Sérgio e Magali Leoto Sérgio e Magali Leoto

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CONTRASTES DA ADORAÇÃO NO VELHO E NOVO TESTAMENTO

Estudar sobre Adoração é maravilhoso ! Nesse processo, aprendemos a CONHECER melhor a Deus, RECONHECER o Seu caráter e os Seus feitos, para EXALTÁ-LO em todo o tempo, diante de todos os homens. Para termos uma compreensão mais ampla do assunto, vamos estudar alguns pontos básicos, que foram desenvolvidos por Deus desde o início do povo de Israel.

1. APRENDENDO COM UM GRANDE PROFESSOR

Desde o início do Gênesis, o ser humano busca conhecer a Deus para cultuá-lO de maneira a deixá-lO feliz. Só que as tentativas nem sempre agradaram ao Senhor (Gn 4:3-5). Apesar de o homem ter sido criado para o louvor da glória de Deus (Is 43:21 "ao povo que formei para mim mesmo a fim de que proclamasse o meu louvor"), ele NECESSITAVA SER ENSINADO sobre como deveria adorá-lO.

O próprio Senhor foi o professor. Ele inicia esse ensino no Velho Testamento e continua através do Novo Testamento. Precisamos entender duas coisas importantes:

  • A Revelação de Deus é PROGRESSIVA: ou seja, Ele começa a revelar Sua Pessoa e como agradá-lO em Gênesis e vai acrescentando progressivamente, detalhe por detalhe a cada livro da Bíblia, usando homens inspirados por Ele, terminando no Apocalipse. Agia assim, para que o povo assimilasse Suas informações aos poucos. Por exemplo: se o povo que estivesse vivendo na época do Gênesis, ouvisse sobre as revelações dos "finais dos tempos" de Apocalipse, sem ter obtido as informações dos livros anteriores, poderia ficar apavorado e confuso. Daí, Deus revelar aos poucos e progressivamente o Seu querer.

  • O Novo Testamento, interpreta o Velho Testamento: como já vimos, se a revelação de Deus é progressiva, o que vem a partir de Jesus no N.T., é uma informação mais recente e que traz esclarecimentos e explicações importantes, sobre o que o Senhor ensinou no Velho Testamento. Cristo, sendo uma Pessoa da Trindade, chamado de "Emanuel" (Deus conosco), viveu entre nós revelando a vontade do Pai, como ninguém poderia ter feito melhor. Assim, as informações do N.T. interpretam as do V.T.

    Analisaremos a seguir, alguns pontos importantes da Adoração, que foram dados no Velho Testamento e suas diferenças com o ensino do Novo Testamento.

    2. QUAL É O DIA CERTO PARA A ADORAÇÃO ?

    A Adoração no Velho Testamento, muitas vezes era expressa em eventos comemorativos, que eram determinados por Deus. Não eram "cultos opcionais" (que poderiam ou não ser realizados), mas sim obrigatórios ! Eram parte da "didática" do Senhor para instruir o Seu povo, como se Ele dissesse: "Prestem muita atenção: isto é importantíssimo para aprenderem a como relacionar-se comigo!".

    Havia um "tempo certo" para adorar e buscar a Deus. Estes cultos eram considerados partes centrais na adoração. Os eventos passados, nos quais o Senhor agira e que eram lembrados nestas festas ou dias especiais, nunca deveriam ser esquecidos. (Nm 29:39 "Estas coisas oferecereis ao Senhor, nas vossas festas fixas, além dos vossos votos e das vossas ofertas voluntárias, para os vossos holocaustos, as vossas libações e as vossas ofertas pacíficas"). Havia o sacrifício diário (Nm 28:1-8), o descanso do Sábado (Ex 20:11), os primeiros dias do mês (Nm 28:11), o ano do jubileu (Lv 25:10-13) e as festas anuais (Lv 23).

    As festas comemorativas, mencionadas no V.T. eram:

  • Festa da Páscoa - (Lv 23:4-5) comemorava o livramento do povo da escravidão no Egito. Era anual.

  • Festa do Pentecostes - (Dt 16:9-12) também chamada de Festa das "Semanas", da "Colheita", e das "Primícias". Anual.

  • Festa dos Tabernáculos - (Lv 23:33-44) lembravam o tempo em que habitaram em tendas no deserto. Anual.

  • Festa do Sábado - (Lv 23:2,3) dia de descanso e de alegria. Semanal.

  • Dia das Trombetas - (Nm 29:1) em Lv 23:23,24 é chamado de dia "memorial". Anual.

