Brasil: Campeão do Mundo... Em Missões??


Enquanto assistíamos um dos jogos da Copa, um dos nossos filhos nos perguntou, "Deus está torcendo por algum time na Copa?"
Foi uma boa pergunta. Será que Deus torce por algum time? Todas as seleções provavelmente pensam, ou esperam, que Deus vista a camisa deles. Por qual time Deus torce?
Hoje, ainda sentindo o gosto da vitória, até nos parece que Deus veste verde e amarelo. Nosso ânimo é grande por causa da vitória... uma euforia que no máximo durará mais 4 anos. É legal, é importante, é gostoso! Sentimos orgulho de sermos o melhor do mundo, agora muito acima de qualquer dúvida, no futebol.
Mas será que o Brasil pode ser campeão do mundo num sentido maior e melhor? Não estou falando de exportação de gado, café, cano de açúcar, laranja, frutas e ferro. Mas algo bem maior. A exportação do Evangelho. Será que podemos vestir a camisa de Deus, em vez de esperar que Ele vista a nossa? Se eu tivesse que descrever em uma palavra a paixão de Deus, a camisa que Ele veste, diria a palavra "MISSÕES".
Neste momento em que nossas emoções futebolísticas são tão fortes, gostaria de voltar nossa atenção para um campeonato muito maior, um campeonato que gostaria de chamar "A Copa de Missões". Gostaria que um pouco da nossa euforia fosse direcionada como Deus deseja. Gostaria que aceitássemos o desafio de que o Brasil seja, se Deus assim permitir, o Campeão da Copa de Missões Mundiais-ou que pelo menos fique entre os semifinalistas.
No Brasil certamente não faltam "jogadores" de categoria para formar uma Seleção para disputar esta "Copa". Porém, como todos sabem, não basta o time ser formado por bons jogadores. A presença de um bom técnico para dirigir a Seleção é indispensável. Graças a Deus a Seleção Brasileira de Missionários já conta com a presença do melhor técnico em Missões: o Senhor Jesus.
Como todo bom técnico, Ele mesmo já entrou em campo e saiu vitorioso ao terceiro dia com a "taça" nas mãos. Em Mateus 9.35-36 podemos descobrir quais foram suas estratégias para alcançar esta vitória, e são as mesmas que Ele dá à Seleção Brasileira de Missionários (SBM) para que ela também se torne uma campeã.
I. Para a SBM ser Campeã de Missões precisa compadecer-se dos povos sem pastor (Mt 9:36)
Jesus vivia em torno de pessoas. Jesus veio a este mundo por causa de pessoas. Jesus via pessoas-não números, não $$. Em Mateus Ele é apresentado como Rei... não um Rei distante, mas próximo, um Rei que tem genealogias como a gente, um Rei que nasceu humilde, que foi sujeito à tentação como nós, que identificou-se conosco no batismo, que era humilde e manso de coração... Quando chegamos aos capítulos 8 e 9, depois do longo discurso conhecido como Sermão do Monte, o ritmo do ministério de Jesus acelera. Ora está tocando no leproso imundo, tornando-o puro e limpo; ora cura o escravo de um soldado romano odiado, curando a sogra de Pedro, um paralítico, abraçando um publicano (político corrupto), sarando a mulher com fluxo de sangue, ressuscitando a filha de Jairo, curando dois cegos, um mudo... ondas e ondas de pessoas como ovelhas sem esperança, sem apoio, sem suporte, sem aonde recorrer, com tantas necessidades. Agora acontece uma transição no ministério de Jesus. Ele volta sua atenção para a continuidade do seu trabalho, que requeria dEle o discipulado e preparo de obreiros para o ministério de multiplicação. Isso porque Jesus sabia que, sozinho, nunca iria alcançar as massas, visto que seu ministério terreno seria tão curto.
Porém, Mateus nos mostra que quase não sobrava tempo para Jesus preparar seus discípulos para esta obra, pois Ele era muito procurado o tempo todo. Essa é uma das realidades duras do ministério, todo mundo parece querer "sugar" quem está pregando o evangelho! As vezes o ministro do Evangelho se sente como o paciente no hospital; os enfermeiros passam a cada instante com uma seringa em mãos e lhe sugam seu sangue. Se não nos cuidarmos, chegamos ao ponto de nos ressentirmos das pessoas, de ficarmos cínicos e céticos ao ponto de evitar as pessoas. Claro que também precisamos de tempo a sós e com o Senhor para "reabastecermos o tanque". Mas nunca podemos perder a compaixão pelos povos!
