![]() |
|||
![]() |
|||
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
São Paulo, 12 de maio de 2000![]() Tempos de graça Autores: Haroldo e Ivoni Richter Reimer Editora: CEBI (São Paulo), com Sinodal (São Leopoldo) e Paulus (São Paulo) Páginas: 164 www.cebi.ong.org Na tentativa de buscar novas leituras da graça e misericórdia divina, Haroldo e Ivoni Reimer realizaram um estudo das tradições jubilares da Escritura Sagrada. Segundo os próprios autores, não poderia haver melhor momento do que este para se pensar em trabalho e desemprego, empréstimo e submissão, endividamento e perdão de dívidas, abuso e descanso da terra temas mencionados exaustivamente nas poucas páginas da obra. Tópicos que na cabeça popular poderiam representar apenas aspectos culturais, na obra são resgatados numa contribuição a temas que fazem parte do dia a dia de todos os brasileiros. Desta forma, o sábado vai legitimar o descanso e o fim da exploração da mão de obra, o descanso sabático da terra (7 em 7 anos) vai legitimar o clamor dos ecologistas modernos diante da exploração desenfreada da natureza, o jubileu (50 em 50 anos) vai legitimar a libertação de escravos e o perdão de dívidas. A conclusão final é que o jubileu, afinal, é uma declaração divina de amor pelas pessoas. Em Tempos de Graça, todos os texto são aplicados às crises sociais comuns do contexto latino-americano. Já que a obra trata da misericórdia e da graça divina, isso é sentido claramente nas pontes hermenêuticas, nas questões levantadas para debate e nas conclusões gerais. Isso apontará para um outro aspecto da obra: o seu público. Apesar de isso não ser declarado, os autores visaram os leigos, e não os acadêmicos. O texto tem menos de comentário bíblico e mais de devoção. É um livro para ser lido ou estudado em grupo, preferencialmente para introduzir debates ou discussões. Em nenhum momento, entretanto, o aspecto devocional diminuiu a fundamentação dos argumentos. O livro é farto de notas técnicas (estas vêem no final para não diminuir o fluxo de leitura) e de sugestões bibliográficas para leituras mais específicas. De qualquer forma, lido individualmente, ou servindo como manual para debates sociais, a obra leva à um desejo saudável de experimentar a graça divina para tornar-se um canal de graça também. Nas palavras dos autores: a graça se multiplica como princípio e boa ordem de toda a vida, e, então, como crianças, mulheres e homens, criação divina, podemos viver, em nossa história, tempos de graça.
Resenha por Valtair Miranda Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Teologia do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (Rio de Janeiro)
|
||