Chico Buarque merecia mesmo uma home page que, diga-se de passagem, demorou
pra sair. Fãs, admiradores e amantes da música popular brazuca pediram e
aplaudiram de pé o projeto deste megasite (www.chicobuarque.com.br).
Ao acessar a página principal, o internauta tem a impressão de que está
diante do maior acervo de uma personalidade nacional, embalado em papel de
presente chique. Mas o que não sabe é que chegar até as informações vai
custar muito tempo e paciência.
O site é lindo, tem conteúdo completo, mas peca pelas dificuldades na
navegação. Para se ter uma idéia, já na primeira página a home page traz um
item chamado "como navegar", inaugurando a era dos sites com bula. Seria
prontamente contra-indicado, não fosse a genial carreira artística ali
arquivada, mérito exclusivo de Chico Buarque.
O ápice da falta de praticidade está na seção "Vida", dedicada à biografia
do cantor e compositor, que além da já citada cartilha que acompanha as
páginas, traz ainda cinco parágrafos explicando o que e como o visitante vai
ver ali. Um exemplo: "Cada item destacado leva a um texto complementar, que
aparece na janela superior direita ...", diz o texto. Dá para acreditar?
Em "Sanatório Geral", a loucura virtual também predomina. Um amontoado de
cores e frases remetem o internauta para um autêntico "samba do crioulo
doido". Sem ler a bula, não há chances de entender o que se passa ali, antes
de verificar cada um dos links. Sem mencionar o peso das páginas, que tornam
a navegação lenta.
Toda a produção de Chico, seja na música, no teatro, na literatura ou no
cinema está em "Obra". Embora seja a seção mais lógica do site, apresenta
links intermináveis a cada novo clique, o que pode tirar o fôlego de quem
procura um disco específico e precisa da resposta rapidamente.
Aí vão falar que para esses casos há um sistema de busca. E tem mesmo.
Resolvi testar e pesquisei a palavra "Carolina", só para saber em qual disco
foi gravada. O índice me respondeu com 41 ítens dentro do site. Fui clicando
e descobri que a música é de 1967. Mais alguns cliques e soube que fora
gravada no disco "Chico Buarque de Hollanda", de 1968, título que vem
acompanhado de um tal Volume "qualquer coisa", ilegível na foto minúscula da
capa do álbum. Moral da história: se tivesse optado por um índice de busca
convencional, certamente teria a resposta mais rapidamente.
Com entrevistas e depoimentos, a seção "Textos" é a mais, digamos,
navegável. Mas ainda assim esquece de um detalhe: o título dos artigos
disponíveis. A página traz veículo e data da publicação, mas do que resolve
ver um índice cheio de "Folha de S.Paulo (1900 e qualquer coisa)"?. Não
seria mais útil incluir na tal listagem o assunto do texto, título ou seja
lá o que for?
Com tantas observações só dá pra chegar a uma conclusão: os responsáveis
pela confecção da página, sejam Webmasters ou Webdesigners, privilegiaram
seus próprios trabalhos em detrimento da magnífica obra de Chico Buarque.
Puro ego virtual, só superado pelo excelente trabalho de pesquisa que
justifica a existência do site.