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Segundo turno: em quem os evangélicos vão votar?
O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me conferiu a unção para anunciar a boa nova aos pobres...
Os evangélicos foram divididos às urnas. Mas como será no segundo turno? Será que podem existir condições de união política ao redor de um candidato? E difícil, pois, segundo o sociólogo evangélico Paul Freston [Ultimato, setembro-outubro de 2002], "o estado natural da comunidade evangélica é o pluralismo político".
A campanha eleitoral mostrou uma mudança significativa no espectro evangélico. Um amplo setor dos evangélicos girou à esquerda, através da aliança do Partido Liberal com o Partido dos Trabalhadores. E outro setor também girou à esquerda, mas mantendo uma postura ética conservadora, através do apoio à candidatura do ex-governador Anthony Garotinho.
Segundo Paul Freston, "nos últimos anos, quase todas as igrejas entraram em peso na área social, embora em alguns casos esse esforço seja mais consciente do que em outros". Essa atuação seria a grande responsável pelas "mudanças a médio prazo, uma das quais é a maior abertura para pensar a necessidade de transformações políticas".
Mas há outra questão que deve ser analisada. O voto evangélico em Garotinho, se tem um conteúdo social à esquerda, tem um conteúdo ético conservador, que se traduz em temor de que o Partido dos Trabalhadores venha a defender nacionalmente propostas como a união civil de homossexuais e a legalização do aborto, entre outras.
Isso, tendencialmente, pode indicar uma migração de parte dos votos evangélicos, dados a Garotinho, em direção a José Serra, apesar da intenção de Garotinho em apoiar Luís Inácio Lula da Silva.
Assim, tanto Serra como Lula, para ganhar o voto evangélico, terão não somente que defender transformações políticas que diminuam as desigualdades sociais, mas também apresentar posturas éticas que se posicionem a favor da integridade da família e da defesa da vida. Vão precisar equilibrar questão social e ética.
Quem assim fizer, de forma clara e convincente, falará aos corações evangélicos. O que, em termos de votos, não é pouco. O DataFolha, em pesquisa anterior às eleições, constatou que Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), tinha 31% das intenções de voto entre os evangélicos, e Anthony Garotinho, candidato pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), tinha 35% das intenções de voto entre os evangélicos.
A soma dos dois candidatos alcançou 66% das intenções de voto dos evangélicos, dois terços do eleitorado evangélico. Sem dúvida, essa é uma novidade no meio evangélico, que para Paul Freston traduz a realidade de que "os partidos de esquerda passaram a entender melhor o fenômeno evangélico, fazendo enfraquecer os preconceitos".
Será mesmo? Vamos ver como as coisas se desenrolam neste segundo turno.
... Enviou-me para proclamar aos cativos a libertação e aos cegos a recuperação da vista, para despedir os oprimidos em liberdade, para proclamar um ano de acolhimento da parte do Senhor. Lucas 4.18-19.
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