  • Dia da Expiação - (Lv 23:26,27) dia em que deveriam se humilhar pelos seus pecados. Anual.

  • Festa de Purim - Descrita no livro de Ester, cap. 9. Comemoram o livramento de Deus ao Seu povo, não permitindo que fossem exterminados, nos dias do rei persa Assuero. Anual.

    Para os cristãos da Nova Aliança com Deus no Novo Testamento, as "festas fixas" também chamadas de "tempos designados", foram rompidas. O "tempo" (em grego "kairós") é fundamental, por causa da salvação que Deus proporcionou na História. O tempo perdeu seu significado sacro : a visão cristã santificou todos os tempos. Ou seja, o N.T. considera que o nosso "dia especial", não é apenas o sábado, ou qualquer outro dia comemorativo do V.T. - agora TODOS os dias são especiais e devem ser vividos como um "culto" na presença de Deus !

    A Igreja Judaica continuou a observar os sábados e celebrar as festividades, mas a motivação era meramente um fenômeno cultural. A celebração cristã do significado do sacrifício na cruz, que liberta o homem do pecado, transpõe ao tempo e deve ser contínua. Todo o momento é tempo para celebrar a Cristo.

    Na visão do N.T., o mundo físico e material deve ser encarado do ponto de vista espiritual. Não há mais diferença sobre o momento mais apropriado para adoração. Toda nossa vida, quer seja em relação ao trabalho, estudos, relacionamento com os familiares, afazeres domésticos ou em relação às nossas atitudes de oração, cantar louvores, ir à igreja etc, tudo deve ser uma celebração da nossa vida em Cristo.

  • 1Co 10:31 "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus".

  • 3. QUAL É O LOCAL CERTO PARA A ADORAÇÃO ?

    No Velho Testamento, alguns encontros com Deus ficaram marcados na mente do povo de Israel. Um destes exemplos é o monte Sinai, onde Moisés recebeu os 10 mandamentos (Ex 19:10-11,18). Lembram-se do que disse a mulher Samaritana, na conversa com Jesus ? O que ela entendia sobre "adoração", era semelhante à compreensão do povo judeu na Antiga Aliança : de "adorar em um monte" ou em um local determinado (Jo 4:20).

    O Senhor, continuando na didática de revelar-se progressivamente, escolheu locais especiais para Se manifestar, no decorrer da história de Israel, como por exemplo o Tabernáculo (Ex 25:8,9)e o Templo (2Cr 7:1-3), que foram lugares de Adoração.

    A situação muda completamente no Novo Testamento : Jesus diz que "o local" não seria o mais importante, quando se trata de cultuar a Deus (Jo 4:21-24). O apóstolo Paulo também declara que "Deus não habita em templo feito por mãos humanas" (At 17:24-25).

    Anularam-se as distinções geográficas "santas", com o evento da ressurreição de Jesus e da descida do Espírito Santo. A Glória de Deus ("Shekinah"), antes localizada no Templo, habitou em Cristo (Jo 1:14) e foi compartilhada com todos os que nEle habitam (Jo 17:22).

    Paulo identifica a Igreja como sendo aqueles que em todo lugar, invocam o nome do Senhor Jesus Cristo (1Co 1:2) ou seja, a assembléia dos santos. Após converterem-se, são habitados pelo Espírito Santo e seus corpos são chamados de "santuário de Deus" (1Co 3:16 e 6:19). Os membros da Igreja precisam se reunir, para se edificarem uns aos outros (1Co 14:26). Assim, no N.T. a Igreja são as PESSOAS e não UM LOCAL.

    Devemos lembrar que a Igreja Primitiva foi violentamente perseguida no Império Romano. Não tinham liberdade para se reunir e cultuar ao Senhor. Não tinham Templos e estavam espalhados por várias partes do mundo. Sabe onde se reuniam ? Nas "catacumbas" (cemitérios subterrâneos), que por estarem escondidas, não sofriam tanta vigilância dos soldados.

    Os primeiros cristãos sentiram-se à vontade para louvar a Deus "até no cemitério" (foi necessário, devido à perseguição), porque o "lugar de adoração" no Novo Testamento, poderia ser "qualquer lugar", onde a assembléia dos santos se reunisse !

