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4 Entre Tantas
Os adolescentes costumam fazer, ao menos, quatro perguntas sobre a vida:

- QUEM SOU EU?
Subentende-se uma luta relacionada à identidade. Até os dez, doze anos, a vida é relativamente simples. Vão à escola que os pais escolhem, freqüentam a igreja deles, moram com eles, usam as roupas que eles compram e praticam outras atividades, também por eles selecionadas.

Com o passar do tempo, porém, esses jovens percebem que nem toda família vive como a sua. Por exemplo, descobrem que outros fazem coisas diferentes aos domingos. Ao invés de irem à igreja, vão a outros lugares. Inicia-se, então, o questionamento: Por que isso ou aquilo?

Às vezes, em sua busca por identidade, surgem para o adolescente sentimentos como medo, insegurança, ansiedade e, inconscientemente, ele gostaria de voltar à proteção do ventre materno.

É um período difícil, onde odeiam ter corpo de adulto e mente e a maturidade de criança. Não costumam falar sobre essas batalhas, mas os pais devem ser perspicazes e identificá-las. A segunda indagação nessa fase tão indefinida é:

- QUE ATITUDES DEVO TOMAR?
Esta é uma luta relacionada à responsabilidade. Se você convive com adolescentes, deve ter notado como é complicado para eles assumirem uma atitude positiva diante de certas circunstâncias e situações. Como reagem frente a uma contrariedade? E, quando são obrigados a acatar uma ordem paterna?

Até pouco tempo tudo lhes era definido pelos pais, no entanto agora, questionando a tudo e a todos, procuram posicionar-se por conta própria "nos assuntos da vida". É por isso que os amigos da mesma faixa etária exercem maior influência sobre eles do que os pais, parentes, conselheiros, etc...

Enquanto lutam para ser responsáveis, reivindicam liberdade e autonomia de adultos, não estão certos se querem chamar sobre si todos os duros encargos que isso encerra, ou seja: - Querem ter carro? Sim! Pagar gasolina? Não!

- Querem ter roupa bonita, da moda? Sim! Pagar a conta da loja? Não!

Sempre tentei "trabalhar" com minhas filhas baseado em responsabilidades e privilégios. À medida que eram responsáveis obtinham privilégios, mas o oposto também acontecia. No entanto, confesso que várias vezes, traído por meu "coração mole", fui indulgente em relação aos privilégios.

- QUAIS AUTORIDADES DEVO RESPEITAR?
É uma luta relacionada à autoridade. O que mais dificulta a decisão do adolescente sobre se deve ou não respeitar as autoridades é a crise de credibilidade que elas atravessam. À respeito, cito três autoridades que estão sobre eles: governantes, líderes da igreja, pais.

Qualquer pessoa ao ligar a TV ou ler os jornais, percebe que o país ainda está passando por crises. Greve para tudo quanto é lado, violência, fraudes na previdência, etc. Piadas são feitas, charges são publicadas e o adolescente pergunta: "Que tipo de pessoas são estas?".

Também a liderança da igreja é atingida. O jovem descobre que o pastor abandonou a esposa e a família para fugir com uma das jovens da mocidade, ou então, desviou verba da construção do templo para proveito próprio. Diante disso ele pergunta: - A esses homens devo respeito e consideração?

E o que dizer sobre os pais? Quando não assistem suas brigas, vivem sob incoerência, desamor, desrespeito, desconsideração. O adolescente fica confuso para decidir se deve obedecer seus pais ou não.

Em vista dessas coisas, deve causar-nos admiração que os jovens tenham a tendência de questionar e rejeitar autoridades?

- QUAL SERÁ MINHA MANEIRA DE VIVER?
Esta é uma luta relacionada ao tipo de vida. Ouço muito a seguinte frase, vinda de adolescentes: "Até entendo o modo de agir, a maneira de viver de meus pais, mas não sei se aceito ou não."

Além disso, esses adolescentes têm ao seu redor diversas pessoas com padrões de vida diferente dos de sua casa, então, que postura adotar? As quatro perguntas acima citadas costumam ser as mais prementes entre os adolescentes. Os pais devem estar sensíveis e prontos para ouvi-las e respondê-las, antes que procurem suas respostas longe da família.



JAIME KEMP é doutor em ministério familiar e diretor da Sociedade Religiosa Lar Cristão. Foi missionário da Sepal por 31 anos e fundador da missão Vencedores Por Cristo. É palestrante internacional e autor de 39 livros. Casado com Judith Kemp é pai de três filhas e avô de dois meninos.


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