Nos últimos tempos a mídia noticiou um sem-número de desabafos. Até o presidente FHC queixou-se de estar quase nos limites (humm, resistirei à tentação de falar desse livro genial).
Vou me deixar dominar pelo sentimento que pervadiu o coração do editor nas confissões da última edição e percorrer a mesma trilha.
A ONU divulgou recentemente um ranking de 174 países, avaliados pelo “desenvolvimento humano”, uma combinação de indicadores de educação, saúde e renda. O Brasil está em 79° lugar. Se fosse uma lista de seleções de futebol certamente estaríamos em lugar de destaque, mesmo com as atuações sob a batuta de Luxemburgo.
“E daí?”, pode perguntar um leitor que não leu a notícia, amplamente divulgada. O problema é quando olhamos para cima, no caso, para os países que estão à nossa frente. Só para ficar na América Latina, temos, em ordem crescente, Chile (34°), Argentina (39°), Uruguai (40°), Costa Rica (45°), Venezuela (48°), México (50°) e, pasmem, Cuba (58°).
Diante de um quadro grave, muitos equivocadamente preferem criticar o termômetro, ou mesmo jogá-lo fora, na vã esperança de resolver o problema da febre. Não é o nosso caso. Quando optamos produzir uma revista literária, sabíamos que havia verdades profundas a ser reverberadas no meio do povo evangélico, que extrapolam o conteúdo dos livros que a Vidamix precipuamente tem o intento de divulgar.
Muito já se aludiu aos efeitos econômicos que a influência calvinista dissemina nos países desenvolvidos, por meio dos protestantes. Diante dos descalabros que nossa nação ainda vive, o crescimento da população evangélica precisa ultrapassar as fronteiras numéricas e traduzir-se numa melhora desse paciente chamado Brasil.
Não creio que a solução seja algo complicado. O que é simples, ensinou Camus, nos supera. Tampouco pressupõe a adoção de impostos (mais?) Robin Hood, para erradicar a miséria. O povo brasileiro tem fome e sede. Aliás, essa sede é literal, pois a única bebida cujas vendas estão crescendo nos últimos meses é a água.
Mais uma vez temos problemas quando olhamos pra cima. O mandatário a quem confiamos o cuidado do país anda tropeçando e, pior, vários desses passos trôpegos propagam seus efeitos sobre crédulos e incréus.
Apesar do pedido para esquecer o que ele escreveu anteriormente, não dá pra esquecer a mão espalmada que protagonizou várias bonitas peças da campanha eleitoral. Para uma grande parcela, essa mão continua estendida, porém espalmando o lombo popular com altíssimos níveis de desemprego. Estranhamente, essa mesma mão seletiva continua aberta e benemerente quando se trata de ajudar banqueiros e fábricas de automóveis.
Para quem não consegue entender os altos e baixos da atuação presidencial, vale lembrar a explicação que ele deu há pouco tempo: há componentes de candomblé e vodu no meio.
Aos que não têm a felicidade de ter o Senhor Jesus como principal acionista na Cia. da Vida S/A, resta levantar as mãos para os céus, ou apelar para o misticismo barato que ainda ocupa um imenso espaço no coração do povo.
Já nós, crentes, temos mais recursos à disposição. A solução é olhar para cima, (agora sim!) e não encolher as mãos quando são requeridas. Temos a oportunidade de semear a Palavra de Deus e bons livros, o único duo literário que verdadeiramente transforma vidas.
Somos ovelhas, porém nos foi dado o dom da visão, no contexto mais amplo da palavra. Nessa direção, estamos juntando as mãos e cobrindo o Palácio do Planalto com orações. Além disso, não nos esquecemos de temperar essa terra abençoada com sal. Este, como se sabe, arde ao entrar em contato com feridas.
Coração aliviado, reflito e vejo que a tarefa é por demais agigantada. Como lenitivo, lembro-me do ensinamento de um religioso, citado há alguns anos pelo intrépido Franco Montoro, falecido em julho: “O importante é você se considerar um zé-ninguém a serviço de uma grande obra”.
É a minha deixa para levantar as mãos (e estas páginas da Vidamix) e dizer, reprisando o profeta Isaías: Eis-nos aqui, Senhor!
Eude Martins, Diretor Executivo