Um dos retratos mais famosos no mundo é de uma mulher, a Mona Lisa
por Leonardo da Vinci. Muitos têm debatido de onde vem o poder cativante
desse quadro talvez o sorriso misterioso da mulher, talvez a possibilidade
de que ela saiba algo que nós não sabemos. Da Vinci ficou
famoso pela sua inovação de novas técnicas artísticas
na Mona Lisa, especialmente pelo uso suave de cor e de sombras, criando
esse efeito misterioso, uma "aura" em volta da figura.
Quando Deus quis nos
instruir sobre relacionamentos saudáveis no lar, começou
com o retrato de uma mulher cujo valor é inestimável. Nela
a vida de Cristo se manifesta, superando suas tendências naturais
pela obra sobrenatural de graça. Essa mulher possui uma "aura"
também, criada pelo uso suave do Espírito de pinceladas
que traçam a imagem de Cristo na personalidade da mulher. Os textos
bíblicos que revelam para nós essa pintura são unânimes
na descrição do "ar misterioso" que caracteriza
essa mulher: Chama-se um espírito manso e tranqüilo, um coração
"submisso".
Infelizmente, se existe
um "palavrão" na sociologia da família hoje, é
a palavra "submissão".
A polémica normalmente inclui debate entre dois extremos igualmente
desequilibrados: alguns erram ao lado do feminismo radical, clamando por
uma libertação generalizada da opressão feminina;
outros errando num "neo-machismo" que justifica um domínio
masculino que também não encontra respaldo nas Escrituras.
Como sempre, precisamos voltar à Palavra de Deus para um eqüilíbrio
que permite que Deus tenha a última palavra.
Esse primeiro estudo
sobre relacionamentos saudáveis no lar começa onde os três
textos clássicos sobre o assunto começam, com o papel da
mulher no lar (Ef 5:22-24, Cl 3:18, 1 Pe 3:1-6). Primeiro vamos "preparar
a tela", descobrindo o que a submissão da mulher NÃO
significa. Depois examinaremos a pintura bíblica do retrato
dessa mulher valiosa.
1. Submissão
não é uma responsabilidade exclusiva da mulher.
Efésios 5:21 deixa claro que, como fruto da plenitude do Espírito
em nossas vidas (Ef 5:18), todos nós temos uma responsabilidade
de submissão mútua: "sujeitando-os uns aos outros".
Todos nós vivemos debaixo de autoridade. O Espírito de Deus
produz um "alinhamento" (sentido literal do verbo grego) no
Corpo de Cristo (e especialmente na familia) através de autoridades
em nosas vidas a quem nos submetemos. Somente quando todos nós
"entramos na linha" é que haverá relacionamentos
saudáveis no lar. Assim como os vários anéis de uma
dobradiça precisam ser encaixadas para que uma porta revolve direito,
assim esposas, maridos, pais e filhos precisam submeter-se a Deus e uns
aos outros no desempenho de seus respectivos papéis no lar. Afirmar
que submissão é uma "maldição exclusiva"
da mulher ignora o ensino bíblico claro sobre o assunto.
2. Submissão
não significa inferioridade da mulher.
Alguns, infelizmente, têm interpretado o ensino bíblico sobre
submissão como se significasse a inferioridade da mulher. Mas submissão
feminina é, acima de tudo, uma questão funcional,
não "essencial". Deus criou o homem E a mulher à
imagem dEle (Gn 1:27). Criou a mulher justamente para socorrer o homem
e complementá-lo onde ELE era fraco (Gn 2:15-18; veja Gl 3:28).
Na própria Bíblia encontramos mulheres mais corajosas que
os homens (Débora X Baraque), mais capazes como comunicadoras da
Palavra que seus maridos (Priscila e Áquila) e mais comprometidas
com Jesus (Maria, Marta e companhia X os apóstolos na crucificação
e ressurreição de Jesus).
Isso significa que
não há diferenças funcionais e práticas no
bom andamento do lar? Não. Em sua infinita graça Deus designou
um membro do lar como líder, protetor e provisor, e outro como
sua companheira, amiga e complemento, assim evitando muito conflito e
atrito na família.
3. Submissão
da esposa não é para todos os homens em todos os contextos.
Tenho ouvido vários homens falando como se todas as mulheres fossem
subservientes a eles. Mas o texto bíblico é unânime
e claro ao declarar não menos de QUATRO vezes que submissão
é da esposa ao seu próprio marido (Cl 3:18, 1 Pe 3:1,
Ef 5:22, Tt 2:2-5). O jovem namorado não tem direito nem razão
em exigir "submissão" da parte de sua namorada., assim
como um homem não tem direito de "mandar" na esposa de
outro. A ordem biblica aplica-se ao lar e, conforme alguns outros textos
bíblios, àlgumas situações de liderança
na igreja. Mas nada na Palavra justifica uma aplicação de
"submissão feminina" ao contexto politico, empresarial
ou social. Tomemos cuidado para falar o que a Palavra fala, não
mais nem menos.
4. Submissão
não significa escravidão.
Se existe escravidão no lar, o "escravo" é o homem
e não a mulher. Jesus chamou o homem para liderar o lar com amor
sacrificial, e exemplificou essa liderança amorosa pela vida de
servo. Infelizmente, o movimento feminista tem escravizado ainda mais
as mulheres, "libertando-as" para uma vida em que não
somente ganham o pão de cada dia mas também continuam cuidando
de boa parte do serviço da casa.
Alguns homens têm
contribuído para esse quadro. Interpretam a frase "auxiliadora
idônea" de Gn 2:15-18 como "capacho eficiente", quando
de fato significa que a mulher é um complemento ao homem-diferente-mas-semelhante
ao homem, para socorrê-lo em suas muitas encrencas! Certamente não
justifica um homem deitado no sofá com controle remoto em mãos
gritando para sua esposa atarefada trazer um refrigerante da geladeira
com pedaço de limão!
5. Submissão
não implica em autonomia masculina no lar.
Submissão no lar não significa que o homem toma todas as
decisões independentemente de qualquer consulta, palpite ou opinião
dos outros membros do lar. O ponto na criação da mulher
foi justamente a necessidade que o homem tinha (e tem) de alguém
ao seu lado como companheira, amiga, complemento e socorro. Que burrice
ignorar e anular os dons da pessoa que Deus colocou ao nosso lado para
nos completar! Conheço homens que não permitem que suas
esposas comprem um pão francês sozinhas, mas que saem para
adquirir um novo carro, terreno ou apartamento sem sequer consultar suas
esposas! Esse não é o plano de Deus para relacionamentos
saudáveis no lar.
Agora que preparamos
a tela, descobrindo o que submissão feminina NÃO significa,
podemos pintar o retrato da nossa "Mona Lisa", a mulher submissa
cujo valor é inestimável diante de Deus. Esse será
o assunto do próximo artigo na série, "Relacionamentos
Saudáveis no Lar".
Pr. Davi Merkh
está casado com sua esposa Carol a 22 anos e têm 6 filhos. Leciona no Seminário Bíblico Palavra da Vida, ministra como pastor auxiliar de exposição bíblica na Primeira Igreja Batista de Atibaia, e é autor de 14 livros com temas voltados para ministério criativo e o lar cristão pelas Editoras Hagnos e Atos.
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