O CD "Orquestra Popular de Câmara", lançado recentemente pelo selo Núcleo
Contemporâneo reuniu músicos de diferentes tendências para formar uma
inusitada orquestra. O trabalho juntou a viola caipira de Paulo Freire e o
piano de Benjamim Taubkin, a flauta de Teco Cardoso e o acordeon de
Toninho Ferragutti, o sax de Mané Silveira e o pandeiro de Guelo, o bandolim de
Ronie Altman e o violoncelo de Dimos Goudaruoulis, para tocar, entre
outros temas, o "Gaúcho - Corta Jaca", de Chiquinha Gonzaga.
É um pouco estranho imaginar uma orquestra composta por instrumentos que
aparentemente não soariam bem juntos, ou que, por serem de origens
diferentes, não poderiam estar lado a lado. Mas não é isso que sentimos ao
ouvir o CD.
O resultado dessa junção é algo assim como "o nascimento de um novo
movimento musical, com base na associação de excelentes instrumentistas que
realizam arranjos originais e inovadores", segundo o texto de apresentação
do CD, assinado por Roberto Freire.
De fato, ouvindo o CD nos sentimos diante de um trabalho instrumental de
rara beleza. A unidade entre as faixas dá a continuidade necessária para
que o ouvinte chegue até o final, ao mesmo tempo que a diversidade dos temas
surpreende. Os arranjos contam com o talento dos músicos e mostra a
criatividade individual de cada um.
Participam também Mônica Salmaso, cantando temas em vocalizes, Silvio
Mazzuca Jr., Lui Coimbra, Caíto Marcondes, Naná Vasconcelos e Zezinho
Pitoco.
Gravadora quer privilegiar bons trabalhos em música
Em entrevista a Revista Interativa Borage, Mané Silveira, que entre outras
atividades cuida da divulgação do Núcleo Contemporâneo, disse quais são as
diretrizes da gravadora, que pode ser visitada no endereço http://www.nucleo.art.br
"O Núcleo pretende estar a serviço da música, o que é a grande dificuldade
do músico instrumentista, arranjador e compositor, que tem trabalhos
autorais e quer lançar seu CD. A gente quer privilegiar os trabalhos bons
em música, que sejam significativos, tanto os mais atuais como de outras
épocas. Dentro do Núcleo temos um braço que se chama Memória brasileira,
onde foram gravados os CDs "Memória do Piano Brasileiro", "Arranjadores" e
"Violões", entre outros".
"A idéia é dar a devida importância àquilo que a gente faz e à cultura
brasileira, porque existe um ponto básico que não podemos negar, que é o
fato da arte ser uma necessidade do ser humano, da sociedade. Então a gente
tem que encontrar mecanismos cada vez mais eficientes para expressar o
nosso trabalho e o de pessoas que estão produzindo em São Paulo e no país",
acrescenta o músico.