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São Paulo, 16 de junho de 2000
Baptists against racism

Autor: Denton Lotz (editor)
Editora: Ebenezer Baptist Church
Páginas: 192 p.

"Se você me discrimina porque eu sou sujo, Eu posso tornar-me limpo. Se você me discrimina porque eu sou mau, Eu posso corrigir-me e ser bom. Se você me discrimina porque eu sou ignorante, Eu posso aprender. Se você me discrimina porque eu sou mal-educado, Eu posso melhorar minhas maneiras. Mas se você me discrimina por causa da minha cor, Você me discrimina por causa de algo que Deus, Ele mesmo me deu e sobre o qual eu não tenho controle."

Com estas desafiantes palavras, o Dr. Douglas W. Waruta, do Quênia, encerrou sua mensagem "Estruturas sócio-históricas do racismo", em uma das sessões plenárias do International Summit of Baptists Against Racism and Ethnic Conflict. Essa conferência internacional de batistas, uma iniciativa da Aliança Batista Mundial, teve lugar na Igreja Batista Ebenezer, em Atlanta, Georgia, Estados Unidos da América, no período de 8 a 11 de janeiro de 1999, com delegados da Croácia, Índia, Ruanda, África do Sul, Alemanha, Grã-Bretanha, Austrália, Brasil, Estados Unidos e muitos outros países.

Um dos resultados desse evento é o livro editado por seu secretário geral, o norte-americano Denton Lotz ("Baptists against racism"). Publicado pela Aliança Batista Mundial (em 1999) e impresso nos Estados Unidos da América do Norte, o trabalho é uma coletânea de mensagens, ensaios, estudos bíblicos, relatórios e discursos apresentados no encontro internacional de batistas contra o racismo e o conflito étnico.

Na Introdução, Denton Lotz agradece às pessoas que, de alguma forma, contribuíram para o sucesso do encontro, dando um destaque especial, ao final, à Beeson Divinity School, da Universidade Samford, e a seu deão, Timothy L. George, por terem provido fundos para a publicação do livro (p. 9). D. Lotz diz, também, que as uniões e convenções batistas do mundo inteiro estão convocadas a adotarem este pacto [Pacto de Atlanta] e garantirem que a primeira década [2000-2010] do século 21 será aquela em que nós trabalharemos pela justiça racial para todos os povos (p. 7).

O Prefácio foi escrito pelo Dr. Wallace Charles Smith, presidente da Comissão Especial de Batistas Contra o Racismo da Aliança Batista Mundial, o qual lembra que "o racismo é mais que um mal social; é um pecado contra Deus." (p. 10) e que, por isso, a Aliança Batista Mundial vem procurando levantar a voz dos batistas, ao redor do mundo, contra o terrível flagelo do racismo.

Após as Palavras de Boas Vindas à conferência, pelo Dr. Emmanuel McCall (p.12), vêm as seis seções em que está dividida a obra em questão: Sessão Plenária, Estudos Bíblicos, Relatórios Regionais, Relatórios Especiais, Reunião de Atlanta da Aliança Batista Mundial e Apêndice.

Nessas seções, há, entre outros escritos, quatro mensagens (na seção I) e seis relatórios (nas seções III e IV), assim como quatro estudos bíblicos (na seção II): "Mateus 15:21-28" é exposto pela Rev. Anne Wilkinson-Hayes, do Reino Unido; o Dr. Wallace Charles Smith discorre sobre "Jonas"; o Rev. Cawley Bolt, da Jamaica, fala a respeito de "Apocalipse, capítulo 7"; e "Rute 1" é apresentado pelo Dr. Karl Heinz Walter, da Alemanha.

A. Wilkinson-Hayes, em seu estudo, enfatiza a importância da fé persistente em despistar os obstáculos e a importância do interesse pelo outro - o estranho -, a fim de descobrir a completude da verdade de Deus (p.63). Já o Dr. W. C. Smith diz que, assim como Jonas, que estava zangado por causa de uma trepadeira que morrera, mas não tinha compaixão dos 120.000 ninivitas que poderiam morrer em seus pecados, nós podemos, também, nos interessar muito com a santidade dos membros de nossas igrejas e perder "a habilidade de ouvir a súplica de Deus para estar preocupado, zangado, acerca da destruição que o racismo e o conflito étnico estão causando ao redor do mundo" (p. 68).

