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Uma
fé intransferível
Ter a esperança fundamentada em algo que ainda
não aconteceu, é só apenas uma questão
de fé.
Filho
de missionários da Junta de Missões Nacionais
da CBB, cedo fui encaminhado no evangelho, tendo a Bíblia
como a Palavra de Deus. Pelo exemplo de meu pai, que era
pastor e lia o Livro Sagrado diariamente, completei a
leitura, de Gênesis a Apocalipse, aos 8 anos de
idade. Em toda a minha vida tenho lido a Palavra de Deus
sistematicamente, almejando alcançar a bem-aventurança
expressa pelo salmista, quando diz: Tem o seu prazer
na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite
(Sl 1.2). Para mim foi muito importante seguir o exemplo
de meu genitor. Tudo isso que aconteceu comigo poderia
levar alguém a dizer que minha fé foi herdada
de meus pais. Mas fé não é herança.
Menciono também a força e influência
de minha denominação, à qual prezo.
Não sou batista apenas porque meus avós
e pais o foram. Em minha juventude, estudei os princípios
deste grupo e os acatei por considerá-los de acordo
com as Sagradas Escrituras, embora sabendo que não
somos perfeitos. Sei o que sou e porque sou, conservando-me
fiel aos princípios batistas. Mas será isso
fé? Certamente não, pois fé não
é identidade denominacional.
Então,
por que cremos? O escritor aos Hebreus afirma que fé
é o firme fundamento das coisas que se esperam,
e a prova das coisas que não se vêem
(Hb 11.1). Fé aqui não é conhecimento,
pois a Bíblia afirma, sobre este tipo de fé,
que os demônios também crêem,
e estremecem (Tg 2.19b). Na verdade, não
se explica a fé salvadora e a fé confiança.
A nossa mente não compreende como a esperança
pode ter como fundamento algo que ainda não aconteceu.
Como se prova o que não se vê? Não
é sem razão que o apóstolo Paulo
afirma que as coisas do Espírito de Deus se
discernem espiritualmente (1Co 2.14). É possível
se ter um profundo conhecimento de toda a ciência
e mesmo das Escrituras Sagradas, como tinha Paulo antes
de se converter, sem possuir a verdadeira fé. Esta
não se explica, não se herda, não
se transmite de forma genética ou social.
Sendo
a expressão da fé intransferível,
experiências de outros podem ser valiosas em muitos
aspectos, mas não substitui a fé pessoal.
É pela fé que atingimos o eterno e o infinito.
Por isso o escritor sacro afirma: Sem fé
é impossível agradar a Deus (Hb 11.6a).
Não há comunicação real com
o Todo-poderoso sem fé. As Escrituras condenam
o culto a ídolos, mesmo que estes sejam convencionalmente
figura do que há em cima no céu
(Ex 20.4). É pela graça divina que somos
salvos, como diz o autor de Efésios: Porque
pela graça sois salvos, por meio da fé;
e isto não vem de vós, é dom de Deus
(Ef 2.8). A iniciativa é do Senhor, porque o criador
dos confins da terra não leva em conta a nossa
fraqueza e ignorância (At 17.30). Ele, que é
maior do que o infinito, nos ama, permitindo que o alcancemos
pela fé.
Resta-nos buscar a santificação, chegando
à maturidade da nossa confiança em Deus.
Seguindo o exemplo de Abraão, urge que entreguemos
todo o nosso ser e serviço a Ele, mesmo que isso
signifique o sacrifício do filho da promessa (Tg
2.21). A essa disposição, que parte de uma
fé amadurecida, Tiago chama de ação,
ao afirmar que a fé sem obras é morta
em si mesma (Tg 2.17).
Fé
é vida, atividade. Cremos em um Deus que não
pára no tempo e no espaço, pois não
se mede a eternidade. Cremos no Deus vivo que age ainda
hoje. Isso não resulta em poder ou domínio
sobre os semelhantes, e muito menos em desejo de ter,
mas de ser a sua imagem e semelhança (Gn 2.26),
recuperando a verdadeira espiritualidade pela comunhão
com Ele e serviço ao próximo.
Porque
cremos, nós o cultuamos em espírito
e em verdade (Jô 4.24), transpondo os montes
dos problemas e os vendavais das crises, pela certeza
do que não vemos. É pela fé que vencemos
o mundo (1Jo 5.4), e que podemos exclamar: Tragada
foi a morte na vitória (1Co 15.54b). É
importante ter a visão e a experiência da
fé, obedecendo a palavra profética, que
diz: Levantai ao alto os vossos olhos, e vede
(Is 40.26). Somente terão forças renovadas
aqueles que estão ligados ao Senhor. Estes subirão
com asas como águias; correrão, e não
se cansarão; andarão, e não se fatigarão
(Is 40.31). Cumpre-nos prosseguir a jornada com disposição
que só têm os que entregam seu caminho a
Deus. Assim poderemos correr com perseverança
a carreira que nos está proposta, fitando os olhos
em Jesus, autor e consumador da fé (Hb 12.1b-2a).
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Pastor
Zaqueu Moreira
Bacharel e Mestre em Teologia (Th.M.) e PhD em História.
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