Ano 1 - nº 2 
18 de dezembro/98 a 01 de janeiro/99 
   Líricas
"O Matador", de Patrícia Melo : uma verdadeira bomba-relógio!
Reprodução
capa do livro "O Matador", de Patrícia Melo
por Sidnei Martins
borage@uol.com.br

O ano era 1994 quando a jovem Patrícia Melo (uma das representantes brasileiras no último Salão do Livro de Paris, que teve o país como tema), chamava a atenção com seu primeiro romance "Acqua Toffana". O sucessor seria "O Matador" (Companhia das Letras) , lançado no ano seguinte, em que a autora apresenta um pequeno estudo sobre os mecanismos da violência sociocultural, analisando alguns aspectos referentes ao tema como quem disseca um cadáver já dilacerado. Compreende um sentido muito amplo para o assunto e aprofunda a discussão presente em sua estréia. Não é o mais recente, mas talvez seja um interessante cartão de visita, pela forma como conduz essa problemática.

Criticada por alguns pelo uso de certa influência pop em sua linguagem fragmentada, a escritora revela ao leitor - quase sem fôlego - um painel multidimensional do universo no qual o protagonista está inserido (ou excluído?). Sem abdicar de um humor corrosivo, que funciona por vezes como contraponto estilístico a acentuar nuanças, a narrativa expõe um época onde o humanismo perdeu a aposta, num jogo de cartas marcadas. Qual a perspectiva do Homem aprisionado diante do destino?

Qual o horizonte que se oferece como cenário? Ou como bem assinala a curta resenha que acompanha o volume de capa vermelho-sangue: "uma estranha ordem inscrita numa espécie de código genético-social, onde não há fronteira definida entre amor e ódio."

Aqui o livro assume sua dimensão trágica, desenvolvida ao longo da trajetória de um matador profissional como foca para abordar questões contemporâneas, utilizando o cotidiano urbano como pano de fundo.

Se houvesse correspondente cinematográfico para a literatura proposta em "O Matador" este seria "Pixote", por sua temática e pelo impacto que suas reflexões provocam. Note ainda que esta é uma obra de ficção em que qualquer semelhança com fatos reais NÃO é mera coincidência.

Saiba mais sobre a escritora:
Patrícia Melo estreou em ficção em 94 com o livro "Acqua Toffana". Nasceu em Assis - SP em 1962. Na TV trabalhou em programas educativos da Rede Globo. Fez a minissérie "Colônia Cecília", na Rede Bandeirantes e a novela "A Banqueira do Povo", na Rádio e Televisão Portuguesa. No teatro adaptou "Doença da Morte", de Marguerite Duras e escreveu "Duvidae", que foi encenada por Luciana Chauí.

Seus livros editados pela Companhia das Letras:
"Acqua Toffana" - 136 pp. 1994.
"O Matador" - 204 pp. 1995.
"Elogio da Mentira" - 184 pp. 1998.

Sidnei Martins é coordenador de eventos do Sesc Bertioga - SP.

Líricas

Divulgação
O cantor e compositor Marcelo Silva
por Marcelo Silva
ma.silva@uol.com.br

Um Gesto tão Doce (1990) - Uma das minhas primeiras e mais pedidas composições. Utilizando metáforas, descrevo a sensação do desejo de beijar alguém, quando se está enamorado.

A LETRA: 
Raramente exposta a tua face na rua
A minha boca na Lua, na tua boca rosa
Sei que há num beijo muito mais que um gesto
Tudo o que eu desejo é a tua boca rosa

Estrelas no céu da boca e no meu céu estrela....você!

Meiga, a cor da boca
O lábio e a mente
Rosa linda, como a Lua solta pelo céu

A minha boca na tua e nós dois na Lua
Sonhando na Lua um beijo na boca

Quem é que não sonharia um gesto tão doce assim?

Terra à Vista (1993) - Essa canção foi composta especialmente para a abertura de um show chamado Urbanuns (1993/1994). Na época, a mídia evidenciava problemas sociais na cidade do Rio de Janeiro, cartão postal do Brasil. Fala sobre o não amor dos paulistanos aos cariocas e a cidade do Rio. Ao fina, faço umal citação a Tom Jobim, mestre melhor cantou a cidade maravilhosa.

A LETRA:
Terra à Vista, mista, toda terra
Cristã, Cristo Redentor
Vista-se com a melhor peça de pano
e admire a visão sob o céu
Mesmo azul que reflete brilhante a firmeza de um olho seu

Se o teu pé já cansado descansa sobre o seu rumo, como na cama
Crê no popular ditado e chega: "Quem tem boca vai à Roma"
Quando há soma dos passos à sombra dos fatos
É outro problema

Se as cores já não se trançam e se as formas já não combinam
Ajoelhe e faça uma prece que a vida cresce e caminha
Dando a mesma essência e visando a importância
da teia que tece a aranha

Quando o rosto de alguém estampar a realidade plena
Pra surpresa da dor diária: a semente e a expansão do amor,
Pra certeza da cor primária: a beleza e a visão da flor

"Olha! Está chovendo na roseira...."

Marcelo Silva é paulistano. Nasceu em junho de 1971.Em 1989 iniciou a carreira profissional e, a partir daí, se apresentando em vários espaços da capital (SP) e Europa. Atualmente, apresenta-se acompanhado de sua banda, com o show "Como de Costume" e prepara repertório para a gravação de seu primeiro CD.
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