Prazer de Ler
Livro da Semana


Expediente


Livro do Mês


Livro da Semana


Mercado Editorial


E-Mail

São Paulo, 29 de maio de 2000
Dia do livro?

Esta semana o destaque da semana é o próprio livro e não nenhum em particular. Por isto, reedito um texto de algum tempo.

Pois não é que existe um Dia do Livro (que alguém aí poderia me dizer quando é)?

Geralmente, dia de alguma coisa é para lembrar coisa morta. Deve ser por isso que fui obrigado a me deprimir.

Era minha penúltima mudança e chamei um dono de brechó para me comprar algumas coisas. Diante da estante, que me acompanhava havia mais de dez anos, ele sentenciou com convicção:

- Estante eu não compro, porque ninguém mais compra livro. Agora é tudo no computador.

Livro está mesmo desmoralizado. Até aquele comerciante de coisas usadas, e que possivelmente nunca abriu um, sabia que o livro está desaparecendo.

Eu, que sou apaixonado pela leitura, o maior prazer do mundo, estou quase de acordo. E por duas razões.

1. Estou quase de acordo porque alguns livros deverão sumir mesmo. Um CD-Rom é muito melhor que livro didático, dicionário e enciclopédia, por exemplo. Alguns jornais oferecem enciclopédias encadernadas a preços de pé de alface. Estou fora. Outros oferecem junto um CD, que me interessa. Onde vou guardar uma enciclopédia em papel, que logo se desatualiza?

No entanto, ensaio erudito, poesia pura e ficção forte. Já pensaram um metrô sem um monte de gente se civilizando solitariamente no livro que trouxe debaixo do braço ou na pasta? Não consigo imaginar (perdão, meu caro futuro, se eu estiver errado) este mesmo bando de pessoas abrindo seu laptop para ler. O velho papel continua como um bom suporte para o prazer de ler.

2. Tudo é livro. O que é o CD-Rom, se não um livro numa nova embalagem e numa nova linguagem? Para que a obra em disco surgisse, alguém escreveu um roteiro, pesquisou em milhares de livros e outras fontes e escreveu um texto.

Não há como escapar do texto, a menos que você queira ser uma pessoa medíocre. Temos que ler. O livro já não é o único meio para a aprendizagem, mas continua o principal.

Não vá na onda dos apressados. Quando surgiu a televisão, muita gente garantiu que o rádio iria acabar. Acabou? Quando surgiu o rádio, muita gente garantiu que o livro estava no fim. Está?

Por isto, como escrevi no meu livro PRIMEIRA VIAGEM AO MUNDO DA COMUNICAÇÃO (editora Gama Filho, Rio de Janeiro), "você e sua família terão muito a ganhar se o livro ocupar um lugar de importância no seu interior. Toda casa devia ter uma biblioteca, com os livros à mostra. Hoje, o centro da sala é ocupada por outros meios de comunicação, aos quais, por vezes, se presta até culto. Também por vezes, os livros são relegados ao limbo dos sótãos, armários e caixotes.

Bom seria que, além de futebol, novela e problemas pessoais, você também discutisse o enredo de um romance ou a argumentação de um pensador. A paixão seria a mesma.

Que prazer é ler um livro que nos faz viajar pelo novo, pelo diferente e pelo não-imaginado, o que acontece quando lemos um bom romance.

Que prazer é ler um livro que nos faz reconstruir o mundo, o que acontece quando lemos um bom ensaio".

ANTES QUE SEJA TARDE
Na última mudança, joguei fora minha velha estante... mas encomendei outra, que ficou linda. Onde iria guardar meus livros cuja maioria guardo para minha filha, hoje com 16 anos? (Será que ela vai querer?)


Israel Belo de Azevedo
Escritor, editor e professor. Doutor em filosofia, dirige o Programa de Pós-Graduação em Teologia (Mestrado e Doutorado) do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (Rio de Janeiro). Pastoreia a Igreja Batista Itacuruçá.