Sérgio e Magali Leoto Sérgio e Magali Leoto
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Para Líderes


GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

I. PREOCUPAÇÃO MUNDIAL

O assunto da Gravidez na Adolescência, está virando um terror para muita gente, aqui no Brasil e fora dele.

As estatísticas sobre isso, são precárias em nosso país, mas as que já estão disponíveis são alarmantes:

  1. No Brasil: 1 milhão de Adolescentes por ano dão à luz (são 20% dos nascidos vivos).
  2. No Mundo: Segundo dados da Organização Mundial da Saúde:13 milhões de crianças por ano, nascem através de mães com idade entre os 15 e 19 anos.
  3. No Estado de São Paulo: - em 1970: 6, 4% das adolescentes (15 a 19 anos) tinham um filho vivo.
    - em 1985: este índice subiu para 13%.
    (Fonte: "Gravidez na Adolescência", Dra. Albertina Duarte, Ed. Artes e Contos, RJ - RJ, 1997)
II. PREOCUPAÇÃO NAS IGREJAS

Infelizmente, este problema já está ocorrendo também, dentro de muitas Igrejas Evangélicas.

Isto só não acontece de maneira mais acentuada, devido a movimentos do tipo "Vale a pena esperar", que heroicamente lutam motivando jovens de todo o país. Mas ainda é muito pouco, diante de tantos focos do problema.

Estivemos em muitas igrejas de vários estados, tentando ajudar pastores "desesperados", diante de tantos casos.

Numa destas comunidades (com mais de 2.000 membros), fomos chamados às pressas, pois em um ano eles tinham enfrentado 13 casos de adolescentes grávidas.

Percebemos que, diante deste problema, muitas igrejas estão reagindo de duas maneiras:

  • "Façamos de conta que nada aconteceu": não comentam o assunto; não ajudam; não confrontam com a Bíblia; fazem um "jogo de empurra", com muita burocracia eclesiástica sobre quem deve exortar; no final, "deixa como está, prá ver como é que fica". Estimulam assim, o surgimento de novos casos, devido a ausência de uma disciplina bíblica equilibrada.
  • "Vamos excluir estes impuros da Igreja": sem demonstrar amor; sem compaixão com pessoas que, muitas vezes, estão verdadeiramente arrependidas; sem compromisso com as vidas do Corpo de Cristo (mesmo que aleguem um desejo de "limpar ou santificar" a comunidade); transpirando mais um desejo de "vingança", que um anseio por recuperar um irmão que caiu.
III. CAUSAS POSSÍVEIS

Por que tantos jovens têm se deixado seduzir, partindo para o sexo pré-conjugal? Podemos lembrar de algumas razões (entre várias):

1. MÍDIA PARCIAL
Propagandas, enredos de novelas e filmes, utilizam a sensualidade, para venderem produtos ou mesmo uma idéia de "sucesso", mostram apenas as delícias do sexo. Omitem as possibilidades de doenças venéreas, gravidez indesejada, fetos não saudáveis etc (ou vocês já viram alguma novela, onde o galã pegou uma doença venérea, após um "romance" com a mocinha?).

2. DESINFORMARÇÃO BÍBLICA SOBRE SEXO

  1. Por parte dos pais: existem pais crentes que até estimulam o sexo na adolescência, sob o pretexto de terem filhos "sexualmente bem definidos". Isto, como se o fato de os filhos praticarem a abstinência bíblica até o Casamento, fosse deixá-los "sem definição sexual".
    Aos pais que alegam não saberem os padrões bíblicos sobre este assunto, já existem dezenas de bons livros cristãos, que podem ser encontrados nas livrarias evangélicas. Informar-se para ensinar corretamente, é dever de todos os pais.
  2. Por parte dos filhos: se você tem dúvidas sobre qual é o padrão bíblico sobre o Sexo, é necessário ir atras da informação. Na escola não é assim? Se você tem dúvidas sobre a matéria, você vai correndo procurar aprender com quem sabe. Busque com seus pais, com o pastor de sua igreja, com irmãos mais maduros na fé do que você, em livros cristãos sobre o tema etc.
  3. Pastores: uma boa parte destes líderes, tem informação bíblica, mas confessa ter INABILIDADE na comunicação com Jovens, sobre este e outros assuntos. Há necessidade de um esforço especial dos pastores, informando-se com comunicadores experientes desta faixa (até com Missões especializadas em juventude), sobre a melhor maneira de ensiná-los. Em último caso, tragam alguém para fazê-lo. Os Seminários poderiam dar uma grande contribuição, ampliando as matérias sobre "Ministérios entre Jovens".
3. DESINFORMAÇÃO SOBRE ADOLESCÊNCIA
A informação sobre as transformações ocorridas na Adolescência (físicas, psicológicas e sociais), tem ocorrido de forma muito precária, nas famílias evangélicas brasileiras. Pais e filhos, por desinformação sobre o que é a Adolescência, entram em divergências muito maiores que as normais para a idade. Estes desentendimentos no lar, muitas vezes são a base para a fuga dos adolescentes, em direção ao sexo pré-conjugal.

4. PROBLEMAS PATERNOS
A imagem do pai (refiro-me ao homem), pode estar ajudando ou prejudicando a formação de uma sexualidade sadia, em seus filhos. Uma boa leitura, para este assunto, é "A diferença que o pai faz", de Josh McDowell, Ed. Candeia. Um pai ausente, que pensa suprir sua falta com presentes, ou um pai que não se esforça para comunicar, ou o pai violento e cruel, que diz não ter paciência para ensinar, pode na verdade estar contribuindo para uma sexualidade desequilibrada.

