Princípio da Sabedoria


- Quem não deseja ser sábio?
Em geral, todos querem tomar decisões corretas em suas vidas. Quem
não anseia que seus filhos cresçam e tenham vidas valiosas
e significativas?
Em vista destas coisas, a pergunta é:
- Como podemos ser sábios e, além disso, como transmitir essa
sabedoria a nossos filhos?
A palavra sabedoria, na língua hebraica, refere-se a possuir uma
perspectiva correta e nítida da pessoa de Deus. É a habilidade
de enxergar e encarar a vida do ponto de vista divino, através dos
olhos do Criador. É uma compreensão moral em harmonia com
os princípios de Deus que coordenam o Universo.
- Como alguém desenvolve a capacidade de ter uma visão de
vida semelhante à do Senhor?
A Bíblia rotula o rei Salomão como o mais sábio dos
homens que já viveram na terra. Como autor do livro de Provérbios,
ele declara: "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria"
( Pv 1.7). Este conceito era tão importante e incorporado à
sua experiência, que em Provérbios 9.10 ele o repete novamente.
Salomão recebeu este ensinamento de seu pai, Davi, que em Salmo 111
versículo 10, cita as mesmas palavras.
De fato, Salomão teve acesso a tudo o que a vida podia oferecer para
que um homem se tornasse sábio: educação, cultura,
enfim, todo conhecimento disponível. Depois de extinguir todas as
possibilidades, ele concluiu: "Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos;
porque isto é o dever de todo homem" (Ec 12.13).
O temor do Senhor
é a fonte da sabedoria
O temor a Deus é a lição mais importante que uma
pessoa pode aprender. Nosso crescimento e utilidade na execução
do plano divino depende do temor que desenvolvemos por ele.
Desde que o temor é a base para toda sabedoria é importante
compreendê-lo corretamente. Acima de tudo, ele deve ser revestido
de um profundo senso de reverência diante da atuação
do Senhor em nosso mundo, em nossas vidas. Implica em "levar Deus
a sério" e em que o posicionamento ideal do coração
é estar voltado para ele. Essa reverência é um pré-requisito
para conhecer e entender a verdade. Quando alguém se aproxima do
Criador com um coração humilde e reverente, com certeza
está no caminho certo para conhecê-lo realmente.
Vendo a vida do
ponto de vista de Deus
Para que isso aconteça precisamos conhecê-lo e descobrir
os seus caminhos. Quando Moisés estava no Monte Sinai recebendo
as tábuas da lei, pediu ao Pai: "Agora, pois, se achei graça
aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu
caminho, para que eu te conheça, e ache graça aos teus olhos;
e considere que esta nação é teu povo" (Ex 33.13).
No Salmo 103.7 lemos que Deus manifestou os seus caminhos ao patriarca
e os seus feitos aos filhos de Israel.
Moisés compreendeu os caminhos divinos, os pensamentos do Senhor
e sua maneira de encarar a existência humana.
A medida que crescemos no conhecimento de Deus adquirimos a habilidade
de perceber a presença dEle interferindo nos menores detalhes do
nosso dia-a-dia.
O temor do Senhor
e a humildade andam juntos
Provérbios 15.33 afirma: "O temor do Senhor é a instrução
da sabedoria, e a humildade precede a honra." O temor do Senhor e
a humildade caminham juntos (Pv 22.4). Não há dicotomia
entre ambos. Não existe temor verdadeiro sem humildade e vice-versa.
"Não seja sábio aos teus próprios olhos: teme
ao Senhor e aparta-te do mal" (Pv 3.7). Ser sábio aos próprios
olhos é diametralmente oposto a ser reverente. "O temor do
Senhor consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mal
caminho" (Pv 8.13).
O temor do Senhor
está relacionado ao nosso amor por Ele
Já à beira do rio Jordão, quando o povo estava para
entrar na terra prometida, Moisés instruiu os pais de Israel para
que temessem e amassem Jeová de todo coração (Dt
6.1-5). Tal temor é proporcional à intensidade do nosso
amor. Deus desejava que todos os israelitas transmitissem essa verdade
a seus filhos, antes porém, eles mesmos deveriam vivê-la
dedicadamente.
O temor diferencia-se
do medo
O temor do Senhor é totalmente diferente do temor que o ímpio
sente. O ímpio tem medo de quem o odeia, mas o filho de Deus teme
o Pai a quem ama. Isto pode ser ilustrado na história que contarei
a seguir: alguns jovens estavam numa festa e alguém sugeriu que
todos fossem para uma determinada discoteca, cuja fama não era
recomendável. Uma das moças, Renata, namorada de um dos
rapazes do grupo, disse a ele:
- Eu não quero ir para essa discoteca. Por favor, me leve pra casa.
Outra jovem, ouvindo o que ela pediu, perguntou sarcasticamente:
- O que foi, Renata? Está com medo do papai?
- Não! - exclamou Renata. Eu não tenho medo que ele fique
bravo e me bata ou castigue, mas eu tenho medo de feri-lo!
Renata resumiu nessa atitude o que significa reverenciar um pai.
Foi esta mesma compreensão que levou José a dizer diante
de uma grande tentação sexual: "Como, pois, cometeria
eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?" (Gn 3.9). José
possuía imenso amor e reverência para com o seu Pai Celestial,
a tal ponto que subjugou os seus hormônios para não desapontá-lo,
para não entristecê-lo.
Esta mesma reverência, envolvida em afeto, levou o Filho de Deus
a submeter-se humildemente à vontade do Pai.
A ira do Senhor é muito amarga e seu amor muito doce. Desta primícia
emana um desejo ardente de agradá-lo.
Dever do pai
Pai, não posso pensar em presente maior que você possa dar
a seu filho do que ser um exemplo de seriedade e reverência para
com Deus em sua vida. Caminhando com o Senhor, será um referencial
inesquecível que ajudará a construir o caráter de
seu filho. Você não será perfeito, pois por definição
somos imperfeitos, mas a integridade de reconhecer um erro e pedir perdão
deverá ser uma marca do pai cristão.
E assim, juntos, pais e filhos procurando conhecer a vontade de Deus para
nosso relacionamento, teremos muito mais chances de acertar!
JAIME KEMP
é atualmente diretor da Sociedade Religiosa Lar Cristão. Foi missionário da Sepal por 31 anos e fundador da Missão Vencedores Por Cristo. É conferencista e autor de 33 livros. Aceita convites para seminários e palestras.
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