Mateus nos diz que Jesus se compadeceu ao ver as multidões. A palavra "compadeceu-se" vem de uma palavra relacionada com as entranhas de uma pessoa. Jesus ficou comovido, movido, incomodado com a situação de tantas e tantas pessoas ao seu redor. Jesus não poderia alcançar a todos porque seu ministério terreno era curto. Por isso nos chamou. Por isso colocou a sua própria vida em nós, para que nós pudéssemos atingir as multidões. Quanta compaixão devemos mostrar!
A época da Copa do Mundo nos ofereceu a oportunidade de vermos o mundo como Jesus viu aquelas pessoas na Galiléia. Que oportunidade fantástica para renovar nosso compromisso para com a seara do Senhor! Durante um mês inteiro assistimos de forma nítida as diferenças entre raças e nações, povos e tribos, todos amados por Deus, todos comprados pelo sangue de Seu Filho. Suecos e Senegaleses. Mexicanos e ingleses. Coreanos e Paraguaios. Dinamarqueses e Nigerianos. Não pudemos assistir a Copa do Mundo sem voltar nossos pensamentos para missões, esse mundo que Deus tanto ama, e nossa responsabilidade nele!
Mas não precisamos esperar a Copa de 2006 para ver o mundo. É só andar no metrô, passear nas ruas das grandes cidades, entrar nas Rodoviárias para ver um mundo diverso, cheio de ovelhas que não têm pastor. Em meio as multidões, Jesus via pessoas!
II. Para a SBM ser Campeã de Missões precisa considerar a necessidade de obreiros. (Mt 9:37)
A seara (colheita) é grande, disse Jesus. De fato, para termos uma pequena idéia desta grandeza, se toda a população do mundo se resumisse a apenas 26 pessoas, elas seriam: 2 budistas, 4 hindus, 5 muçulmanos, 8 ateus, 4 católicos e apenas 3 protestantes. As estatísticas nos informam que a cada 10 minutos morrem 26 pessoas. A população do Mundo cresce numa velocidade espantosa, desde 1960 até 2000 ela dobrou de 3 para 6 bilhões de pessoas. Há 482 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, e 20 com mais de 10 milhões. Não é só número alto que desafia, mas há também o fato de que existem 12.000 grupos etno-linguisticos dentro das nações do mundo, e muitos ainda não têm nenhum testemunho evangélico. Há entre 7000 e 13.000 línguas, e talvez 30.000 dialetos distintos no mundo. Mas depois de 2000 anos de cristianismo, somente 383 línguas têm a Bíblia inteira, com mais 987 Novo Testamentos. 60% das línguas do mundo não tem nenhuma porção das Escrituras em sua própria língua (embora 91% das pessoas no mundo tem uma parte da Palavra acessível em sua própria língua).
Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: Erguei os vossos olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa. O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para vida eterna. E, destarte, se alegram, tanto o semeador como o ceifeiro. João 4:35, 36.
Os trabalhadores são poucos, também observou Jesus. Hoje 201.928 missionários estão pelo mundo inteiro: 104.196 em seu próprio país, 58.357 numa cultura próxima; somente 97.732 servem num país estrangeiro, levando o Evangelho aos confins da terra. Existe um missionário no mundo para cada 30.032 pessoas! Obviamente, isso não inclui pastores locais nacionais, mas se metade do mundo ainda não foi alcançada pelo Evangelho, seria 15.000 pessoas para cada missionário, ou seja, se você evangelizasse uma pessoa por dia, 365 dias por anos, demoraria 41 anos para uma pessoa alcançar sua "cota" missionária!
Por causa da falta de obreiros, aqui mesmo no Brasil podemos constatar alguns tristes acontecimentos. No Nordeste do País a carência do Evangelho é tão ruim ou pior que Índia, mais de 80 milhões de pessoas vivem na miséria onde menos de 3 ou até 1% conhece Jesus. No Rio Grande do Sul aflora o espiritismo onde menos de 3% da população é evangélica. Constam centenas de cidades no Brasil com menos de 1% da população convertido. Ainda existem mais de cem tribos indígenas sem nenhuma presença missionária, sem nenhum crente.
Estes são apenas alguns exemplos do que está ocorrendo bem diante de nossos olhos por falta de obreiros. Com certeza Deus quer que a SBM entre e continue em campo. Essa é a camisa que Deus veste. Esse é o time que Ele torce. Essa é a paixão dEle.
