O
Mundo que nossos filhos enfrentam


Através da história, todas as gerações de pais
enfrentam dificuldades para criar seus filhos. As dificuldades são
inerentes à paternidade. Porém, neste novo milênio,
creio pessoalmente que está mais difícil do que nunca cumprir
tal tarefa satisfatoriamente. A atual geração de crianças
e jovens é bombardeada por pressões sem precedentes que têm
favorecido uma atmosfera que ataca sua saúde emocional e física.
Gostaria de apresentar alguns dos fatores negativos a que nossos filhos
estão expostos na sociedade moderna.
1. Uma sociedade
influenciada pela mídia
Na copa do mundo de futebol, em 1998, quando o Brasil enfrentou a seleção
da França na final, os especialistas afirmaram que nada menos que
dois bilhões e setecentos milhões de pessoas no planeta
estavam assistindo concomitantemente aquele evento esportivo. Que alcance
fantástico! Quase metade do mundo conseguiu assistir a um espetáculo
na mesma hora. Isto é um fenômeno próprio desta geração.
Enquanto existem aspectos tão positivos, como colocar o mundo em
sintonia simultânea em acontecimentos importantes e dignificantes,
por outro lado a mídia explora programações degradantes,
obscenas, maliciosas, violentas e insípidas que chamam a atenção
das pessoas, mas as envolvem negativamente e perturbam seu equilíbrio
mental, social, intelectual e até físico.
O poder criativo humano nunca manipulou tanto seu semelhante como agora,
utilizando a grade de programação das tevês. Não
há dúvida que um dos maiores fatores para a degeneração
da família brasileira seja a televisão. Ela ganha o controle
das mentes e dos corações a partir do momento em que nossas
crianças sentam na sua frente para ver os desenhos e programas
infantis, os quais assimilam e imitam. Mas não é só.
Os anúncios, as propagandas cuidadosamente produzidas, atraentes
e sugestivas, pretendem apresentar a nossos filhos um mundo segundo seus
objetivos e interesses, programando-os, como se fossem robôs, para
serem as pessoas que o marketing espera que sejam. E é assim que
as crianças pedem, querem e até exigem brinquedos que são
criados com pouco critério quanto à preservação
dos melhores sentimentos infantis; roupas de grife que exaltam o status
e tênis caríssimos, ponto alto da moda para quem quer ser
aceito e louvado pelos coleguinhas, que por sua vez, também são
muito exigentes.
Uma pesquisa apontou que adolescentes na idade entre doze e dezoito anos
escutam e assistem, entre rádio e TV, em média, trinta e
uma horas por semana, mais ou menos quatro horas e meia por dia. Mais
de 50% de jovens criados em igrejas evangélicas assistiram um filme
proibido para menores e mais de 10% admite ter visto um filme erótico
e pornográfico. Não é de se admirar, portanto, que
50% desses jovens "cristãos" estejam envolvidos em relações
sexuais. Certamente as imagens sensuais tão liberadas que estão
influenciando as mentes e os corações dos adolescentes,
também, impactam negativamente seu comportamento quanto ao sexo.
2. Uma sociedade
falida espiritual e moralmente
Devemos ter cuidado com a distorção de valores, quando o
que é mau passa a ser bom e vice-versa.
A mídia e algumas escolas ensinam exaustivamente que não
existem absolutos. Alegam que comportamentos e atitudes consideradas erradas
e inaceitáveis em outra época e cultura, já não
o são necessariamente agora. Pouco a pouco passam a ser aceitos
como válidos, desde que não prejudiquem ninguém.
O bom gosto e a decência básica têm sido colocados
em segundo plano em favor da exaltação de obscenidades e
perversões.
Recentemente, foi apresentada por uma deputada, na Câmara dos Deputados
em Brasília, a proposta para a aceitação social,
moral e econômica do casamento de homossexuais.
Pai, você pode conceber que dois homens homossexuais adotem um filho
e dêem a essa união o nome de família? Você
consegue imaginar duas lésbicas apelando para a inseminação
artificial, tendo a responsabilidade de educar uma criança e afirmando
que são uma família?
