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São Paulo,
15 de Fevereiro de 2002 ![]() ASSMANN, Hugo. SUNG, Jung Mo. Competência e Sensibilidade Solidária Educar para a Esperança. Petrópolis: Vozes. 2000 331p. Lembro-me perfeitamente do dia em que conheci Jung Mo Sung, autor com Hugo Assmann de Competência e Sensibilidade Solidária. Era uma tarde em Vinhedo (SP), quando participava da Semana de Atualização Teológica, em julho de 2000. Até aquele momento o congresso já havia apresentado palestrantes de renome e os temas sido abordados com propriedade. Pensava que o nível não poderia ser melhor, mas quando Jung começou a falar percebi que algo de diferente estava por acontecer. O autor trazia ao mesmo tempo uma denúncia e um desafio. A forma como trabalhava o tema era fascinante. Ao tempo em que nos brindava com pinceladas da sua história pessoal desde a infância na Coréia até o seu pós-doutorado na PUC-SP, apresentava a realidade deste século em contraponto ao que poderia acontecer, caso a solidariedade fosse algo que realmente se buscasse. Estava petrificada: não sabia se anotava, se ouvia, se admirava ou se chorava. As emoções iam-se sucedendo à medida em que o mundo era descrito com a autoridade de quem não tem nada a esconder: - Pense bem: quando
alguém mata para adquirir um tênis, é porque o tênis
não é mais tênis! Mais adiante, ele nos fez pensar sobre a forma como reagimos diante da pobreza e da miséria que nos rodeia: sentimo-nos mal porque aquilo nos interpela. E concluiu: "a gente vai ter que aprender a sentir-se mal com isso por algum tempo." Foram algumas horas de uma aula de vida. Eletrizantes aquelas horas, agradáveis também e, felizmente, produtivas porque ainda hoje a emoção se repete, quando penso no que ouvi e no que brotou em mim na forma de reação. Comprei o livro de imediato. Fui à busca de um autógrafo, encontrei um conforto: "À Ana Maria, lutar sempre! Com esperança e ternura! " O livro é dividido em duas partes: Interfaces sociofilosóficas e Educar para a Esperança Solidária. O material é dividido em capítulos e a proposta dos autores é que consideremos cada subitem como se fosse um hipertexto que optássemos por ler naquele momento ou não, passando a procurar outro tema que apelasse mais ao desejo de aprender. Isso é possível porque, embora estejam de certa forma interligados, a edição foi preparada para ser acessada quando necessário e não na seqüência obrigatória e indispensável ao entendimento do livro. Cada discussão é completa em si mesma. As partes são introduzidas por um prólogo onde os autores destacam o motivo pelo qual optaram pelo trabalho em pequenas partes completas: "nossa idéia foi propiciar que a experiência de ler se aproxime da liberdade e criatividade do escrever" (p. 9). Em seguida, vão ao limiar, que chamam a sadia maluquice de interferir no futuro. Para ajudar o leitor a estar preparado para o discurso sério que se segue, o limiar é apresentado em linguagem agradável e ao mesmo tempo provocadora: Você não precisa carregar o mundo; Evite a síndrome de Atlas; O possível é elástico e nossos sonhos o ampliam e Desmistificar a questão do egoísmo humano. A Parte 1 foi dividida em cinco capítulos. Mantendo-se fiel à idéia do hipertexto, cada um deles é subdividido de acordo com diferentes pensamentos de autores. Alguns desses autores são mencionados com o subtítulo; outros, citados e analisados no corpo e na discussão. Alguns exemplos: Capítulo
1- Solidariedade: uma teia de campos semânticos variados: Capítulo
3 - Dignidade Humana: o Acesso a Capacidades Básicas: Na Parte 2, mais cinco capítulos discutem o tema Educar para a Esperança Solidária. Neste ponto, os autores unem o embasamento teórico que procuraram oferecer na parte 1 à prática possível e que deve ser desejada. Essa prática inclui o conceito de aprendizagem contínua, essencial que é à sobrevivência na sociedade que nos hospeda: - Competência
e Solidariedade: renovação do discurso pedagógico; Dentre tantos temas atraentes, vale destacar a parte que afirma: "educar é uma aposta 'enactante'." Valendo-se do conceito de "enaction" proposto por Francisco Varela, os autores chamam a nossa atenção para a necessidade de abandonarmos o conceito de representação mental na concepção do conhecimento e da ação: Nossos sentidos não são apenas "janelas" para o mundo. São muito mais do que isso porque nossos sentidos participam não apenas da recepção das informações desde o meio ambiente, mas também na construção da realidade percebida." (p.246). Quem deve ler este
denso e excelente livro? Toda pessoa que estiver:
Resenha por Ana Maria Suman Gomes, Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Teologia do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil Índice |
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