III. Para a SBM ser Campeã de Missões precisa Clamar ao Senhor da seara por mais obreiros! (Mt 9:38)
Última estratégia de jogo: Clamar por mais obreiros!
Estranha a conclusão de Jesus! Pede para eles orarem. Pedirem. Mais nada. Certamente não seria a nossa atitude diante de tamanha necessidade Eu teria falado, "Vamos, gente. Tem uma necessidade aqui. Vamos fazer uma campanha. Vamos recrutar gente. Vamos fazer um concurso. Vamos dar brindes para quem deseja ser missionário.. Vamos chamar alguns missionários famosos, ou atletas profissionais, ou talvez algum canibal alcançado pelo Evangelho. Vamos fazer a coisa acontecer!"
Jesus fala, "Peça. Ore. Clame. Rogue." Mostre seu interesse pelo mundo nos seus joelhos. Mas cuide-se. Essa oração pode ser perigosa para sua carteira . . . e seus filhos! Isso porque Jesus sabia que a oração sincera pelo mundo iria mudar não somente a minha vida, mas a vida daqueles ao meu redor.
Em Mt 10:1,5 percebemos que os que oraram, foram!
O papai que realmente se compadece do mundo, que considera a necessidade de obreiros e que clama a Deus, vai colocar a vida de seus filhos no altar de Deus. A mamãe que faz essa oração vai almejar que seus filhos façam parte da resposta. A família que ora assim terá não somente seus olhos mas sua conta bancária fixada nos confins da terra. O mundo verá nossa paixão. Contribuir para a expansão do Reino é nossa alegria. Enviar nossos próprios filhos, é a nossa maior honra.
Obviamente não estamos numa competição para ganhar almas. Não existe um prêmio especial se a SBM for a "campeã". Mas a idéia é que a quem muito foi dado, muito também será pedido. O Brasil está tomando seu devido lugar como celeiro de missões mundiais. Para isso, temos que reconhecer que vivemos em dias estratégicos, e colocar toda nossa força em prol dessa tarefa. Se não for o Brasil, quem será? Creio que o Brasil está posicionado estrategicamente para ser, se não campeão do mundo em missões, pelo menos no jogo final... com Coréia do Sul.
Vejamos porque penso isto: o Brasil é o 5o maior país no mundo, a 11a maior economia do mundo, sua população é jovem (63% da população tem menos de 29 anos), tem acesso livre em quase todos os países do mundo (o brasileiro é aceito por todos!), e o brasileiro se adapta facilmente às realidades novas (o famoso jeitão brasileiro).
Agora observe estes países:
*Inglaterra *Brasil *Senegal *Turquia *Alemanha
*EUA *Espanha *Coréia
Desses, Inglaterra, Brasil, Alemanha, EUA e Coréia são os líderes mundiais de movimentos missionários, e todos estiveram disputando a Copa 2002. Mas veja como ficaria a colocação deles se houvesse uma Copa de Missões:
O Brasil está em quarto lugar, mas o primeiro e terceiro, EUA e Inglaterra, estão perdendo missionários mais rápido que estão indo ao campo. Inglaterra tem somente um missionário protestante para cada 6 igrejas!
Nossa alegria pela vitória na Copa é merecida. Mas Brasil como PENTA significa que o país mais uma vez ficará nas luzes, os brasileiros cada vez mais respeitados e aceitos ao redor do mundo. Pode ser mais um passo em direção ao campeonato mundial de missões! A vitória aponta para uma alegria muito maior e melhor. A alegria de ficar entre os países escolhidos por Deus para levar o Evangelho até as últimas fronteiras.
Temos uma convocação! A convocação de vestir a camisa de Deus e sentir sua paixão pelos povos do mundo que são como ovelhas sem pastor. De considerar a injustiça de bilhões de pessoas na seara do Senhor, com pouquíssimas pessoas participando da colheita. De clamar a Deus que envie a nós, nossos filhos, e nosso dinheiro até aos confins da Terra.
Brasil, aceite a convocação do técnico Jesus e prepare sua Seleção Brasileira de Missionários para entrar em campo!!
Pr. Davi Merkh
está casado com sua esposa Carol a 22 anos e têm 6 filhos. Leciona no Seminário Bíblico Palavra da Vida, ministra como pastor auxiliar de exposição bíblica na Primeira Igreja Batista de Atibaia, e é autor de 14 livros com temas voltados para ministério criativo e o lar cristão pelas Editoras Hagnos e Atos.
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