Quanto a C. Bolt, lembra, em "Apocalipse, capítulo 7", que "o racismo é um endêmico, intratável, penetrante e iníquo mal social que constantemente e consistentemente confronta e desafia a unidade da família humana" (p. 69) e que a escolha é clara para nós -- enfrentar a hostilidade e a malícia das estruturas do racismo ou enfrentar a ira de Deus, no juízo (p. 78). E o Dr. K. H. Walter, em "Rute 1", afirma que "O racismo não é só uma questão de cores diferentes de pele. Hoje, os refugiados causam muito racismo e atitudes contra estrangeiros. Cerca de 150 milhões de trabalhadores refugiados e migrantes, ao redor do mundo, podem se tornar o problema número um, muito breve." (p. 82).

Os relatórios regionais e especiais procuram mostrar o racismo em relação à economia e à resolução de conflito, e sob as perspectivas dos hispânicos, dos povos indígenas na América Latina, dos caribenhos e dos norte-americanos, dando uma breve visão panorâmica da situação atual desses grupos, frente à discriminação e segregação étnico/racial.

Na seção V, após algumas notícias acerca da Reunião da Aliança Batista Mundial em Atlanta, o Rev. Dr. Otis Moss, Jr., em "Condutas necessárias para a autêntica reconciliação", inicia seu ensaio referindo-se a 2 Co 5.17,18,19, que aborda o ministério da reconciliação, e termina-o lembrando-nos de que devemos prover para nossos filhos um contexto de reconciliação, um contexto espiritual doado pelo Espírito de Cristo:

Deixe-nos dar a nossos filhos um século de reconciliação. Reconciliação baseada em um encontro com a verdade... Reconciliação baseada em revelação profética... Reconciliação baseada em graça revolucionária... Reconciliação baseada no radical poder transformador do amor redentor... Reconciliação baseada e ancorada em libertação e cura... Reconciliação baseada em amor e justiça... Reconciliação baseada em não-violência e no Espírito de Jesus Cristo. (p. 168).

No Apêndice, encontra-se o "Pacto de Atlanta", que é uma chamada às igrejas batistas para se oporem ao racismo e ao conflito étnico e, ativamente, trabalharem para estabelecer, juntas, um testemunho de Cristo e Seu Reino (p. 170). Há, ainda, palavras de Jimmy Carter, presidente honorário da Comissão Especial de Batistas Contra o Racismo (p. 178), e do Dr. Billy Graham, copresidente honorário do International Summit of Baptists Against Racism, o qual, em uma "Proposição contra o racismo", afirma que "o racismo pode ser o mais sério e devastador problema social enfrentado pelo mundo, hoje", que, "tragicamente, a Igreja de Jesus Cristo não está livre do pecado do racismo" e que "o racismo é, também, uma das maiores barreiras para a evangelização mundial" (p. 181).

Por fim, temse o Posfácio, escrito por Timothy George, deão da Beeson Divinity School da Universidade Samford e editor sênior de Christianity Today (p. 182), bem como os nomes dos participantes da conferência (p. 182-287).

É importante mencionar que, desde a Introdução, o nome de Martin Luther King, Jr. - o pastor batista afroamericano que desenvolveu sua atividade contra o racismo principalmente nos estados do sul dos Estados Unidos, conhecidos por sua animosidade racista - é, repetidamente, lembrado, pois o Pr. King, através da sua pregação, carregada do mais puro espírito profético bíblico, foi um dos maiores líderes mundiais, na luta pelos direitos civis e pela igualdade entre todos os seres humanos.

"Baptists Against Racism" é um livro bem apresentado, em uma forma clara e precisa, tanto em relação à capa e às folhas-de-rosto quanto à impressão. Sua encadernação não traz qualquer tipo de problema, podendo a obra ser folheada à vontade, sem que isto lhe cause danos sérios.

Há um índice - muito útil -, retratos de alguns colaboradores do encontro, uma fotografia em preto e branco da Ebenezer Baptist Church, na capa, e uma fotografia a cores, na quarta capa, da Beeson Divinity School, "uma comunidade teológica comprometida com as boas novas de Jesus como Senhor" e que ofereceu "esse livro a todo o Corpo de Cristo, como uma expressão de seu desejo de alcançar alguém em amor e de buscar a reconciliação entre todos os filhos de Deus".

O estilo do livro é sério, conciso e objetivo; sua linguagem é correta e específica; e seu conteúdo é, seqüencialmente, lógico e sistematizado, possui coerência e progressividade de idéias, e tem suas partes bem dispostas e equilibradamente organizadas.


Vera Lúcia M. da Silva Mattos
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Teologia do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (Rio de Janeiro)