Marcos e Valéria não sabem como aconteceu, mas haviam perdido
algo de precioso em seu relacionamento. Depois de 7 anos de casamento, 2
bebes, uma carreira promissora e um compromisso sério com os trabalhos
da igreja, haviam se esquecido de cuidar de um "detalhe" em suas
vidas a amizade conjugal. Por não terem investido no desenvolvimento
desta intimidade, perderam seu "primeiro amor".
A maioria das músicas
populares fala de paixão e romantismo entre homem e mulher. Poucas
destacam o que creio ser uma ênfase mais correta - e mais bíblica.
Amizade no casamento é um desafio para investir na vida do seu
cônjuge, não tanto no sentido romântico, mas no crescimento
pessoal em intimidade e amizade
Infelizmente, muitos
homens encaram suas esposas não como "auxiliadoras idôneas"
mas como "ameaçadoras medonhas". Preferem ter uma esposa
que não questiona, não opina, não discorda, e que
não pensa. São maridos inseguros e egoístas que são
ameaçados por qualquer sucesso de suas esposas. Acabam abafando
suas esposas. Não conseguem desenvolver uma amizade com elas
Ao mesmo tempo, algumas
mulheres preferem competir com seus maridos e não completá-los.
Ao invés de jogar como um time, tentam ser a estrela do time num
jogo individual. Também anulam a possibilidade de uma amizade bíblica
no casal
Uma outra ameaça
à amizade conjugal é o corre-corre das nossas vidas. Acabamos
sacrificando o importante no altar do urgente. O bom acaba tomando o lugar
do excelente. Pouco a pouco, de forma sutil e quase que imperceptível,
perdemos a intimidade conjugal. Podemos alistar vários fatores
que contribuem para o distanciamento do casal:
*Filhos (crianças "onipresentes" roubam tempo à
dois; "filhocentrismo" faz com que o universo familiar gire
em torno dos filhos e não do relacionamento conjugal)
*Serviço (pressão financeira, a tentativa de estabelecer
uma vida confortável para a família, e a sedução
de promoções e avanços na carreira fazem com que
esqueçamos de investir na família)
*Ministério (demandas da igreja e o desejo até saudável
de fazer investimentos eternos às vezes ofuscam prioridades divinas
centradas no lar; para alguns, o desejo de manter uma aparência
de "espiritualidade" leva para grandes investimentos na igreja
e abandono da família)
*Bobagens (vários "buracos negros" no universo familiar
sugam tempo que poderia ser investido no relacionamento conjugal: TV,
jornal, amigos, telefone, esportes, etc.)
A Perda do Primeiro
Amor
Há várias
etapas na vida de um casamento. Mesmo que aquela "paixão"
do namoro não continue acompanhada pelo "choque elétrico"
que experimentávamos no namoro, a profundidade do nosso amor deve
aumentar. E se não, devemos estar preocupados. A pergunta chave
é: será que minha amizade com meu cônjuge está
aumentando ou diminuindo? Amizade conjugal deve ser a grife que destaca
o relacionamento à dois. Mas este nível de compromisso e
companheirismo, como qualquer investimento lucrativo, envolve sacrifícios
e alguns riscos
Definição:
Amizade Bíblica
O livro de Provérbios
traça pelo menos quatro "níveis" de relacionamento
interpessoal, desde "colegas" e "vizinhos" para "amigos"
("aquele que ama") e "íntimos" (veja Pv. 18:24,
27:10, 2:17). É interessante notar que o último nível,
traduzido "maiores" ou "melhores" amigos em Pv. 16:28
refere-se ao relacionamento entre marido e esposa em Pv. 2:15-17. Em outras
palavras, o padrão bíblica para o casal é que sejam
melhores amigos, desenvolvendo uma intimidade cada vez maior em todas
as esferas da vidA intelectual, emocional, física e espiritual.
Este é o alvo: Minha esposa-minha amiga; Meu esposo-meu amigo
Baseado no livro de
Provérbios, podemos sugerir uma definição de amizade
que aplica-se muito bem para o casamento (veja Pv. 14:20, 18:24, 27:6;
27:17, 13:20, 17:17):
Amizade é um
relacionamento de compromisso mútuo baseado em provas de confiabilidade
e compatibilidade que leva ao crescimento de intimidade em todos os níveis.
