No mês de fevereiro, em plena véspera de carnaval, São Paulo vai abrigar um
encontro de craques da música vocal, no que foi chamado de "Painel de
Arranjos Vocais". Composto de palestras, shows e cursos sobre o tema, esse
encontro, idealizado pelo Centro Experimental de Música do SESC Consolação,
trará entre outros profissionais da área (saiba mais no box abaixo), o
pianista e arranjador Severino Filho, que vai falar de sua vida como
arranjador de sua atuação com "Os Cariocas", num bate-papo com o público.
Completando 51 anos de carreira, Severino Filho, disse, em entrevista para a
Revista Interativa Borage, que vai ouvir os grupos vocais que lá estiverem,
fazendo uma avaliação de seus trabalhos e dando dicas sobre como idealizar e
fazer arranjos.
Borage: Como foi o começo de tudo em sua carreira?
Severino Filho: Comecei minha carreira junto a um grupo de estudantes que se
reunia para ouvir discos das Big Bands americanas e para cantar. A coisa ia
amadoristicamente até que em 1947 fizemos um teste na Rádio Nacional do Rio
de Janeiro e fomos aprovados. Ficamos vinte e um anos trabalhando por lá.
Foi quando em comecei a estudar música a sério. Tive como professor J.
Koellreuter e me formei como arranjador e maestro.
Borage: E quanto a sua atuação no grupo vocal "Os Cariocas" ?
Severino: O grupo teve diversas formações, porém no começo da Bossa Nova na
primeira formação, eu já atuava como arranjador, fazendo também primeira voz
e piano, o Badeco, fazia a segunda voz e violão, o Jorge Guardera, terceira
voz e bateria e o Luiz Roberto, quarta voz e contrabaixo acústico.
Em 1962 aconteceu o memorável show "O Encontro", reunindo a nata da Bossa
Nova de então. Estavam no palco naquela noite, Tom Jobim, João Gilberto,
Vinícius de Moraes e "Os Cariocas". A partir daí, entramos para história da
Bossa Nova.
Nossas apresentações foram até o ano de 67, quando interrompemos o
trabalho. Retomamos só em 88, mantendo a formação de base, eu e o Jorge
Guardera, e convidamos duas grandes aquisições para o grupo: Eloy Vicente,
fazendo solo, quarta voz e violão, e o caçula do grupo, Neil Teixeira, 29,
na segunda voz e contrabaixo.
Borage: Na sua opinião como está o mercado musical para os novos
arranjadores e grupos vocais?
Severino: Para os que estão ligados a Bossa Nova o panorama não é dos mais
animadores, mas tudo aqui no Brasil é contraditório. Sei que é difícil
projetar um grupo vocal nesse estilo, mas sei também que existe um público
enorme e sedento para ouvir justamente músicas nessa linha. Dá até pra ter
certeza disso, pois na última apresentação d'Os Cariocas" no "Parque Garota
de Ipanema" no Rio, com divulgação da mídia, tivemos mais de três mil
pessoas cantando com a gente as músicas que nos consagraram.
No exterior, em especial nos Estados Unidos, a Bossa Nova é ainda muito
executada e quando "Os Cariocas" se apresentam por lá, são muito bem
recebidos. Fizemos alguns shows com Leni Andrade e outros artistas e a
reação do público foi ótima.
Saiba mais sobre o "Painel de Arranjos Vocais"
Os Encontros com Arranjadores" serão às terças e quintas-feiras, sempre às
17h30.
Dia: 02/02 - Marcos Leite (Garganta)
Dia: 04/02 - Maurício Maestro (Boca Livre)
Dia: 09/02 - Magro (MPB 4)
Dia: 11/02 - Severino Filho
O "Painel de Arranjos Vocais" traz ainda workshops, debates, palestras,
oficinas de arranjo vocal e shows. Para os encontros, palestras e debates a
participação do público é livre e gratuita.
Somente os grupos interessados em mostrar seus trabalhos aos arranjadores
deverão procurar o Centro Experimental de Música do SESC, para se inscrever.
Para os grupos vocais, não serão aceitas inscrições pelo telefone.
Informações e inscrições:
SESC Consolação
R. Dr. Vila Nova, 245 - São Paulo - SP
Tel.: 234 3012 / 234 3013
De segunda a sexta, das 13h às 21h30, e aos sábados, das 9h às 17h30.