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As artes de Frida Kahlo
Vai e goza a vida com a mulher que tu amas,
pois isso é tudo o que você vai receber
pelos seus trabalhos nesta vida dura que Deus lhe deu.
Palavras do pregador
Diego Rivera e Frida Kahlo foram pintores, comunistas e apaixonados. "O pensamento está na ponta de suas mãos, nos olhares. Eles vivem em seus corpos, como numa dança, num ato sexual, e se projetam em seus quadros". É assim que o autor J. M. G. Le Clézio descreve os amantes no livro "Diego y Frida, una gran historia de amor en tiempos de la revolución", edição espanhola de maio de 1994.
A pintora mexicana e sua arte viraram cinema na produção estrelada e produzida pela atriz mexicana Salma Hayek. O papel de Diego Rivera ficou a cargo de Alfred Molina. A direção é de Julie Taymor e do elenco participaram ainda Geoffrey Rush, Antonio Banderas, Ashley Judd e Edward Norton. O filme ganhou dois Oscars. A canção dos créditos finais, "Burn It Blue" é executada por Caetano Veloso e pela cantora mexicana Lila Downs.
Atípica para a sua época, Frida foi não apenas pintora, mas uma das mais incríveis personalidades do século passado. Nascida em 6 de junho de 1907, viveu de forma intensa até 13 de julho de 1954, quando morreu deixando não apenas os seus quadros de trágica beleza, mas idéias avançadas para a época.
Frida nasceu em 1907 no México, mas filha da revolução, dizia que nascera junto com a revolução mexicana, em 1910. Teve uma vida marcada por tragédias. Aos seis anos contraiu pólio, o que a deixou coxa e a levou a ter um apelido que muito a magoava: Frida perna de pau...
Anos mais tarde, quando já havia superado a doença, o ônibus em que viajava chocou-se contra um bonde. Sofreu múltiplas fraturas e uma barra de ferro atravessou-a, entrando pela bacia e saindo pela vagina. Por causa do acidente fez várias cirurgias e ficou muito tempo presa à cama.
Começou a pintar durante a convalescença, quando a mãe pendurou um espelho no teto.
"Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor".
Pintou os medos e o amor por Diego, o marido. Produziu uma arte íntegra e, em toda a vida, não aceitou nada que limitasse sua liberdade. Pintar significou declarar amor por Diego, o sofrimento desse amor, o limite terrestre e a crença na eternidade do amor. Escreveu em seu diário:
"Diego-principio
Diego-constructor
Diego-mi niño
Diego-pintor
Diego-mi padre
Diego-mi hijo
Diego-mi amante
Diego-mi esposo
Diego-mi amigo
Diego-mi madre
Diego-yo
Diego-universo
Diversidad en
la unidad.
Por qué le llamo
mi Diego?
Nunca fue ni
será mío.
Es de él
mismo."
Frida se tornou membro do Partido Comunista Mexicano em 1928. Alguns de seus quadros, como o auto-retrato com Stálin, revelam a fé no comunismo. Foi nessa época que conheceu Diego Rivera.
Apaixonaram-se e se casaram no ano seguinte. Há quem afirme que foi um casamento meio por amor, meio por ser Diego alguém que a compreendia.
Diego tinha muitas amantes e Frida, por mágoa ou opção, teve alguns. Um desses amantes de Frida foi o revolucionário russo León Trotsky, quando do exílio no México.
Frida pintou, em 1926, o auto-retrato com Vestido de Veludo, o primeiro trabalho sério de sua vida e que deixava entrever o interesse pela pintura renascentista italiana. Nele, ela retratou o seu pescoço de forma alongada, ao estilo de Amedeo Modigliani, numa pose aristocrática e algo melancólica.
A partir desse momento, seus trabalhos passaram a evidenciar não apenas anseios profundos, como sentimentos ambíguos e a realidade de suas crenças.
"Pensaram que eu era um surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintei a minha própria realidade".
Ao final da vida, como na juventude, a revolução voltou a ter força para o marido Diego. Ele retomou o caminho da sua arte, imperioso, sensual, que escapa a trivialidade e inventa a lógica do extraordinário. Diego morreu em 25 de junho de 1957. Três anos após a morte de Frida, em 13 de julho de 1954, de embolia pulmonar.
Na última página do diário de Frida, diante do anjo da morte, palavras cheias de beleza expressam sua postura diante da vida:
"Espero alegremente a saída -- e espero nunca mais voltar -- Frida".
Os comunistas vão para o céu?
Ir para o céu significa ser salvo. Para aqueles que consideram a salvação universal, conforme acreditavam Clemente de Alexandria, Orígenes, Gregório de Nissa, João Escoto, anabatistas da reforma Radical e, posteriormente, o pietismo alemão e os revivalistas ingleses, na plenitude do tempo todas as almas serão perdoadas e restauradas para Deus.
Um teólogo batista, Hosea Ballou, que escreveu o "Tratado sobre a Expiação", em 1805, considerou que o sacrifício de Cristo ao invés de ser uma posição jurídica ou vicária tem base moral. Assim, para ele, Cristo sofreu pela humanidade, mas não em seu lugar. Com base neste argumento, Ballou defendeu a salvação universal de todos os seres humanos, porque a morte leva a alma não regenerada ao arrependimento.
Embora tal argumento seja consolador em relação àqueles entes queridos que morreram sem conhecer a Cristo, é redutor porque não entende a beleza da abrangência da salvação.
Em primeiro lugar ao falarmos de salvação devemos olhar para o passado e ver de que fomos salvos: do pecado, da morte, da culpa e da alienação. O que inclui a ignorância da verdade, escravidão aos hábitos e vícios, e a libertação dos medos.
Mas, salvação também inclui o presente, aquilo que está sendo dado pela graça: perdão, amizade com Deus, uma vida nova. O que inclui crescente emancipação do mal e enriquecimento em todo o bem. E em terceiro lugar, salvação é aquilo que ainda está para ser alcançado: a redenção do corpo, a semelhança com Cristo e a glória final.
Talvez por isso os argumentos de Ballou nos pareçam incompletos e a maioria dos cristãos evangélicos no Brasil entenda a salvação como fruto do arrependimento particular e consciente diante da miserabilidade humana, fato que só pode acontecer nesta vida, no tempo presente.
Donde, como provocação teológica, volto a perguntar: os comunistas vão para o céu?
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