e humano, perdoar, divino".
*Poderemos ser muito mais pacientes para com os defeitos de outros em nossa família, sabendo que todos nós estamos carentes da graça de Deus (Rm. 3:23)
*Perdoaremos com mais facilidade, e não criaremos raízes de amargura, sabendo o quanto já fomos perdoados (Ef. 4:32)
*Não vamos esperar respostas "mágicas", da noite para o dia, para os problemas que assolam nosso lar. Trabalharemos com mais confiança, perseverança e esperança no fato de que Deus "há de completar sua boa obra em nós" (Fp. 1:6).
*Vamos depender muito mais de Cristo e de Sua graça para realizar transformações profundas e permanentes em nós e em nossos queridos. Nunca efetuaremos tais mudanças pela nossa própria força.
*Reconheceremos o verdadeiro estado dos nossos próprios corações, e trabalharemos a profundidade do coração e não somente comportamento externo.
A cruz de Cristo nos liberta para viver o perdão de Deus em nossas famílias. A família onde graça predomina no relacionamento entre pais e filhos será uma família não perfeita, mas perdoadora, que experimenta a vida e o poder de Jesus de forma íntima e constante.
Pr. Davi Merkh
está casado com sua esposa Carol a 22 anos e têm 6 filhos. Leciona no Seminário Bíblico Palavra da Vida, ministra como pastor auxiliar de exposição bíblica na Primeira Igreja Batista de Atibaia, e é autor de 14 livros com temas voltados para ministério criativo e o lar cristão pelas Editoras Hagnos e Atos.
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