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Imago Dei e sexualidade
O que está em discussão aqui é uma questão teológica: quem nós somos? Qual é o nosso destino? Por isso, ao falar de sexualidade somos obrigados a falar daquilo que somos, imagem de Deus.
1. A partir da antropologia bíblica podemos ver que em primeiro lugar o homem é fruto de uma intervenção de Deus. Há uma concessão de encargo que diferencia o homem do resto da criação. Ele é apresentado como um momento sublime, especial, como um ser que coroa toda a ação criadora de Deus (Sl 8.6). Ele recebe responsabilidade (Gênesis 2.15-17) e poder de decisão (2.18-23).
2. Deus deixa clara sua decisão de criar um ser pessoal, segundo sua imagem. Tal ser deverá ter uma relação especial com o restante da criação (1.26). Deus cria e entrega ao homem sua criação. Este ser pessoal deverá estar sobre ela, numa relação de trabalho, produção e administração (2.15,16,19). O homem relaciona-se com a criação e através do uso e de suas descobertas em relação a ela, mantém uma permanente relação com Deus.
3. A imagem de Deus é traduzida na relação que mantém com as criaturas, já que é uma relação de domínio. Ele reina sobre o universo produzido pelo poder criador de Deus. Mas aqui há um detalhe sutil: este direito de domínio não lhe é próprio, ele reina enquanto imagem de Deus. Ele não é proprietário, nem tem autonomia irrestrita sobre a criação.
4. Imago Dei traduz também abertura à transcendência. Aqui estão dados os elementos que nos permitem entender porque faz parte da humanidade o abrir-se à transcendência e viver com ela. Há um deslumbramento permanente diante do absoluto, do sobrenatural e do mistério. Estamos diante de um ser que pode pensar o que não está aqui e agora, e que pode refletir sobre o que vai além da realidade factual.
E é por poder pensar tais realidades que não podem ser vistas, que o ser humano enquanto imagem de Deus pode refletir sobre a eternidade e relacionar-se com o transcendente. Assim, ao ser feito imago Dei, o próprio Deus transfere à humanidade a capacidade de relacionar-se com Ele.
5. Adão é humanidade. Esse ser humano de que fala Gênesis 1.26, que deve ser uma imagem de Deus, não é uma pessoa em particular, pois a continuação do texto fala que eles dominem. Assim, estamos diante da criação da humanidade e o domínio do universo não é dado a uma pessoa, mas a comunidade dos homens. Ninguém pode ser excluído da autoridade de domínio dada por Deus à humanidade.
6. Em Gênesis 1.27 temos uma outra característica fundamental dessa mesma humanidade: ela é formada por homens e mulheres. Para alguns teólogos, como Karl Barth, tal explicação de Gênesis 1.27b, de uma humanidade formada por dois sexos, é apresentada por Deus "quase à maneira de definição".
Logicamente, há uma intenção para que o texto bíblico aprofunde-se em tais minúcias. É a de apresentar como o universo criado deveria ser administrado: através da convivência de seres que se completam e se amam. Ou seja, esse ser plural só poderia exercer o domínio através da comunidade, completando-se como homem e mulher.
Então, para onde aponta o domínio? Se toda a criação de Deus é o mundo do homem, há a total desmitologização da natureza. Não há astros divinos, terra divina, nem animais divinos. Todo o universo pode tornar-se o ambiente do homem, seu espaço, que ele pode adaptar às suas necessidades e administrar. E como ele consegue isso?
7. Através da cultura, enquanto processo social e objetivo de sujeição da natureza, e através da necessidade de expansão e domínio, pessoal e subjetivo, que é peculiar a todo homem e mulher livres.
Mas a cultura não está isenta do pecado humano. Produz distorções e uma delas é a própria negação do ser humano enquanto imagem de Deus.
Assim, o afastamento de Deus fez com que a humanidade perdesse sua capacidade de ser imago Dei viva e eficaz. Seu caráter inicial está distorcido e o mal perpassa todas suas ações.
O ser humano negou aquilo que é, lançou-se ao domínio de seus iguais, inclusive através do derramamento de sangue; suprimiu o equilíbrio e a mútua complementaridade entre homem e mulher; mitificou a ciência e técnica; e lançou-se à destruição da própria natureza.
Tendência cultural
Deus criou a humanidade. Macho e fêmea criou. Homem e mulher possuem órgãos sexuais apropriados à reprodução. Deus não criou um ser humano hermafrodita. E quando uma criança ao nascer apresenta características hermafroditas, consideramos isso um problema genético.
Deus não criou um ser humano com possibilidades sexuais múltiplas, de desempenhar dois papéis no ato sexual, ser homem e ser mulher.
A homossexualidade não é uma doença, pode ter muitas causas, mas sem dúvida a liberdade de escolha, o exercício da vontade, sempre está presente na opção pela homossexualidade.
Se um homem advoga para si postura sexual feminina, ou se uma mulher assume funções masculinas em sua vida estão fazendo uso indevido de sua liberdade de escolha, já que Deus nos criou para uma relação de complementaridade, heterossexual.
Não estamos negando a existência do homossexualismo como tendência cultural amplamente favorecida por nossa sociedade. Mas o que queremos dizer é que nem tudo que a sociedade aprova e favorece é o melhor para nós.
Uma coisa deve ser deixada clara nesta discussão: nenhum ser humano deve ser discriminado por suas posturas sexuais. Devemos amá-lo e acolhê-lo, mas não esconder dele a Palavra de Deus, que faz de nós novas criaturas.
Cristo é "a verdadeira imagem do Deus invisível" (Cl 1.15 cf. 2Co 4.4) e a Ele cabe fazer aquilo que à humanidade tornou-se impossível. "Foi-me dado todo o poder no céu e na terra, por isso, indo, fazei discípulos em todas as nações..." (Mt 28.18ss.).
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