Você gostaria que seu filho, ou filha, crescesse num ambiente assim,
privados da presença feminina ou masculina, respectivamente, e
assimilassem todas as características, idéias e atitudes
que essas pessoas lhes transmitissem? Querido pai, esta possibilidade
pode vir a ser aceita por seus filhos. Não devemos nos iludir achando
que isso jamais acontecerá em nosso meio.
Muitos programas de educação sexual das escolas públicas
não sugerem aos alunos a abstinência do sexo, mas favorecem
a liberdade de escolha partindo do conceito de que estão tratando
com pessoas responsáveis. A única ressalva é para
que todos usem camisinhas para se prevenirem contra a AIDS e doenças
venéreas em geral, e que tomem anticoncepcionais para evitarem
uma gravidez precoce.
Muitos administradores escolares, tanto de entidades evangélicas
como católicas, que têm princípios fundamentados na
Palavra de Deus, enfrentam pressões fortíssimas para aceitar
e propagar o material que estimula o sexo seguro (kits, folhetos, etc.).
É uma tentativa incompleta, e por isso ineficaz, de diminuir o
aumento dos altos índices de gravidez na adolescência e de
doenças sexualmente transmissíveis.
Nossa sociedade sancionou a lei que permite o aborto, que nada mais é
do que a morte de pequenos seres a quem não é dado o direito
de vir ao mundo, em nome do controle da natalidade e para encobrir atos
ilícitos e socialmente condenáveis. O conceituado "Jornal
do Brasil" publicou o resultado de uma pesquisa por eles realizada,
em que concluiu que as mulheres brasileiras abortam cinco milhões
de fetos anualmente, a grande maioria das vezes em clandestinidade, isto
é, em lugares não reconhecidos ou especializados.
Ter um filho fora do casamento, na chamada e moderna "produção
independente", hoje em dia é considerada prova de coragem,
de amor maternal e de realização, não acarretando
mais qualquer estigma de oposição social. Afinal de contas,
pessoas vistas como bem-sucedidas, vips, artistas de televisão
assumiram esse papel e escancararam seu exemplo para o mundo todo ver
e seguir.
3. Uma sociedade
egocêntrica
Uma jovem senhora concluiu seu curso universitário e iniciou uma
carreira lucrativa. O marido não estava a favor da sua decisão
porque achava que ela ficaria sobrecarregada ao tentar conciliar as atividades
de esposa, mãe, profissional e mulher. Apesar de ter dois filhos
ainda pequenos, ela se divorciou e deixou-os com o ex-marido pois não
admitiu que ninguém ou nada, nem mesmo sua família, interferisse
em sua carreira.
Este caso que acabei de contar ilustra como as influências negativas,
como o materialismo, o hedonismo, humanismo e secularismo têm atingido
as famílias. Ele demonstra perfeitamente que a característica
priorizada foi o narcisismo, ou seja, a glorificação da
criatura ao invés do Criador.
Nossos filhos estão crescendo num mundo que enfatiza e alardeia
a realização pessoal. A mudança de valores em direção
ao ganho financeiro, ao status, ao poder e à busca dessa realização
têm se infiltrado nas famílias, por meio da mente dos pais,
de modo sutil e constante. Isto tem causado sérios danos às
células familiares. Muitos pais não têm disposição
ou intenção de sacrificar-se em prol do benefício
de seus filhos. Estes, por sua vez, tornam-se narcisistas seguindo o modelo
que têm em casa. Tudo é avaliado em relação
à pessoa, ao "eu", à realização.
4. Uma sociedade
imediatista e impulsiva
Os jovens não sabem como desenvolver autocontrole porque seus pais
não têm controle. Eles não oferecem muita resistência
ao apelo de seus desejos. A mídia se aproveita de todo esse desequilíbrio
e reforça a mensagem que as pessoas merecem ter tudo o que aspiram;
ela leva o telespectador a crer que deve ser indulgente consigo mesmo.
Somos uma geração escrava da cobiça.
