Ano 1 - nº 3 
14 de janeiro a 29 de janeiro/99 
  
Orquestra Popular de Câmara: uma janela para a música do Brasil
Reprodução
Uma inusitada Orquestra Popular de Câmara

por Laura Campanér
borage@uol.com.br

O CD "Orquestra Popular de Câmara", lançado recentemente pelo selo Núcleo Contemporâneo reuniu músicos de diferentes tendências para formar uma inusitada orquestra. O trabalho juntou a viola caipira de Paulo Freire e o piano de Benjamim Taubkin, a flauta de Teco Cardoso e o acordeon de Toninho Ferragutti, o sax de Mané Silveira e o pandeiro de Guelo, o bandolim de Ronie Altman e o violoncelo de Dimos Goudaruoulis, para tocar, entre outros temas, o "Gaúcho - Corta Jaca", de Chiquinha Gonzaga.

É um pouco estranho imaginar uma orquestra composta por instrumentos que aparentemente não soariam bem juntos, ou que, por serem de origens diferentes, não poderiam estar lado a lado. Mas não é isso que sentimos ao ouvir o CD.

O resultado dessa junção é algo assim como "o nascimento de um novo movimento musical, com base na associação de excelentes instrumentistas que realizam arranjos originais e inovadores", segundo o texto de apresentação do CD, assinado por Roberto Freire.

De fato, ouvindo o CD nos sentimos diante de um trabalho instrumental de rara beleza. A unidade entre as faixas dá a continuidade necessária para que o ouvinte chegue até o final, ao mesmo tempo que a diversidade dos temas surpreende. Os arranjos contam com o talento dos músicos e mostra a criatividade individual de cada um.

Participam também Mônica Salmaso, cantando temas em vocalizes, Silvio Mazzuca Jr., Lui Coimbra, Caíto Marcondes, Naná Vasconcelos e Zezinho Pitoco.

Gravadora quer privilegiar bons trabalhos em música

Em entrevista a Revista Interativa Borage, Mané Silveira, que entre outras atividades cuida da divulgação do Núcleo Contemporâneo, disse quais são as diretrizes da gravadora, que pode ser visitada no endereço http://www.nucleo.art.br

"O Núcleo pretende estar a serviço da música, o que é a grande dificuldade do músico instrumentista, arranjador e compositor, que tem trabalhos autorais e quer lançar seu CD. A gente quer privilegiar os trabalhos bons em música, que sejam significativos, tanto os mais atuais como de outras épocas. Dentro do Núcleo temos um braço que se chama Memória brasileira, onde foram gravados os CDs "Memória do Piano Brasileiro", "Arranjadores" e "Violões", entre outros".

"A idéia é dar a devida importância àquilo que a gente faz e à cultura brasileira, porque existe um ponto básico que não podemos negar, que é o fato da arte ser uma necessidade do ser humano, da sociedade. Então a gente tem que encontrar mecanismos cada vez mais eficientes para expressar o nosso trabalho e o de pessoas que estão produzindo em São Paulo e no país", acrescenta o músico.

CAPA