História do Saco
Furado (I)


"Como
que entramos nesta?" perguntou o jovem casal sentado no gabinete do
Pastor Waldemar. "Não temos mais conversa, não importa
qual o assunto, volta e meia estamos discutindo sobre finanças! Mesmo
a nossa vida íntima já era. Há esperança para
nós, pastor? . . ."
Jairo e Marlene
realmente se amavam. Mas estavam a ponto de se separarem depois de menos
de três anos de casamento. Como tantos outros casais, foram "prisioneiros
de guerra" dos seus próprios impulsos de "pegar agora,
pagar depois." Sua desordem financeira se tornou um verdadeiro "campo
de concentração" que estava torturando a vida do lar.
Infelizmente, em nossos dias, até algumas igrejas fomentam essa
correria desenfreada atrás da prosperidade e dos bens, tudo "em
nome de Jesus". Mas enquanto os princípios financeiros bíblicos
sejam ignorados, há pouca possibilidade de contentamento e eqüilíbrio
financeiro em nossos lares.
Será
que há esperança para Jairo e Marlene, e para os milhares
de casais brasileiros que se encontram na mesma situação?
Existe uma voz sábia em meio ao caos de desvalorização
e desemprego, e o verdadeiro desfile de "Planos Econômicos"?
Graças
a Deus, a resposta é "SIM!" "Crise financeira"
não é novidade para Deus, que há muito tempo traçou
para Seu povo um plano econômico sábio, eqüilibrado,
e provado pela experiência de muitos. O verdadeiro "Plano Real",
encontra-se no livro de sabedoria, Provérbios. Mas prepare-se!
Para achar liberdade financeira, teremos que nos submeter a medidas radicais,
totalmente contrárias ao bombardeio materialista e secular dos
nossos dias. Acima de tudo, teremos que achar o verdadeiro contentamento
não num
"portfóliio" financeiro fenomenal, mas na nossa posição
garantida como filhos de Deus e herdeiros de "todas as bênçãos
espirituais nas regiões celestiais EM CRISTO" (Ef 1:3-14).
Uma Estratégia
Dupla
Conforme
Provérbios, para obtermos liberdade financeira, teremos que declarar
guerra contra as forças
hostis que atacam o lar. Em primeiro lugar, teremos que erguer uma defesa
"ante-aérea" contra o bombardeio de propaganda anti-bíblica
da mídia e, às vezes, na própria igreja. Ao mesmo
tempo, e mais importante ainda, teremos que desarmar a nossa própria
cobiça auto-destrutiva.
A Mídia.
O primeiro ataque contra o lar vem da mídia. Só quem não
anda no mundo "real" consegue escapar ao efeito dos mísseis
lançados pela propaganda comercial: "Leve agora, pague depois!"
"Você merece o melhor!" "5 prestações
suaves!" "Satisfação garantida ou seu dinheiro
de volta!" Estes lances já feriram inúmeros lares.
Outros foram destruídos pela dívida. E aqueles que não
são feridos ou mortos, acabam sendo levados como prisioneiros de
guerra, verdadeiros escravos da sua indisciplina financeira. Provérbios
diz, "O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é
servo do que empresta" (22:7).
Como nos
defender contra estes mísseis materialistas da mídia? Eis
algumas sugestões práticas:
*Avaliar
criticamente como família a propaganda e outros comerciais que
encontra "na praça". Fazer algumas perguntas chaves:
"É verdade?" "Realmente precisamos de ________?"
"É o melhor produto no mercado?" "Estamos sendo
enganados?"
*Concordar
em não fazer nenhuma compra acima de R$ _____ sem unanimidade,
resultado de pelo
menos uma semana de reflexão, conversa, e oração
juntos.
*Decidir
não fazer nenhuma compra sem primeiro comparar o mesmo produto
em pelo menos dois outros lugares.
*Procurar
produtos comuns que muitas vezes custam a metade da marca ou "grife"
conhecido.
*Evitar qualquer
forma de dívida (veja abaixo).
A Cobiça. Não fosse a natureza humana, cobiçosa e
materialista, não haveria nenhum problema
com o bombardeio comercial da mídia. Talvez nem existiria propagandas!