IV. CONSEQÜÊNCIAS NOS DIVERSOS NÍVEIS

1. PARA A ADOLESCENTE QUE ENGRAVIDOU
A antecipação de uma etapa da vida, para a qual não estava preparada, ocasionará uma seqüência de perdas, que devemos considerar: perdas psicológicas (dependendo do caso, há um verdadeiro "desastre" psicológico), perdas físicas (tanto por alterações do corpo, quanto pela possibilidades de doenças), perdas na vida escolar (a gravidez e as responsabilidades de ser mãe, muitas vezes prejudicam esta área), perdas na vida profissional (muitos sonhos terão de ser revistos), perdas no apoio familiar, abandono do namorado etc. Tendências Perigosas: - Aborto - Suicídio - Prostituição - Prostração.

2. NA FAMÍLIA
Não deveria ser assim mas, infelizmente, em muitos casos é o que vemos, por parte das famílias: decepção geral, falta de apoio ao adolescente que caiu, discriminação (tanto da família para com quem caiu, como de outras famílias, para com os parentes do adolescente), expulsão de casa etc.

Em alguns casos, fazem pressão para o Aborto (até por parte de famílias evangélicas). Em outros casos: obrigatoriedade do casamento, o que pode se tornar um erro até maior do que a gravidez indesejada.

3. NA IGREJA
Entre "perdidas quanto a como agir" e "abatidas pela decepção", várias comunidades têm ido de extremo a extremo, ou não dando nenhuma disciplina, ou disciplinando sem amor. Ferem muitos membros, tanto na omissão, quanto na ação exagerada. Há um trauma também na Igreja.

V. COMO REAGIR DIANTE DE UM CASO DESTES?

1. LEMBRE-SE QUE ESTÁ LIDANDO COM UM FATO CONSUMADO

  1. Não é a melhor hora para SERMÕES sobre "como deveria ter agido". Você poderá tocar neste assunto depois, mas peça sabedoria a Deus, principalmente questionando se você é a pessoa mais apropriada para falar.
  2. Acusações "histéricas" sobre falta de moralidade, só pioram a situação.
2. NÃO QUEIRA SER MAIS PUNITIVO QUE O PRÓPRIO DEUS
  1. Afaste a idéia de expulsar de casa: esta é a hora do LAR tornar-se o REFÚGIO, algo bom, que traga de volta a alegria que, no momento, se foi.
  2. O Senhor NÃO ESMAGA quem já está quebrado (Is. 42:3).
3. DEUS QUER RESTAURAR O PECADOR ARREPENDIDO
  1. Is. 55: 6 - 7: "Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar".
  2. 1 Jo. 1: 9: "Se confessarmos os nossos pecados, ele (Deus) é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça".
  3. Is. 57: 15: "(...) Habito no alto e santo lugar, mas também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos".
Quando (até onde podemos discernir) estamos diante de um arrependimento genuíno, devemos perdoar e encaminhar a pessoa para uma restauração.

4. FAMÍLIA: ABREVIAR O "TEMPO DO CHORO" E ASSOCIAR-SE COM DEUS NA "RESTAURAÇÃO"

  1. O "Tempo do choro" pelo que ocorreu é normal, mas ETERNIZAR o choro, é DANOSO!
  2. Deus perdoa e acolhe ao arrependido: a família também deve fazê-lo.
  3. A demora do PERDÃO FAMILIAR, implicará em mais traumas e dificuldades à PLENA RESTAURAÇÃO do adolescente. (Neste caso, será importante o auxílio de um Conselheiro Familiar, que pode ser o pastor da sua Igreja).
  4. A família deve ajudar a jovem a REARTICULAR sua vida como: PESSOA, ESTUDANTE e PROFISSIONAL.
5. A ABRANGÊNCIA DO PERDÃO (Para a jovem, Família e Igreja)
  1. A disposição de perdoar é nossa responsabilidade.
  2. A mudança de sentimentos, em relação a quem nos ofendeu, é a parte de DEUS.
  3. Encare a ofensa: traga à luz o que foi feito de errado.
  4. Enfrente a sua mágoa e dor: guardar e cultivar a mágoa, é sepultar a possibilidade de cura (Hb.12:15).
  5. Olhe para a Cruz de Cristo: Ef.4:32 - "Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros como também Deus, em Cristo vos perdoou".
    SÓ ENTENDEMOS O QUE É PERDOAR, QUANDO NOS COLOCAMOS DEBAIXO DA CRUZ DE CRISTO.
  6. Perdoe efetivamente: a si próprio e a quem o ofendeu.
6. A IGREJA COMO PARTE DA RECUPERAÇÃO PESSOAL
  1. Disciplina Positiva: a liderança de cada Igreja, deve avaliar como isto deve acontecer. Em geral, a comunidade deve ser informada, tanto do ocorrido quanto ao genuíno arrependimento. Na seqüência, deve existir um processo de acompanhamento, visando a restauração desta pessoa.
  2. Tais fostes alguns de vós (1Co.6:9-11): A Igreja é composta por pessoas que também se arrependeram e se afastaram de seus pecados, alguns deles chocantes, como os descritos na passagem. Hoje estas mesmas pessoas, buscam andar em Santificação.
  3. Quando existe resistência ao perdão, mesmo diante de real arrependimento: É sinal de que a liderança deverá trabalhar este aspecto doutrinário na Comunidade.
Que o Senhor nos ajude, a sermos um Povo que anseia ser Santo, como é Santo o Deus a Quem servimos, não só em nosso procedimento pessoal, mas usando da Sua compaixão ao acolhermos os "filhos pródigos", que arrependidos, voltam ao lar.

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