Toda essa indulgência se manifesta nos desenfreados impulsos sexuais
dos jovens, na aceitação tolerante do "ficar",
no seguinte raciocínio: "Meu pai e minha mãe esperaram
até o casamento para transarem. Não preciso e não
quero ser como eles; hoje os tempos são outros. Atualmente temos
a camisinha, as pílulas anticoncepcionais. Por que esperar?"
Muitos casais de noivos querem comprar, antes mesmo do casamento tudo
(e ainda mais), que seus pais batalharam arduamente durante anos para
conseguir. Estão dispostos a se endividarem seriamente para adquirir
imediatamente o que o dinheiro pode oferecer. Não há dúvida
que a máquina do marketing, muito bem estruturada, estimula esse
tipo de impulsividade.
Somos a geração do microondas. Não queremos esperar.
Tudo tem que ser muito rápido. Somos impacientes e não ensinamos
nossos filhos sobre a virtude e a sabedoria de esperar o tempo certo por
aquilo que realmente vale a pena.
5. Uma sociedade
dividida em faixas etárias
Hoje em dia os mais jovens têm poucos amigos adultos. Em conseqüência
disto, quando enfrentam um problema procuram ajuda e aconselhamento com
alguém de sua própria idade. Se as crianças tivessem
vários relacionamentos significativos com adultos, estes poderiam
orientá-los sobre como encarar a vida e influenciá-los sabiamente
até que atingissem estabilidade emocional, social e intelectual.
Por esta razão, pai e mãe, vocês são extremamente
importantes. Filhos precisam de amigos, heróis e heroinas; precisam
de compaixão, de alguém que os ouça e ensine os valores
que vêm de Deus.
Será que eles encontrarão tal padrão de comportamento
no mundo? Acho que não!
Em meio a esse contexto
quero acender um clarão de luz e esperança para os pais.
A. Precisamos reavaliar
nossas prioridades enquanto pais Sempre estamos ocupados, comprometidos
com uma série de questões, responsabilidades, formalidades
e eventos. Nossa realização pessoal e profissional deve
vir depois de nossa dedicação à família.
Pai, analise crítica e severamente sua agenda e pondere se está
oferecendo um tempo de qualidade, semanalmente, a cada membro de sua família.
B. Precisamos entender
as pressões específicas que cada um de nossos filhos enfrenta
Envolva-se na vida social, acadêmica, espiritual dos seus filhos
e dos amigos deles. Aprenda a ouvir não somente o que eles falam
e não apenas com os ouvidos, mas muito mais com a emoção.
É absolutamente necessário separar um tempo de qualidade
para estar junto deles.
C. Não pressuponha
que seu filho esteja imune das pressões para adequar-se ao estilo
de vida destrutivo que se desenvolve ao seu redor
Devemos ser diligentes quanto a guiá-los seguros, evitando os abismos
que os cercam. Temos que nos sentir desafiados a trabalhar para moldar-lhes
o caráter e protegê-los contra as investidas satânicas,
sempre sob a orientação do Senhor.
D. Precisamos criar um sistema de proteção ao nosso redor
e ao redor de nossos filhos
É essencial nos envolvermos com uma igreja local, encorajarmos
e insistirmos que nossos filhos freqüentem e assistam às programações
voltadas aos jovens e crianças, tais como escoteiros, bandeirantes
e qualquer outra que possua a visão e o intuito de solidificar
positivamente o caráter das pessoas e protegê-las.
Como pais devemos planejar divertimentos, como viagens, piqueniques, programas
esportivos, camping, pesca ou qualquer outra atividade que promova a integração,
interação e diversão dos membros da família.
Diante da violência,
promiscuidade e insensatez do mundo contemporâneo, a presença
firme, equilibrada, atenciosa e amorosa de um pai é imprescindível
e fator essencial que colabora para a felicidade e bom desenvolvimento
do caráter dos filhos.
JAIME KEMP
é atualmente diretor da Sociedade Religiosa Lar Cristão. Foi missionário da Sepal por 31 anos e fundador da Missão Vencedores Por Cristo. É conferencista e autor de 33 livros. Aceita convites para seminários e palestras.
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