O problema principal não está com a mídia. Como um
grande estrategista militar declarou, "Descobrimos o inimigo, e ele
é nós!" A natureza do homem leva-o a desejar cada vez
mais coisas, sem com elas ficar realmente satisfeito.
Provérbios
diz, "O inferno e o abismo nunca se fartam, e os olhos do homem nunca
se satisfazem" (27:20). "Aquele que tem olhos invejosos corre
atrás das riquezas, mas não sabe que há de vir sobre
ele a penúria" (28:22).
A família
cristã terá que erguer uma defesa quase que impenetrável
para não ser atingida por estes apelos à sua natureza materialista.
Algumas sugestões práticas que constituem um "pacto
pela defesa financeira familiar" incluem:
*Estabelecer
um orçamento familiar que identifica as saídas mensais,
e que permite compras especiais ocasionais e planejadas (Pv. 21:5). Sugerimos
que a família analise todos os seus gastos durante 3 meses, para
descobrir os "furos no saco" do orçamento familiar. (Na
próxima edição identificaremos outros "furos"
no orçamento familiar).
*Evitar toda
e qualquer forma de dívida (Pv. 22:7). Isso inclui o uso de cartões
de crédito, participação em alguns consórcios,
fiança (cf. Pv. 22:26, 27), e negócios especulativos (cf.
Pv. 28:20, 12:11, 13:11), Decidir como família viver com aquilo
que Deus já providenciou, não o que espera ganhar. (Às
vezes é difícil discernir entre "fé" e
"presunção"; basta dizer que a fé crê
que Deus é capaz de satisfazer a família com aquilo que
tem, não com o que deseja adquirir.)
*Evitar pagamentos
parcelados, em prestações, com ou sem juros. Mesmo as prestações
sem juros têm seu preço. Provavelmente você conseguirá
o mesmo produto mais barato em outro lugar pagando "à vista".
Quem paga é o consumidor.
*Cultivar
uma atmosfera no lar de gratidão e contentamento pelo que tem,
através do culto doméstico, conversas informais em casa,
etc. Pedir que cada membro da família preencha o espaço
"Senhor, muito obrigado por ter nos dado ____________." Promover
cultos de consagração quando Deus supre uma necessidade
ou permite uma compra especial. Desenvolver alvos missionários
como família visando ministrar e/ou dar para pessoas mais carentes,
e visitar estas pessoas (Pv. 3:9,10; 11:24, 26; 19:17). Uma dose sadia
da "realidade" em que muitos vivem fará muito para diluir
a sua cobiça!
*Avaliar
bem a igreja que frequenta e a doutrina que ensina. Existe uma ênfase
materialista que fomenta a cobiça em nome de Jesus? Existe uma
tendência de olhar para pessoas menos abençoadas financeirmente
como se fossem "cidadãos da segunda classe"? Ou há
uma seriedade bíblica que examina e ensina as Escrituras de forma
equilibrada, dando ao dinheiro seu devido lugar como instrumento nas mãos
dos fiéis para construir o Reino de Deus?
Conclusão
O remédio
prescrito pelo Pastor Waldemar para Jairo e Marlene foi radical mas foi
a melhor maneira de salvar o casamento: destruir os cartões de
crédito, fazer um orçamento "vaca magra", vender
suas posses "supérfluas" em bazares, e aplicar cada centavo
que sobrava na redução da dívida familiar. Além
disso precisavam pedir perdão aos credores, e acima de tudo, mudar
seus hábitos de consumo. Mas o resultado valeu a pena. Depois de
dois anos o casal havia derrotado o inimigo da desordem financeira. Pela
primeira vez no seu casamento, experimentava a liberdade de não
serem "prisioneiros de dívida". Inclusive, já
haviam encomendado um bebê à vista, é claro!
Pr. Davi Merkh
está casado com sua esposa Carol a 22 anos e têm 6 filhos. Leciona no Seminário Bíblico Palavra da Vida, ministra como pastor auxiliar de exposição bíblica na Primeira Igreja Batista de Atibaia, e é autor de 14 livros com temas voltados para ministério criativo e o lar cristão pelas Editoras Hagnos e Atos.
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