"Como que entramos nesta?" perguntou o jovem casal sentado no
gabinete do Pastor Waldemar. "Não temos mais conversa não
importa qual o assunto, volta e meia estamos discutindo sobre finanças!
Mesmo a nossa vida íntima já era. Há esperança
para nós, pastor?..."
Jairo e Marlene realmente se amavam. Mas estavam a ponto de se separarem
depois de menos de três anos de casamento. Como tantos outros casais,
foram "prisioneiros de guerra" dos seus próprios impulsos
de "pegar agora, pagar depois." Sua desordem financeira se tornou
um verdadeiro "campo de concentração" que estava
torturando a vida do lar.
Será que há esperança para Jairo e Marlene, e para
tantos casais que se encontram na mesma situação? Graças
a Deus, a resposta é "SIM!" "Crise financeira"
não é novidade para Deus, que há muito tempo traçou
para Seu povo um plano econômico sábio, eqüilibrado, e
provado pela experiência de muitos. O verdadeiro "Plano Real",
encontra-se no livro de sabedoria, Provérbios. Mas prepare-se! Para
achar liberdade financeira, teremos que nos submeter a medidas radicais,
totalmente contrárias ao bombardeio materialista e secular dos nossos
dias.
Uma Estrategia
Dupla
Conforme Provérbios, para obtermos liberdade financeira, teremos
que declarar guerra contra as forças hostis que atacam o lar. Em
primeiro lugar, teremos que erguer uma defesa "ante-aérea"
contra o bombardeio de propaganda anti-bíblica da mídia.
Ao mesmo tempo, e mais importante ainda, teremos que desarmar a nossa
própria cobiça auto-destrutiva.
A Mídia. O primeiro ataque contra o lar vem da mídia. Só
quem não anda no mundo "real" consegue escapar ao efeito
dos mísseis lançados pela propaganda comercial: "Leve
agora, pague depois!" "Você merece o melhor!" "5
prestações suaves!" "Satisfação
garantida ou seu dinheiro de volta!" Estes lances já feriram
inúmeros lares. Outros foram destruídos pela dívida.
E aqueles que não são feridos ou mortos, acabam sendo levados
como prisioneiros de guerra, verdadeiros escravos da sua indisciplina
financeira.
Provérbios
diz, "O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é
servo do que empresta" (22:7).
Como nos defender contra estes mísseis materialistas da mídia?
Eis algumas sugestões práticas:
*Avaliar criticamente como família a propaganda e outros comerciais
que encontra "na praça". Fazer algumas perguntas chaves:
"É verdade?" "Realmente precisamos de __?"
"É o melhor produto no mercado?" "Estamos sendo
enganados?"
*Concordar em não fazer nenhuma compra acima de R$ __sem pelo menos
uma semana de reflexão, conversa, e oração juntos
*Decidir não fazer nenhuma compra sem primeiro comparar o mesmo
produto em pelo menos dois outros lugares
*Procurar produtos comuns ou genéricos, que muitas vezes custam
a metade da marca ou "grife" conhecido
*Evitar qualquer forma de dívida (veja abaixo)
A Cobiça. Não
fosse a natureza humana, cobiçosa e materialista, não haveria
nenhum problema com o bombardeio comercial da mídia. Talvez nem
existiria propagandas! O problema principal não está com
a mídia. Como um grande estrategista militar declarou, "Descobrimos
o inimigo, e ele é nós!" A natureza do homem leva-o
a desejar cada vez mais coisas, sem com elas ficar realmente satisfeito.
Provérbios diz, "O inferno e o abismo nunca se fartam, e os
olhos do homem nunca se satisfazem" (27:20). "Aquele que tem
olhos invejosos corre atrás das riquezas, mas não sabe que
há de vir sobre ele a penúria" (28:22).
A família cristã terá que erguer uma defesa quase
que impenetrável para não ser atingida por estes apelos
à sua natureza materialista. Algumas sugestões práticas
que constituem um "pacto pela defesa financeira familiar" incluem:
*Estabelecer um orçamento
familiar que identifica as saídas mensais, e que permite compras
especiais ocasionais e planejadas (Pv. 21:5). Sugerimos que a família
analise todos os seus gastos durante 3 meses, para descobrir os "furos
no saco" do orçamento familiar.
*Evitar toda e qualquer forma de dívida (Pv. 22:7). Isso inclui
o uso de cartões de crédito, participação
em alguns consórcios, fiança (cf. Pv. 22:26, 27), e negócios
especulativos (cf. Pv. 28:20, 12:11, 13:11), Decidir como família
viver com aquilo que Deus já providenciou, não o que espera
ganhar. (Às vezes é difícil discernir entre "fé"
e "presunção"; basta dizer que a fé crê
que Deus é capaz de satisfazer a família com aquilo que
tem, não com o que deseja adquirir.)
*Evitar pagamentos parcelados, em prestações, com ou sem
juros. Mesmo as prestações sem juros têm seu preço.
Provavelmente você conseguirá o mesmo produto mais barato
em outro lugar pagando "à vista". Quem paga é
o consumidor.
*Cultivar uma atmosfera no lar de gratidão e contentamento pelo
que tem, através do culto doméstico. Promover cultos de
consagração quando Deus supre uma necessidade ou permite
uma compra especial. Desenvolver alvos missionários como família
visando ministrar e/ou dar para pessoas mais carentes, e visitar estas
pessoas (Pv. 3:9,10; 11:24, 26; 19:17). Uma dose sadia da "realidade"
em que muitos vivem fará muito para diluir a sua cobiça!
Conclusão
O remédio prescrito pelo Pastor Waldemar para Jairo e Marlene foi
radical mas foi a melhor maneira de salvar o casamento: destruir os cartões
de crédito, fazer um orçamento "vaca magra", vender
suas posses "supérfluas", e aplicar cada centavo que
sobrava na redução da dívida familiar. Além
disso precisavam mudar seus hábitos de consumo. Mas o resultado
valeu a pena. Depois de dois anos o casal havia derrotado o inimigo da
desordem financeira. Pela primeira vez no seu casamento, experimentava
a liberdade de não serem "prisioneiros de dívida".
Inclusive, já haviam encomendado um bebê à vista,
é claro!
Pr. Davi Merkh
está casado com sua esposa Carol a 22 anos e têm 6 filhos. Leciona no Seminário Bíblico Palavra da Vida, ministra como pastor auxiliar de exposição bíblica na Primeira Igreja Batista de Atibaia, e é autor de 14 livros com temas voltados para ministério criativo e o lar cristão pelas Editoras Hagnos e Atos.
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