Cultivando Amizade Conjugal
Se o padrão
bíblico para casamento envolve compromisso que leva para intimidade
(amizade), podemos perceber por que Satanás ataca o casamento justamente
neste ponto. Enquanto a Palavra de Deus afirma, "O que Deus ajuntou,
não separe o homem" (Mt. 19:4-6), o alvo de Satanás
é romper o relacionamento conjugal. (1 Pd. 5:8).
Por isso o casal
tem a responsabilidade de proteger seu relacionamento e desenvolver sua
amizade a qualquer custo. Intimidade no casamento tem que ser cultivada.
No namoro e noivado, a terra está preparada enquanto crescemos
no entendimento mútuo e auto-sacrifício. No dia do nosso
casamento, as sementes são plantadas no jardim. O relacionamento
tem que ser trabalhado, cultivado: precisamos capinar, arrancando as pragas
de egoísmo, ativismo e preguiça que ameaçam estrangular
as plantas pequenas. Precisamos molhar as plantas, dar nutrição
para elas, junto com o calor do sol e bastante espaço para crescer.
Assim precisamos crescer como um casal, cultivando nosso relacionamento
como melhores amigos, compartilhando as alegrias e as tristezas de vida
a dois, gastando tempo em qualidade e quantidade juntos. Precisamos erguer
cercas ao redor do nosso relacionamento, que não admitem terceiros
no nosso jardim, sejam amigos, parentes, trabalho, ministério,
ou, no pior dos casos, concorrentes. Todos estes matam o jardim, e destroem
a amizade conjugal.
Desenvolvendo
o Ministério "Marido/Esposa"
A instituição
do casamento no Jardim do Éden deixa claro que Deus tencionou que
a amizade/intimidade conjugal se desenvolvesse através do ministério
mútuo entre marido e esposa (veja Gn. 2:18-24). Uma vez casados,
o ministério marido/esposa toma precedência sobre todos os
outros ministérios. Este foi o plano original de Deus, e continua
assim no Novo Testamento (1 Tm. 3:4,5, 12; 1 Co. 7:32,33). Alistamos algumas
implicações deste princípio:
*O casal deve servir um ao outro, completando e não competindo
*A nossa tendência é de nos casar com alguém oposto
de nós. Devemos apreciar as diferenças, e não tentar
criar nosso cônjuge na nossa própria imagem!
*Ministramos cada um para o outro conforme o padrão bíblico,
maridos amando sacrificialmente suas esposas como o "líder-servo"do
lar; esposas respeitando e apoiando seus maridos através de um
espírito manso e de submissão voluntária (Ef. :25-32,
Pr. 31:10-31, 1 Pd. 3:1-7)
*O ministério marido/esposa baseia-se na definição
de amor bíblico, que sempre visa o bem-estar do outro e não
de si mesmo. A seguinte paráfrase "amigável" de
1 Co. 13 serve como prova para ver se realmente estamos desenvolvendo
um ministério de amor e amizade no casamento:
O amigo é
paciente, é benigno;
o amigo não arde com ciúmes, não se ufana, não
se ensoberbece,
o amigo não se conduz inconvenientemente, não procura os
seus interesses,
não se exaspera, não se ressente do mal;
o amigo não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com
a verdade;
o amigo tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta
Crescendo em Amizade
Conjugal: Idéias Práticas
Como podemos verter
o quadro e renovar nossa amizade conjugal?
A seguir, algumas sugestões práticas:
*Desenvolver um hobby juntos:
*Desenvolver um ministério juntos:
Cultinho Ministério com Casais
Classe EBD Núcleo de estudo bíblico
*Estabelecer alvos conjugais/familiares
*Fazer Exercício juntos (andar, correr, jogar tênis, etc.)
*Passear (no shopping, parque, etc.)
*Fazer compras
*Fazer leitura juntos
*Sair para um retiro de casais; marcar saídas ocasionais só
vocês dois
Graças a Deus
há esperança para casais como Marcos e Valéria. Nunca
é tarde demais renovar uma amizade.
Basta crer e investir no seu melhor amigo, seu cônjuge. É
a melhor maneira de reconquistar seu primeiro amor.
Pr. Davi Merkh
está casado com sua esposa Carol a 22 anos e têm 6 filhos. Leciona no Seminário Bíblico Palavra da Vida, ministra como pastor auxiliar de exposição bíblica na Primeira Igreja Batista de Atibaia, e é autor de 14 livros com temas voltados para ministério criativo e o lar cristão pelas Editoras Hagnos e Atos.
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