    4. O QUE DEVE SER OFERECIDO A DEUS ?

    O Velho Testamento mostra por diversas vezes, que o homem não deveria aproximar-se de Deus, sem que tivesse algo para ofertar. Muitas vezes, as ofertas eram relativas às colheitas que tinham, outras vezes visavam o suprimento dos levitas e sacerdotes. Mas a oferta feita em reconhecimento ao arrependimento, pelo pecado praticado por alguém, invariavelmente era o "sacrifício de um animal".

    A morte e o sangue derramado por um animal inocente, também faziam parte da "didática progressiva" de Deus. O Senhor não é alguém cruel e que não gosta de animais, muito pelo contrário ! Foi Ele quem fez os animais para povoarem a Terra, colocando ao homem para cuidar deles. Caso não gostasse dos animais, não precisaria ter feito uma variedade tão grande deles ! Na didática divina, Ele quis que o ser humano entendesse que seu pecado, seu afastamento da vontade de Deus, exigia um arrependimento e uma "retratação" diante de Deus.

    Por que havia a necessidade do sangue de um animal inocente ? Exatamente porque este animal prefigurava o que aconteceria com Jesus Cristo no N.T., que foi humilhado e morto brutalmente, derramando Seu sangue inocente na Cruz. Cristo foi o último sacrifício, o último Cordeiro (chamado "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" - Jo 1:29), sendo morto para que nós pudéssemos HOJE ser aceitos na presença do Pai (Hb 10:19-22). Apenas através do Servo Sofredor, o Filho de Deus, é que qualquer pecador tem livre e pleno acesso à presença de Deus (Rm 5:1,7-11). Cabe a nós, sermos gratos pelo sacrifício que Cristo fez na cruz, pois sendo inocente e não tendo pecado, deu Sua vida para nós nos reconciliássemos com Deus.

    5. QUEM PODE OFERECER UM CULTO A DEUS ?

    O sacerdócio no Velho Testamento, era o trabalho exercido no Templo, por pessoas escolhidas por Deus, que realizavam os sacrifícios e festas, como uma parte essencial ao rito estabelecido pelo Senhor. Só através da intermediação do sacerdote é que o povo poderia adorar ao Senhor. Os sacerdotes eram pontes vivas entre o Deus Santo e o homem pecador.

    Deus tinha confiado a Israel os Seus "oráculos" ou seja, Suas Escrituras reveladas (Rm 3:2), a nação foi consagrada como um "reino de sacerdotes" (Ex 19:6). A missão de Israel consistia em tornar o nome e a vontade de Deus, conhecidos por todas as nações. Assim sendo, os judeus tinham a mensagem a ser entregue (as Escrituras) e a autoridade para falar em nome do Senhor.

    Entretanto, o povo que deveria exercer as funções de "sacerdotes", fracassou diante desta missão no V.T.

    Outros judeus fiéis a Deus, continuaram este projeto no Novo Testamento e com pleno sucesso : Jesus Cristo e seus discípulos, mudaram o mundo pregando as Palavras de Deus !

    Através de sua união com Cristo, a Igreja tornou-se um "reino" e seus membros "sacerdotes". O novo Israel (formado por salvos em Jesus, de todas as nações), tem a responsabilidade de executar a missão original do Antigo Israel, isto é, proclamar ao mundo as "virtudes daquele que vos chamou das trevas para Sua maravilhosa luz" (1Pe 2:9).

    A Igreja de Cristo é composta por sacerdotes. Esta função "sacerdotal", não é apenas do pastor ou da liderança da comunidade - é de TODOS os membros. O trabalho da Igreja será sempre direcionado a glorificar a Deus, mas também tem a função de ministrar em favor dos homens, através da intercessão. Outro ministério sacerdotal da Igreja, é o de ajuda mútua. Nas páginas do Novo Testamento, acumulam-se cerca de 35 exemplos de responsabilidade mútua, indicados pela frase "uns aos outros". As reuniões públicas da Igreja devem ter constantemente estes objetivos em vista.

    CONCLUSÃO :

    O Novo Testamento faz o desafio a nos apropriarmos do verdadeiro conceito de Adoração. Todo salvo por Cristo faz parte do grupo de "sacerdotes reais", que vivem para adorar ao Senhor e levar o Evangelho ao mundo. Para honra e glória de Deus, falamos, escrevemos, trabalhamos, brincamos, comemos e dormimos. Pois Ele é digno de toda força de vida que pulsa dentro de nós. Todos os pensamentos, palavras e atos devem ser realizados como Adoração, porque o Cordeiro (Jesus Cristo) é "digno de receber o poder, a riqueza e a sabedoria, força, honra, glória e louvor" (Ap 5:12).



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