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Moçambique, um toque de graça

O título parece estranho, afinal a graça é algo intocável, está além de nós, vem de Deus. Por ela somos salvos e isso não é produto de merecimento próprio ou de nossa capacidade, é dom de Deus (Efésios 2.5-9). Mas, através da presença do Cristo, que vive em nós [ou como diz o apóstolo Paulo: "...estou crucificado com Cristo e não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim". Gálatas 2.20], essa graça intangível se transforma em vida, em realidade visível e palpável.

É comum nos perdermos no mergulho ao nosso umbigo... com ou sem piercing. É difícil olhar os problemas dos outros. Ver a miséria que existe à nossa volta. Mas graça é isso. Vai além de nós. Por isso, nesta coluna, hoje, quero falar sobre Moçambique. Uma ex-colônia portuguesa, situada no sudeste da África. Moçambique possui uma extensa costa de 2,5 mil quilômetros, com praias e recifes de coral no arquipélago Bazaruto, o parque nacional mais visitado do país. Dois grandes rios do sul do continente, o Zambezi e o Limpopo, percorrem o território até desaguar no oceano Índico.

A região foi descoberta por Vasco da Gama em 1498. Os portugueses tomaram posse da costa em 1505 e a ocuparam por mais de quatro séculos. O movimento nacionalista surgiu na década de 1950 e ganhou impulso em 1962, com a criação da Frente de Libertação de Moçambique -- Frelimo, sob a liderança de Eduardo Mondlane. A Frelimo iniciou a guerrilha contra os portugueses e, em 1964, conquistou o norte do país. Moçambique obteve sua independência em 1975, sob o governo da Frelimo, chefiado por Machel. Meio milhão de moçambicanos de origem portuguesa deixaram o país, provocando êxodo populacional e evasão de mão-de-obra qualificada.

Um milhão de mortos

Infelizmente, logo depois da independência veio a guerra civil, que durou quase 20 anos, sendo encerrada em 1992. A guerra civil deixou um milhão de mortos e aprofundou a crise social. Em 1996, cerca de 1,7 milhão de refugiados foram repatriados, através de operações realizadas pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.

Desde o fim do conflito, o país investe na reconstrução da economia, com bom potencial na pesca, na extração de gás, na mineração e na exploração madeireira. A atividade produtiva, dependente da ajuda externa, não é suficiente para absorver a mão-de-obra, e cerca de 80% dos habitantes praticam a agricultura de subsistência. Moçambique tem uma das menores rendas per capita do mundo.

Assim, em conseqüência dessa triste história de colonialismo e guerras, Moçambique registra, atualmente, uma taxa de analfabetismo de 60,5%. Embora o português seja o idioma oficial, existem mais de 25 línguas nacionais e 33 dialetos e apenas 40% da população - majoritariamente negra e formada por vários grupos étnicos - fala a língua.

Mas, num esforço brutal, que reúne governo e entidades brasileiras, foi iniciada a implantação do programa Alfabetização Solidária, que pretende alfabetizar 1 milhão de pessoas até 2003.

Os trabalhos do programa estão tendo a parceria, em Moçambique, de várias universidades brasileiras, como a Universidade do Vale do Paraíba, Universidade Metodista de Piracicaba, Universidade Estadual da Bahia e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Cujo pai é Deus

Mas de forma indireta, outras entidades brasileiras estão apoiando o esforço do povo de Moçambique na sua luta contra o analfabetismo e a exclusão social. E uma delas é a Abiah, da qual sou um dos diretores. Em hebraico Abiah quer dizer "cujo pai é Deus", mas para nós é a Associação Batista de Apoio e Incentivo ao Homem, e tem como programa de ação construir soluções solidárias aos problemas materiais e espirituais de homens, mulheres e crianças africanas e latino-americanas. É um programa para o hoje e para o amanhã.

A tarefa da Associação Batista de Apoio e Incentivo ao Homem consiste em apresentar aos excluídos africanos e latino-americanos a boa notícia de que eles não estão sós, e que há um amplo movimento de solidariedade que pretende ajudá-los a superar problemas e caminhar em direção a uma vida digna.

Assim, um dos meios de servir à comunidade é desenvolver projetos educativos para crianças em fase pré-escolar. Atualmente, trabalhando em parceria com igrejas, em diferentes países dos dois continentes, os projetos educativos da Abiah atendem cerca de dez mil crianças de 4 a 6 anos de idade.

Não esqueça de Moçambique. A graça de Deus vai além de nós, é independente de nós, mas ao ser vivida, nos faz portadores dela. Sabemos que a fé vem pelo ouvir, porque assim nos diz a Palavra de Deus. Essa Palavra vem de Deus, para nós. Ao ser vivida por nós continua sendo transcendente, mas passa também a ser imanente, passa a ser realidade divina vivida por nós. O apóstolo Paulo conta que Deus lhe disse: "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". E ele, consciente do que isso significa, disse: "Por isso me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo". II Coríntios 12.9.

É assim que a fé opera, enquanto poder que transforma e leva graça aos homens e mulheres deste mundo. Essa notícia tão especial, esse Evangelho da graça, muda as vidas e as comunidades. O apóstolo João, falando da graça derramada pelo sacrifício do Cristo, exprime assim essa verdade: "Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo". I João 2.2.

A Palavra veio de Deus, invadiu nossas vidas, podemos recebê-la, pronunciá-la e deixar que transforme tudo que está ao nosso redor. Caso você queira ajudar as crianças de Moçambique e conhecer o trabalho que a Abiah realiza, visite nosso site www.abiah-oasis.org.br ou entre em contato conosco através do e-mail
abiah@abiah-oasis.org.br
E lembre-se: a realidade da graça, ao ser vivida e pregada, transforma o mundo e sua história.





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