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São Paulo, 12 de Janeiro de 2002

A NÃO HISTÓRIA CULTURAL
DO HUMOR


Livro do Mês
Roodenberg, H. e Bremmer, J.


Trad. Cynthia Azevedo e Paulo Soares. Rio de Janeiro,
Record, 2000, 300 p.




Este deveria ser na verdade o título desta obra. Em uma primeira olhada, o leitor recebe a sugestão óbvia do título de que será apresentado a uma história de como o humor influenciou nações e povos por várias épocas. A figura de fundo da capa também induz a crer no título, pois há a figura da Monalisa de Leonardo da Vinci, com seu sorriso inconfundível. Mas infelizmente o que ocorre não é o prometido. A obra foi organizada por Jan Bremmer e Herman Roodenburg, professor de História da Religião na Universidade de Groningen e pesquisador de História Cultural na Academia Real de Artes e Ciências dos Países Baixos, respectivamente. O livro conta com a colaboração de outros 8 acadêmicos europeus e 1 asiático.

Inicialmente seus organizadores expressam que o intuito da obra era o de apresentar uma exposição ampliada de como o humor foi tratado desde a Antiguidade até os dias atuais, rejeitando alguns preceitos de que o humor (o riso, o sorriso, o sarcasmo e piadas entre outras coisas) estava restrito somente às classes sociais mais baixas e mais pobres e de que a igreja não contribuíra para a expansão do mesmo.

O livro se divide em 11 capítulos, tendo 300 páginas, tratando de assuntos como por exemplo, o riso na idade média, a teoria do carnaval, o riso para os romanos, o riso para os gregos, o uso de piadas e de sarcasmos entre católicos e protestantes na Holanda espanhola e algumas reflexões antropológicas sobre o riso e o humor. Os autores não fizeram jus ao título do livro, pois ao invés de esboçarem a história do humor, acabaram por pinçar eventos, muitas vezes desconexos, usando e abusando do academicismo, superlotando o texto de citações de pessoas, autores e lugares que não estarão no contexto de muitos leitores, especialmente por não darem explicações mais detalhadas sobre a narrativa. O leitor de tal obra deve possuir um excelente conteúdo histórico para compreendê-lo na íntegra, caso contrário a experiência não será muito satisfatória. A linguagem utilizada é por demasia desanimadora. Há uma sobrecarga de informações mal distribuídas, o que impede uma leitura agradável. O capítulo que talvez mais interessasse aos leitores cristãos é decepcionante. Há algumas piadas e narrativas de fatos engraçados ocorridas nos primeiros anos de reforma e contra-reforma, mas nada que possa ser realmente atrativo.

Creio que o livro tenha uma contextualização fortemente européia e acadêmica, o que faz da obra, um objeto de leitura para poucos. Sendo assim, a recomendação de sua leitura fica completamente restrita para os acadêmicos interessados em coletar grande quantidade de informações através de suas notas de rodapé, que são fartas. A obra realmente não é uma história cultural do humor.


Resenha por
Gilberto de Abreu Junior, Mestrando em Teologia - Programa de Pós-Graduação do Seminário Teológico do Sul do Brasil.