"Eu não entendo!" exclamou José, enquanto voltava
do Banco 24 Horas. "Houve algum engano a máquina diz que estamos
com saldo negativo!"
"De novo?" perguntou sua esposa Valéria. "Quanto seu
talão diz que temos?"
"Não sei exatamente . . . não tive tempo para descontar
os últimos cheques e refazer as contas. Mas tenho certeza que não
é negativo. Acabei de ganhar um bom aumento salarial. Para onde foi
todo aquele dinheiro?"
A voz da Valéria revelou seu desânimo. "Não sei.
Mas parece que cada vez que ganhamos um aumento, ficamos com menos do que
antes. Nossa conta é um saco furado!"
* * * * * * * *
São poucos os que não lutam contra a história do saco
furado. Todos nós somos vítimas dos ladrões da inflação,
desvalorização, e crise financeira que nos assaltam diariamente.
Mas será que estes bandidos são os mais culpados por nosso
desequilíbrio financeiro? Ou será que nossa própria
indisciplina tem colocado o maior furo no nosso "saco bancário"?
Enquanto há pouco que podemos fazer para melhorar a situação
financeira do país, há muitas possibilidades para consertar
nosso próprio saco furado. Acima de tudo, precisamos sondar nossos
corações para descobrir se talvez haja algum "ídolo
no coração" (veja Ezequiel 14) que esteja tomando o lugar
de Jesus Cristo em nossas vidas. Muitas dificuldades financeiras brotam
de raízes de egoísmo, materialismo e consumismo. Esses, por
sua vez, vêem de um coração que ainda não achou
seu contentamento final na obra de Jesus na cruz. Muitos problemas financeiros
nos atacam quando vivemos como se não fosse uma eternidade.
O livro bíblico de "sabedoria financeira", Provérbios,
revela os maiores furos que desequilibram as finanças da família.
1. Vícios
Quando pensamos em vícios, imaginamos bebida alcoólica,
drogas e cigarro, e sem dúvida estes causam muita miséria.
Mas outros vícios "inocentes" são como 'teias
de aranha' e prendem as finanças da família. Refeições
fora, visitas à sorveteria, salgadinhos e refrigerantes, cinema,
vídeos e vídeo games, ligações interurbanas,
e viagens desnecessárias de carro são pequenas "aranhas"
que sugam a vitalidade do orçamento familiar. Provérbios
diz "Quem ama os prazeres empobrecerá, quem ama o vinho e
o azeite jamais enriquecerá" (21:17).
2. Especulação
O
segundo passo em direção à miséria conforme
Provérbios é especulação com seu dinheiro.
"O que corre atrás de cousas vãs é falto de
senso" (12:11). "Os planos do diligente tendem à abundância,
mas a pressa excessiva, à pobreza" (21:8). "Aquele que
tem olhos invejosos, corre atrás das riquezas, mas não sabe
que há de vir sobre ele a penúria." (28:22). O desejo
de ficar rico sem muito esforço leva muitos à especulação.
Historicamente, os efeitos coletivos numa sociedade são desastrosos.
(Alguém ainda se lembra do Plano Collor, gerado pela especulação
descontrolada?) Para o indivíduo há muitas armadilhas financeiras
que podem ou não se consideradas como especulações:
jogos de loteria, raspadinhas, a bolsa de valores, câmbios de moedas
estrangeiras, a compra e venda de veículos e imóveis, e
aventuras "garantidas" em negócios duvidosos. Poucas
pessoas possuem a segurança financeira para poder se arriscar nestes
negócios sem romper seu bolso econômico. O caminho sábio,
conforme Provérbios, é
mais conservador, e muito melhor para a economia: TRABALHAR E POUPAR!
3. Dívida
O terceiro furo no saco familiar são as dívidas. Qualquer
empréstimo que comprometa
as finanças do futuro da família leva à escravidão:
"O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo
do que empresta" (22:7). A dívida é uma tesoura que
despedaça o saco financeiro. A sociedade nos seduz para caírmos
nesta armadilha: Cartões de crédito, cheques especiais,
consórcios, pagamentos parcelados (com ou sem juros) e muitos outros.
