COMO SER A BOA
NOVA
1. "SER", ANTES DE "COMPARTILHAR" A BOA NOVA
a) A "música"
do Evangelho
Joseph C. Aldrich, em seu livro "A amizade - a chave para a Evangelização",
diz que a "música" do evangelho deve preceder as palavras
e preparar o contexto da pregação: "Qual é a
música do do evangelho? A música do evangelho é a
beleza de Cristo morando em nós, à medida que mantemos os
relacionamentos diários da vida. O evangelho é a boa nova
de que Jesus Cristo resolve o problema do pecado do homem e lhe oferece
o potencial de uma vida mudada, uma vida na qual os recursos do próprio
Deus estão disponíveis para sua transformação.
E ao povo que o evangelho é traduzido para a música, tornam-se
possíveis relacionamentos redentores. Quando o mundo observa os
maridos amando as suas esposas e as mulheres apoiando e cuidando de seus
maridos e famílias, depara-se com um milagre; ouve a música."
(Aldrich, op. cit., pág.18, Ed. Vida Nova).
b) O exemplo de
Jesus, Aquele que é a Verdade (Jo. 14:6)
O apóstolo João nos diz em Jo. 1:14, que o "Verbo se
fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade,
e vimos a sua glória, glória como do unigênito do
Pai".
Este versículo nos dá um modelo para a evangelização:
· PROPÓSITO de Cristo: glorificar Seu Pai.
· ESTRATÉGIA de Cristo: encarnar a verdade (tornar-se carne).
· METODOLOGIA de Cristo: estar cheio de graça e de verdade.
Aldrich, no livro citado, afirma que Jesus foi um "recurso visual"
para revelar a natureza de Seu Pai ("Quem me vê a mim, vê
o Pai" - Jo.14:9)." Ele não só pregava sobre o
perdão, Ele perdoava. E as pessoas pecadoras e atormentadas pela
culpa caíam a Seus pés, perdoadas e limpas (...) Com a ascensão
de Cristo, a "luz do mundo" se foi. Mas os Seus propósitos
continuam! Ef. 5:8 diz: "... porém agora sois luz no Senhor;
andar como filhos da luz." Como filhos da luz (1 Ts 5:5) não
podemos esconder a nossa luz (a beleza do que possuímos) debaixo
do alqueire!" (op. cit. pág.29).
c) Nosso desafio:
SERMOS a Verdade
É sempre mais fácil estudar e compreender a verdade, do
que SER a verdade. No entanto Jesus, com sua vida e exemplos, nos ensina
exatamente isto: não basta proclamarmos a verdade - nós
devemos nos tornar a verdade.
Examine a palavra VERDADE, nos originais bíblicos:
· Hebraico: "EMETH" - raiz verbal significa "estar
seguro, sólido ou firme". O significado básico é
consistência ou confiança. Cristo, "cheio de verdade",
é exemplo de transparência, livre de engano, sem nenhuma
intenção de ocultar ou iludir.
· Grego: 'ALETHÉIA" - basicamente, focaliza "aquilo
que está à vista, aquilo que não está escondido
e é transparente." Certamente "ser verdade" é
em parte, um compromisso de se evitar falsidade e engano.
A Bíblia toda nos dá exortações no sentido
de SERMOS VERDADE, sendo coerentes com a nossa pregação.
Um exemplo é o Salmo 15:1-2: "Quem, Senhor, habitará
no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?
O que vive com integridade, e pratica a justiça, e de coração
fala a verdade".
Ser verdade, segundo o padrão acima citado envolve três coisas:
· andar de maneira irrepreensível
· fazer o que é certo
· falar a verdade, de coração
2. INTEGRIDADE
E EMPATIA: QUALIDADE QUE ATRAEM
Aristóteles,
filósofo grego, focalizou três qualidades para um bom comunicador:
1) LOGOS (Palavra): O bom comunicador, deve ter algo de qualidade
a dizer. No caso da mensagem do Evangelho, não existe palavra mais
importante e de maior qualidade, que a boa notícia: Deus amou ao
mundo, a ponto de enviar Jesus, para apontar a saída do caos.
2) ETHOS (Ética): O comunicador perderá credibilidade,
se a sua integridade for duvidosa. Aplicando: a integridade deve ser a
marca dos servos de Cristo. Não é por acaso que a Bíblia
insiste tanto em dizer, que os filhos de Deus devem ser santos e crescer
na santificação!
Isto não quer dizer que nunca passaremos dificuldades. Implica,
sim, em que até nos momentos dos graves problemas, quem é
salvo por Jesus, agirá com ÉTICA de um filho de Deus, SEM
ABAIXAR O NÍVEL, igualando-se àqueles que não conhecem
ao Senhor.
