"O Matador", de Patrícia Melo : uma verdadeira bomba-relógio!
| Reprodução |
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| capa do livro "O Matador", de Patrícia Melo |
por Sidnei Martins
borage@uol.com.br
O ano era 1994 quando a jovem Patrícia Melo (uma das representantes
brasileiras no último Salão do Livro de Paris, que teve o país como tema),
chamava a atenção com seu primeiro romance "Acqua Toffana". O sucessor seria
"O Matador" (Companhia das Letras) , lançado no ano seguinte, em que a
autora apresenta um pequeno estudo sobre os mecanismos da violência
sociocultural, analisando alguns aspectos referentes ao tema como quem
disseca um cadáver já dilacerado. Compreende um sentido muito amplo para o
assunto e aprofunda a discussão presente em sua estréia. Não é o mais
recente, mas talvez seja um interessante cartão de visita, pela forma como
conduz essa problemática.
Criticada por alguns pelo uso de certa influência pop em sua linguagem
fragmentada, a escritora revela ao leitor - quase sem fôlego - um painel
multidimensional do universo no qual o protagonista está inserido (ou
excluído?). Sem abdicar de um humor corrosivo, que funciona por vezes como
contraponto estilístico a acentuar nuanças, a narrativa expõe um época onde
o humanismo perdeu a aposta, num jogo de cartas marcadas. Qual a perspectiva
do Homem aprisionado diante do destino?
Qual o horizonte que se oferece como cenário? Ou como bem assinala a curta
resenha que acompanha o volume de capa vermelho-sangue: "uma estranha ordem
inscrita numa espécie de código genético-social, onde não há fronteira
definida entre amor e ódio."
Aqui o livro assume sua dimensão trágica, desenvolvida ao longo da
trajetória de um matador profissional como foca para abordar questões
contemporâneas, utilizando o cotidiano urbano como pano de fundo.
Se houvesse correspondente cinematográfico para a literatura proposta em "O
Matador" este seria "Pixote", por sua temática e pelo impacto que suas
reflexões provocam. Note ainda que esta é uma obra de ficção em que qualquer
semelhança com fatos reais NÃO é mera coincidência.
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Saiba mais sobre a escritora:
Patrícia Melo estreou em ficção em 94 com o livro "Acqua Toffana". Nasceu em
Assis - SP em 1962. Na TV trabalhou em programas educativos da Rede Globo.
Fez a minissérie "Colônia Cecília", na Rede Bandeirantes e a novela "A
Banqueira do Povo", na Rádio e Televisão Portuguesa. No teatro adaptou
"Doença da Morte", de Marguerite Duras e escreveu "Duvidae", que foi
encenada por Luciana Chauí.
Seus livros editados pela Companhia das Letras:
"Acqua Toffana" - 136 pp. 1994.
"O Matador" - 204 pp. 1995.
"Elogio da Mentira" - 184 pp. 1998.
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Sidnei Martins é coordenador de eventos do Sesc Bertioga - SP.
Líricas
| Divulgação |
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| O cantor e compositor Marcelo Silva |
por Marcelo Silva
ma.silva@uol.com.br
Um Gesto tão Doce (1990) - Uma das minhas primeiras e mais pedidas
composições. Utilizando metáforas, descrevo a sensação do desejo de beijar
alguém, quando se está enamorado.
A LETRA:
Raramente exposta a tua face na rua
A minha boca na Lua, na tua boca rosa
Sei que há num beijo muito mais que um gesto
Tudo o que eu desejo é a tua boca rosa
Estrelas no céu da boca e no meu céu estrela....você!
Meiga, a cor da boca
O lábio e a mente
Rosa linda, como a Lua solta pelo céu
A minha boca na tua e nós dois na Lua
Sonhando na Lua um beijo na boca
Quem é que não sonharia um gesto tão doce assim?
Terra à Vista (1993) - Essa canção foi composta especialmente para a
abertura de um show chamado Urbanuns (1993/1994). Na época, a mídia
evidenciava problemas sociais na cidade do Rio de Janeiro, cartão postal do
Brasil. Fala sobre o não amor dos paulistanos aos cariocas e a cidade do
Rio. Ao fina, faço umal citação a Tom Jobim, mestre melhor cantou a cidade
maravilhosa.
A LETRA:
Terra à Vista, mista, toda terra
Cristã, Cristo Redentor
Vista-se com a melhor peça de pano
e admire a visão sob o céu
Mesmo azul que reflete brilhante a firmeza de um olho seu
Se o teu pé já cansado descansa sobre o seu rumo, como na cama
Crê no popular ditado e chega: "Quem tem boca vai à Roma"
Quando há soma dos passos à sombra dos fatos
É outro problema
Se as cores já não se trançam e se as formas já não combinam
Ajoelhe e faça uma prece que a vida cresce e caminha
Dando a mesma essência e visando a importância
da teia que tece a aranha
Quando o rosto de alguém estampar a realidade plena
Pra surpresa da dor diária: a semente e a expansão do amor,
Pra certeza da cor primária: a beleza e a visão da flor
"Olha! Está chovendo na roseira...."
Marcelo Silva é paulistano. Nasceu em junho de 1971.Em 1989 iniciou a
carreira profissional e, a partir daí, se apresentando em vários espaços da
capital (SP) e Europa. Atualmente, apresenta-se acompanhado de sua banda,
com o show "Como de Costume" e prepara repertório para a gravação de seu
primeiro CD.