Não que o uso destes constitui pecado. O perigo é gastar
agora o que se pretende ganhar amanhã. E o saco rasga mais um pouco.
Pior que a dívida
pessoal em Provérbios, a fiança constitui uma espécie
de dívida importada. O
fiador se compromete pela dívida de terceiros, como, por exemplo,
na compra ou no aluguel de um apartamento ou carro, no início de
um novo negócio que exige empréstimos, etc. Provérbios
diz "Não estejas entre os que se comprometem e ficam por fiadores
de dívidas, pois se não tens com que pagar, por que arriscas
perder a cama de debaixo de ti?" (22:26,27).
4. Desperdiço
Um
outro "buraco negro" no orçamento é o desperdiço--a
falta de cuidado e mordomia dos bens. Provérbios aconselha: "Procura
conhecer o estado das tuas ovelhas, e cuida dos teus rebanhos, porque
as riquezas não duram para sempre, nem a coroa de geração
em geração" (27:23,24). Em outras palavras, cuide do
que tem, ou perdê-lo-á! Em nossos dias talvez signifique
consertar um cano furado antes que estrague a parede; apagar as luzes
quando sai da sala (especialmente durante o "apagão!); trocar
o óleo e os filtros do motor do carro; escovar os dentes depois
de cada refeição; manter sua saúde
pelo exercício físico e sono adequado; comer as sobras das
refeições e não jogar fora; planejar bem as compras
para evitar repetidas viagens; tomar banhos breves (mas eficientes!);
usar o telefone fora do horário comercial; comparar os preços
e evitar "grifes" caras; ficar de olhos abertos para bazares,
liquidações, e ofertas de "atacado". O saco se
rasga quando desperdiçamos o que Deus nos confiou, e quando tentamos
viver acima dos nossos bens.
5. Egoismo
Parece um paradoxo, mas Provérbios deixa claro que perdemos quando
nos agarramos nos nossos bens, e ganhamos quando abrimos mão deles
e contribuímos para outros. Em primeiro lugar, reconhecemos que
tudo o que temos vem da boa mão do SENHOR em nossas vidas (Pv.
3:5,6). Por isso, honramos ao SENHOR com as primícias de toda a
nossa renda (3:9,10). O egoísta esquece da soberana atuação
de Deus em suas finanças. O pouco que ele tem cai pelos buracos.
Em segundo lugar, o justo procura informar-se sobre as necessidades dos
pobres ao seu redor, e faz tudo o que pode para socorrê-los. "A
quem dá liberalmente ainda se lhe acrescenta mais e mais, ao que
retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda"
(11:24). O que dá ao pobre não terá falta, mas o
que dele esconde os seus olhos será cumulado de maldições
(28:27). Egoismo põe um grande furo no saco, mas o altruísmo,
fruto genuíno de quem conhece Jesus, é caminho para o verdadeiro
contentamento!
Conclusão
Como que José e Valéria podem costurar seu "saco"
orçamentar? Antes de mais nada, precisam sondar seus corações
para descobrir quais os "ídolos" que talvez estejam servindo.
Precisam reafirmar sua dependência na suficiência final de
Cristo Jesus. Devem descansar contentes na provisão diária
dEle, sem correr atrás de "bolhas de sabão". Outro
grande passo seria estudar suas entradas e saídas durante os próximos
2 ou 3 meses para descobrir os buracos. Depois terão condições
de montar um orçamento que reflete os princípios bíblicos
para as finanças do lar. Também não seria uma má
idéia rever o seu saldo da conta corrente de vez em quando. Até
então, esperemos que o Banco 24 Horas ainda esteja funcionando.
Pr. Davi Merkh
está casado com sua esposa Carol a 22 anos e têm 6 filhos. Leciona no Seminário Bíblico Palavra da Vida, ministra como pastor auxiliar de exposição bíblica na Primeira Igreja Batista de Atibaia, e é autor de 14 livros com temas voltados para ministério criativo e o lar cristão pelas Editoras Hagnos e Atos.
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