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MISSÃO: MUNDO



"Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra" (Atos 1.8).

No século dezenove levava por volta de dez dias para que os brasileiros tomassem conhecimento de uma guerra que ocorresse na Europa. No tempo de nossos pais, porém, as notícias podiam ser ouvidas quase na mesma hora através do rádio. Nós e nossos filhos, não somente ouvimos mas assistimos à chegada do homem na lua e a "Guerra nas Estrelas" do Golfo no momento em que ocorriam. E vimos também horrorizados pela televisão a transmissão do ataque às torres de Nova Iorque (11/09/01). O mundo está instantaneamente disponível à esta geração através dos atuais avanços tecnológicos.

Consequentemente, as crianças de hoje, quer elas saibam ou não disso, são cidadãs do mundo. A dúvida, então, é a seguinte: será que nós, pais cristãos, estamos preparados para sermos responsáveis e conscientes cidadãos e pais mundiais? Ao percebermos que essa é nossa meta, devemos passar a enxergar "o mundo" como homens e mulheres criados a imagem de Deus, pessoas por quem Cristo morreu e a quem somos chamados a amar e a buscar.

Os valores básicos do ser humano, bem como a imagem que adquirem da vida, provém da formação que recebem ainda na mais tenra idade. É no lar que a visão do mundo é recebida e desenvolvida. Da mesma forma que nos preocupamos em passar a nossos filhos padrões de moral, boas maneiras e formação acadêmica é necessário que aproveitemos as oportunidades para guiá-los no caminho a fim de que eles também se tornem "cristãos mundiais".
Mesmo que, até agora, essa idéia da consciência mundial não tenha ocupado um lugar de destaque em nossos corações e lares, não é tarde demais para que possamos dar alguns passos práticos visando a interação de nossas famílias com essa visão mundial de Deus.

Podemos começar colocando um mapa-múndi na sala de jantar ou no local onde a família se reúne para as devocionais. Devemos estar alertas para aproveitarmos toda e qualquer oportunidade para transmitir notícias, histórias, relatos de missionários que apontem às mais variadas partes do globo, destacando eventos e povos específicos.
Já que o mundo "ficou mais próximo", passa a não ser mais suficiente que nossos filhos tenham somente a visão histórica e geográfica de nosso planeta. É preciso que também possuam uma visão cristã global. Se um país, em particular, passa a ocupar as manchetes dos jornais, as crianças logo tomam conhecimento do motivo daquele destaque. Essa é a hora de mencionar missionários que estejam naquela área, focalizar a atenção naquele país e orar pela obra naquela terra.

Há um livro excelente que fornece histórico e dados sobre o andamento das missões mundiais, chama-se "Operação Mundo", de Patrick Johnstone. Esse livro apresenta fatos e pedidos de oração sobre cada povo do mundo inteiro. Outra forma de tomarmos conhecimento da obra missionária é através dos "Cartões de Oração", escritos pelo missionário da Sepal, Ted Limpic. Eles ajudam, não somente a compreendermos mais cada país, como também direciona a orarmos de forma mais específica.

A partir do momento que uma criança começa a ter essa idéia mais global do mundo, sua curiosidade também aumentará. Será necessário um maior envolvimento pessoal de nossa parte a fim de manter aceso seu interesse. Como cristãos temos o privilégio de ter fácil acesso às famílias que trabalham em missões. Seria interessante quando eles estiverem em férias e passando por nossas igrejas, que os convidássemos à casa e os apresentássemos a nossos filhos. Há igrejas que sustentam vários missionários e possuem um boletim com fotos e notícias atualizadas de cada família que se encontra no campo.

Conheço igrejas que realizam programas tipo: "adote uma família". Isso implica em manter contato, enviando-lhes correspondência, lembrando de aniversários e férias. Cada volta dos missionários para casa, como também cada regresso para o campo deve ser devidamente comemorado. Essas atitudes transmitem às gerações mais novas o valor que se deve dar aos missionários.

Enquanto, como família, oramos por missões também devemos estar abertos para o caso do Senhor chamar nossos próprios filhos para serem missionários em alguma outra parte do mundo.
Ao mesmo tempo em que os ajudamos a perceber que o chamado para missões é um alto privilégio precisamos, também, ajudá-los a entender que ir à missões não é a única forma de tornar-se um cristão global. Minha esposa e eu tentamos passar a nossas filhas o significado de uma frase que ouvimos e que é muito importante para nós: "Cada coração com Cristo é um missionário e cada coração sem Cristo é um campo a ser evangelizado".

Como pais devemos cultivar em nossos filhos a percepção do cristão mundial, encorajando-os a enxergar as pessoas em seus variados ambientes e ver nesse pano de fundo as oportunidades que Deus nos dá para engrandecermos Seu Reino aqui na Terra.



JAIME KEMP é atualmente diretor da Sociedade Religiosa Lar Cristão. Foi missionário da Sepal por 31 anos e fundador da Missão Vencedores Por Cristo. É conferencista e autor de 33 livros. Aceita convites para seminários e palestras.



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