3) PATHOS (Empatia): O ouvinte quer saber se o orador partilhar
das suas esperanças, anseios e desejos.
Ou seja: quem comunica, deve procurar colocar-se no lugar de quem está
ouvindo. Deve ter a capacidade de sofrer com os que sofrem e alegrar-se
com os que se alegram, como nos ensina o Novo Testamento.
É bem difícil
encontrarmos pessoas não convertidas, que leiam diariamente a Palavra
de Deus. No entanto, estas pessoas estão regularmente fazendo a
"leitura" das cartas vivas, que somos nós.
O que será que eles têm achado da "leitura" das
nossas vidas? Estarão sendo atraídos ao Evangelho, ou será
que estão encontrando desculpas, para permanecerem afastadas de
Deus?
3. TENDO SABEDORIA
PARA IDENTIFICAR-SE
Muitos cristãos,
perderam a capacidade de relacionar-se sadiamente com não cristãos.
A causa, pode ter sido a interpretação equivocada, do texto
bíblico que diz que devemos ser santos (separados).
A Bíblia toda nos dá ordem de sermos santos. (1 Pe. 1:16;
1 Co 6:19) Isto, no entanto, não implica em fugirmos do contato
com os demais habitantes do planeta, que não professam Jesus como
Senhor!
Concordo que em alguns casos, a separação dos velhos amigos,
seja uma necessidade, para que o crescimento na fé possa ocorrer.
Entretanto, são vários os exemplos de cristãos maduros,
que continuam evitando um contato maior com incrédulos!
"Não há impacto sem contato (...). O recém-convertido
é informado de que não tem nada em comum com seus conhecidos
não cristãos. Francamente, tenho muito em comum com eles:
uma hipoteca, prestações de carro, crianças que se
comportam mal, um casamento menos-que-perfeito, alguns quilos a mais,
um forte interesse por esportes, e outras atividades que eles também
gostam. É importante lembrar que Jesus era chamado "amigos
de pecadores". (Aldrich, op., cit., pág.17)
Precisamos ter SABEDORIA para realizar esta aproximação
e identificação com os não convertidos. Sabe por
quê?
a) IDENTIFICAÇÃO
RADICAL COM OS NÃO CONVERTIDOS
· Sempre existe o perigo da Assimilação dos conceitos
errados, sob a desculpa de estar tentando identificar-se para depois pregar
o Evangelho.
b) DIFERENÇA RADICAL COM OS NÃO CONVERTIDOS
· É o indivíduo que se torna "chato", por
centralizar suas conversas, em pontos doutrinários de difícil
compreensão, para o não cristão. Este irmão
corre o perigo do Isolamento e do Legalismo.
QUAL É O IDEAL, ENTÃO?
É SERMOS
COMUNICADORES EQUILIBRADOS
· "A chave parece ser, manter um equilíbrio entre a
diferença e a identificação radicais do cristão.
A nossa diferença radical é a SANTIDADE (integridade) -
SEM LEGALISMO (...) Os cristãos devem ser espiritualmente distintos
da cultura do mundo, mas não segregados dela socialmente."
(Aldrich, op. cit., págs 56, 58)
4. PRESENÇA, PROCLAMAÇÃO, PERSUASÃO
Quando estamos comprometidos
em SER a Boa Nova, vivendo em nosso dia-a-dia o Evangelho de Cristo, a
seqüência "Presença, Proclamação
e Persuasão", flui com naturalidade:
a) PRESENÇA - quando você manifesta a "música"
do Evangelho, através do amor, da ajuda, do encorajamento a alguém,
da compreensão, da aceitação e das atitudes corretas.
É um meio de comunicar Jesus mesmo sem falar especificamente de
religião.
b) PROCLAMAÇÃO - após conviver com alguém
que manifesta o bom testemunho cristão, o não convertido
admite ouvir algo mais detalhado, sobre o Evangelho. Este é o momento
de utilizarmos possibilidades como: o testemunho pessoal, leitura de passagens
bíblicas, darmos leitura apropriadas. Quem sabe, seja um bom momento
de convidá-lo para visitar um grupo de estudo bíblico, etc.
onde haverá uma exposição clara, sobre a necessidade
que todo ser humano tem, de aceitar Jesus como Senhor.
PERSUASÃO - é o momento em que, através do
convite do evangelizador, e da ação do Espírito Santo,
o não convertido decide agir, abrindo sua vida para Cristo.
Continua no próximo
mês ...