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A
fé e sua compreenção
Muitas pessoas perdem a fé ao se deparar com argumentos
contrários por apenas saber no que crê e
não se importar com o porquê crer, apesar
da razão da fé cristã serem muitas.
Certa
vez um professor da Escola Dominical perguntou à
sua classe: o que é fé?. Então
um garoto respondeu automaticamente: Fé é
acreditar numa coisa que você sabe que não
é verdadeira. Como no caso desse garoto,
para muitos, as coisas relacionadas à fé
religiosa são destituídas de racionalidade
e fazem parte daqueles temas restritos aos facilmente
crédulos. Talvez eu não esteja exagerando
ao afirmar que é provável que muitos membros
das nossas igrejas também pensem assim.
ara
ser mais exato, tenho conhecido, ao longo de minha caminhada
cristã, vários cristãos que perderam
sua fé ao entrarem em contato com opiniões
divergentes, como por exemplo, no ambiente das universidades,
culminando com o afastamento da igreja ou com a adoção
de uma atitude permanentemente crítica e negativa
em relação à religião. Como
afirmou Paul Little, o problema é que o povo de
Deus sabe o que crê, mas a maioria não sabe
porque crê; e é essencial saber por que acreditamos,
pois o fato de crermos em alguma coisa, não torna
essa coisa verdadeira.
A
veracidade daquilo que creio sempre foi uma das minhas
preocupações. Desde cedo fui alguém
bastante interessado em religião. Embora pré-adolescente,
fui católico e depois espírita kardecista,
sempre lendo e procurando encontrar as respostas acerca
da vida e da morte. Ocasionalmente eu ouvia algum crente
falar do evangelho, mas numa forma que freqüentemente
parecia discriminatória. E eu, de forma relativista,
pensava: Será que os crentes não sabem
que todos os caminhos levam a Deus?. Mas, um dia
descobri que a fé cristã, em vários
sentidos reclama exclusividade. Quando ainda adolescente,
numa pequena igreja batista, ouvi a mensagem do evangelho
pregada com clareza e objetividade, e aceitei Jesus como
meu Salvador. Não foi uma decisão movida
por mero emocionalismo, mas por convicção.
Ali fui confrontado com o clamor de Jesus como o único
caminho que leva a Deus; algo de que, até então,
eu nunca ouvira falar.
É
interessante notar como o relativismo tem ganhado espaço
em nossa sociedade. Em termos populares, o relativismo
representa aquela cosmovisão que diz existirem
muitas verdades religiosas válidas. O cristianismo
pode ser verdadeiro, mas as demais religiões com
seus conceitos, imagens, mitos e linguagens são
vistas como caminhos igualmente verdadeiros em relação
a Deus. Na verdade esse tipo de relativismo leva à
uma visão inclusivista da religião. Contudo,
a proposta radical de Jesus Cristo apresenta-se, não
como um dos muitos caminhos válidos, mas como o
único caminho que pode nos levar a Deus (João
14.6). E só há duas opções
lógicas diante das afirmações que
Jesus faz a seu próprio respeito: (1) ou o cristianismo
bíblico é falso ou (2) o cristianismo bíblico
é exclusivamente verdadeiro. Ele não pode
ser verdadeiro ao lado das demais religiões igualmente
verdadeiras. Porque se o cristianismo bíblico é
verdadeiro, então ele deve ser verdadeiro de acordo
com aquilo que ele clama ser: o único caminho para
Deus. Nesta sua reivindicação em especial,
ele não pode ser falso e verdadeiro ao mesmo tempo.
É
interessante perceber que as pessoas só querem
ser relativistas no âmbito da religião e
da moral. No restante da vida as pessoas não abdicam
de suas posições e decisões. É
que nestes dois campos onde cada ser humano deseja ser
sempre livre para fabricar um deus à sua imagem
e semelhança. Não é assim com a fé
cristã. Ela se apresenta como uma proposta radical
e exclusiva de Deus em Jesus Cristo. E diante do que Jesus
afirmou a seu respeito só há três
possibilidades: (1) ele era um charlatão; (2) ele
era um louco ou (3) ele foi verdadeiro naquilo que afirmou
ser. Creio firmemente que apenas a terceira opção
faz jus à pessoa de Jesus Cristo. Por isso, como
Pascal demonstrou em sua célebre aposta, a fé
em Jesus Cristo continua sendo a melhor dentre todas as
opções.
O
tempo tem passado. Já não sou mais um novo
convertido. Mas, ainda hoje, e com mais vigor, acredito
piamente que é preciso encontrar fundamentação
para aquilo que cremos. Não sou crente em Jesus
por conveniência, mas por convicção.
Não temo investigar a fé cristã,
pois creio que fé e razão iluminam-se mutuamente
e a fé deve estar sempre em busca de sua própria
compreensão, aprofundando o nosso conhecimento
de Deus. Assim, sou crente em Jesus, porque estou convencido
acerca da validade sem igual da fé cristã
em meio às outras propostas religiosas.
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Pastor
André Holanda
Professor do STBNB - Graduado em Filosofia e mestrado
em Teologia.
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