Seria difícil
achar um assunto mais polêmico do que o sexo. Para alguns, "sexo"
é um palavrão. Quanto menos se fala sobre o assunto, melhor.
Esta "sexofobia" leva a atitudes não-saudáveis quanto
ao sexo. Para outros, a própria palavra "sexo" é
como ima: colocá-la na capa de uma revista ou em luzes de néon,
e os olhos são atraídos naturalmente. Observando a nossa cultura,
teríamos que concluir que somos "sexo-maníacos":
preocupados com e absorvidos pela nossa sexualidade.
O sexo também
gera controvérsias em círculos religiosos. Em algumas religiões,
o sexo se justifica somente pela reprodução da espécie,
quase se tornando algo sujo fora esta intenção. Historicamente,
seitas e religiões pagãs têm feito do sexo uma parte
integral de adoração aos deuses ou a um líder carismático.
A igreja evangélica, apesar da sua teologia geralmente sã
com respeito ao sexo, tem sofrido golpe após golpe contra
seu testemunho justamente por causa da promiscuidade e imoralidade de
alguns de seus líderes.
À luz desta
polêmica e confusão, cabe a nós uma reflexão
séria e bíblica com respeito ao sexo. O que a Bíblia
ensina sobre o sexo? Especificamente, qual o propósito do sexo,
e qual deve ser a atitude do cristão com respeito a sua sexualidade?
Existem pelo menos quatro razões bíblicas pelo sexo:
1. O sexo existe
para refletir aspectos da imagem de Deus no ser humano.
"Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de
Deus o criou; homem e mulher os criou" (Gn 1:27). "Homem e mulher
os criou" (à imagem de Deus) significa que o casal como casal
revela aspectos profundos sobre a Pessoa de Deus. O casal espelha unidade
em diversidade, assim como vemos na Santa Trindade, onde há três
pessoas distintas, com funções diferentes, mas com harmonia
total.
O casal também
reflete a imagem de Deus através da intimidade de seu relacionamento.
Há aspectos da personalidade de Deus, seus atributos, que somente
se vêem em comunidade, tais como amor incondicional, bondade, longanimidade
e misericórdia. Deus criou o casal, e deu-lhes o sexo, como forma
de demonstrar esta união de "dois em um" com amor incondicional.
Por isso Deus odeia
aberrações sexuais: sujam sua imagem aqui na terra! O plano
de Deus exige que duas pessoas do sexo oposto, porém unidas por
"aliança", se unam para refletir a unidade em diversidade
e amor mútuo da Trindade. Qualquer relacionamento sexual que não
seja entre um homem e uma mulher casados por aliança foge do plano
bíblico. Homosexualismo (unidade sem diversidade), imoralidade
(unidade sem aliança), masturbação (falta de unidade
e sem diversidade), pornografia (exploração), o "ficar"
(exploração sem compromisso) e bestialidade (diversidade
sem unidade) são todos aberrações que pervertem a
imagem de Deus e o plano de Deus para nossa sexualidade. Não é
que Deus quer acabar com a "festa"; Ele zela pela sua imagem
e pelo bem do homem e da mulher.
2. O sexo existe
para promover intimidade total (conhecimento mútuo) entre duas
pessoas.
Não é por acaso que o texto bíblico se refere ao
sexo quando diz que "Adão conheceu a Eva, e ela deu à
luz um filho . . ." (cf. Gn 4:1, 25). Infelizmente, algumas Bíblias,
como a Atualizada, traduziram este eufemismo pelo termo "cohabitou",
assim perdendo a riqueza da palavra "conheceu". O ato sexual
é um evento em que duas pessoas se abrem totalmente, cada uma para
a outra, tornando-se totalmente vulneráveis, mas ao mesmo tempo
dando continuidade a um processo de compreensão (sensibilidade)
mútua.
Ao mesmo tempo, como
muitos casais casados podem testemunhar, o bom andamento da vida sexual
do casal exige um conhecimento mútuo cada vez maior. Muito mais
do que um ato bestial e biológico, o sexo verdadeiro aos olhos
de Deus é uma experiência que exige conhecimento íntimo,
e que gera conhecimento mútuo. Por isso o sexo no casal deve crescer
em significado e profundidade ao longo de um casamento. Não deve
ser monótono ou cansativo, como alguns vendedores de sexo ilícito
querem que acreditemos.
O "sexo livre"
realmente barateia este aspecto da união física entre duas
pessoas. Em vez de conhecimento mútuo e intimidade profunda, encontramos
falsidade, hipocrisia, exploração e prostituição,
produtos de sexo "animal" que não significa muito mais
do que o coito.
Este é o problema também com contato físico precoce
entre dois jovens, seja no "ficar" ou no namoro descuidado.
Deus criou o homem e a mulher de tal forma que cada degrau na escada de
intimidade física leva para o próximo. Intimidade física
entre duas pessoas certamente tem seu lugar: no casamento (Hb 13:4). Antes
de firmar aliança, começar a subir a escada só pode
resultar em uma de duas conseqüências: fornicação
ou frustração. Isso porque Deus é quem fez a atração
física. Dar um curto circuito no processo frustra; avançar
até o topo perverte o propósito de sexo. Em ambos os casos
o melhor remédio é abster de intimidades físicas
até o casamento.
Sexo, no plano de
Deus, constitui uma oportunidade para dois dos seus filhos, criados à
Sua imagem, refletir a Sua glória, pro-criar novas imagens e desfrutar
do prazer que Ele, como bom Pai, criou para eles. Cabe a nós protegermos
a santidade e a beleza de sexo dentro do casamento.
(Na próxima
edição veremos mais duas razões bíblicas pelo
sexo.)
Pr. Davi Merkh
está casado com sua esposa Carol a 22 anos e têm 6 filhos. Leciona no Seminário Bíblico Palavra da Vida, ministra como pastor auxiliar de exposição bíblica na Primeira Igreja Batista de Atibaia, e é autor de 14 livros com temas voltados para ministério criativo e o lar cristão pelas Editoras Hagnos e Atos.
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