23 de Setembro de 2005


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Os frutos da Terra
Por Silvio Fernando

Cia. Fraternal encena trilogia de peça populares no Centro Cultural SP
“ Eles vêm a cidade em busca de sol e laranjas(...) mas depois percebem que as laranjas não são suficientes e só lhes resta morrer”. A frase ácida como uma laranja-pêra, encontra-se presente num dos romances mais curtos que Os Estados Unidos produziu, O Dia do Gafanhoto de Nathanael West.

Entre outras coisas, o romance trata de pessoas magnetizadas pelo glamour do cinema, tipos humanos que trocam a falta de cor em sua vida cotidiana pelo preto-e-branco acetinado das telas, gente como essa, frutos arrancados da árvore, Hollywood produziu e utilizou aos montes. E lhes deu menos do que laranjas em troca.

Borandá, peça de Luis Alberto de Abreu, vencedora do Prêmio Shell de 2003, também trata de pessoas atraídas pelo sonho de uma vida rosada e que ao abandonarem o meio rural onde viviam, acabam logradas em seus intentos. Mas ao invés do sarcasmo alvejante de West, o autor prefere usar de lirismo e ternura ao lidar em cena com estes frutos da terra.

Elaborada a partir dos depoimentos de migrantes de diferentes partes do País, a obra teatral divide-se em três partes; cada uma narrada por um personagem. Nas duas primeiras, o humor leve do dramaturgo focaliza a exclusão social, a falta e a perda da identidade do migrante tanto em seu lugar de origem quanto em seu destino final (São Paulo). O terceiro episódio com carga dramática mais intensa, trata da vida de Maria Déia (Mirtes Nogueira) migrante que passa por um processo de alienação e enlouquecimento na cidade grande.

Com direção de Ednaldo Freire e trilha sonora assinada por Kalau, Borandá integra a mostra da Cia. Fraternal de Artes e Malas-Artes ao lado de Eh, Turtuvia! e Auto da Paixão e da Alegria em cartaz no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000). Até 2 de Outubro.

HORÁRIOS

Borandá: Terças e sextas-feiras ás 21h00
Eh, Turtuvia! Quartas e Sábados ás 21h00
Auto da Paixão e Alegria Quintas (21h00) e Domingos (20h00)- Sala Jardel Filho