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São Paulo,
10 de Maio de 2002
A
ópera dos ladrões
Moore,
Lucy
A Inglaterra por seus Reis, do crime
A
verdadeira história de dois reis do crime na Londres do século XVIII.
Tradução
de Alda Porto
Rio de Janeiro, Record, 2000. 334p.
Na primeira metade do século XVIII, Londres caminhava para se tornar
a mais populosa cidade do mundo. Era rica, as lojas exibiam produtos refinados
e sua elite desfilava ricas perucas, usava colheres de prata em casa,
delicados lenços e finas caixas de rapé quando iam a Covent
Garden, Soho e Picadilly. Contudo, não tinha uma força policial
profissional, estando a segurança pública na dependência
do trabalho de cidadãos não remunerados. Londres era, assim,
o paraíso dos ladrões.
Esta é a Londres revelada pela historiadora Lucy Moore, através
das vidas de Jack Sheppard e de Jonathan Wild, personagens do submundo
que os primeiros jornais diários transformaram em símbolos
do período. A Autora nasceu na cidade em 1970, mas foi criada nos
Estados Unidos, retornando mais tarde à Grã-Bretanha para
graduar-se em História pela Edinburgh University, sendo este seu
primeiro livro.
Sheppard chegou a ser um aprendiz de marceneiro que gastava o tempo bebendo
e jogando, antes de iniciar seu aprendizado de pequenos golpes com uma
prostituta que limpava seus clientes. Preso após alguns roubos,
não passaria de um ladrãozinho vulgar não fosse sua
extraordinária habilidade de fuga. Primeiro libertou sua amante;
depois, escapou ileso da cadeia forçando uma série de fechaduras,
escalando muros e saltando telhados. Recapturado, escapou novamente. Antes
de ser preso definitivamente, se tornara uma lenda para um público
que admirava sua capacidade de colocar as autoridades em apuros.
Já Wild, foi um personagem singular. Após uma temporada
na cadeia por dívidas, o que era comum à época, começou
a ganhar a vida no ramo de objetos recuperados: devolvia bens roubados
a seus legítimos donos, por um preço justo. Auto-intitulava-se
caçador de ladrões, chegando a servir como consultor do
Conselho Municipal, apresentando sugestões para sufocar a onda
de crimes, ao mesmo tempo em que controlava uma rede de ladrões
e prostitutas, que dependiam de seu dinheiro e sua proteção.
Sheppard, ladrã
o do tipo romântico, foi um dos poucos a se recusar a participar
da "organização" de Wild, o que foi o estopim
que levarias a ambos, o ladrão e o caçador de ladrões,
ao mesmo destino, a praça de execuções de Tyburn.
Antes de morrer, Jack Sheppard foi biografado por Daniel Defoe e retratado
por James Thornhill, pintor da corte, enquanto Jonathan Wild inspirou
John Gay na Criação de The Beggar´s Opera.
Num retrato memorável da Londres georgiana, Lucy Moore reconstrói
o mundo do crime em toda sua sórdida fama, numa história
fascinante que se entranha no lamaçal do crime, nos convidando
a pensar sobre o estranho fascínio que a criminalidade exerce sobre
as pessoas. Rico na utilização de fontes primárias,
só havendo acréscimos atuais quando auxiliem a compreensão
do entorno dos fatos, o livro nos fornece uma clara percepção
da sociedade londrina e vários de seus aspectos. No tocante a religião,
há varias situações que deixam transparecer a situação
do clero e sua relação com os fiéis. Há também,
relatos sobre as atividades do metodistas, inclusive de John Wesley.
Pela pesquisa histórica muito bem elaborada, pelo estilo literário
da Autora, pelo conjunto editorial, este livro merece ser lido e utilizado
por aqueles que querem uma melhor compreensão daquele período
da história.
Resenha por Esdras
Cordeiro Chavante,
mestrando em Teologia no Programa de Pós-Graduação
do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.
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