Todo mundo está cansado de saber como funciona a indústria musical moderna:
grava-se o trabalho, a gravadora divulga, faz tocar em rádio, o povo canta e
são vendidas milhares de cópias daquele disco. Hoje em dia ninguém "faz"
sucesso, ele é construído. Aí não estão sendo levadas em conta a qualidade
artística, mas sim seu poder de massificação. Apesar disso, e também por
isso, há exceções, raras e felizes. "O Sol de Oslo", mais recente trabalho
de estúdio lançado por Gilberto Gil, é uma delas.
Chamar o disco de mais recente pode parecer estranho, já que as gravações
aconteceram na sua maioria em 1994. É verdade que o público brasileiro só
pode ter contato com a obra em meados de 1998, ano em que o CD recebeu
outras duas faixas, estas gravadas em solo brasileiro e não na longínqua
Noruega, como as outras 12 músicas.
"O Sol de Oslo" reúne Marlui Miranda, Bugge Wesseltoft, Trilok Gurtu,
Rodolfo Stroeter, Toninho Ferragutti e o próprio Gil num disco comovente e
bem acabado. Demorou para ser lançado por que alguns acharam que o disco não
venderia e Gil teve dificuldades em conseguir autorização da gravadora com a
qual mantém contrato.
Então porque falar sobre um disco que foi gravado há quatro anos e que já
foi lançado há mais de seis meses? Por isso mesmo, respondo. Apesar disso
tudo, o disco ainda é desconhecido da maioria do público por não ter tido a
devida divulgação. Foi lançado pela editora e gravadora Pau Brasil, que nem
de perto tem verba para, por exemplo, pagar para ter seus produtos
executados em rádios.
O boca-a-boca tem feito o trabalho dos divulgadores e levado o CD para
dentro das casas. Até porque, quem ouve uma vez o acha irresistível e
indica. É um caso raro da inversão de valores onde o gosto popular
ultrapassa a fronteira das FMs.
Já ouvi dizer que não é fácil encontrar o CD nas lojas. Para o internauta,
uma boa notícia. Basta ir até o site da Pau Brasil e fazer o pedido sem sair de casa. O disco
custa R$ 18. Também é uma excelente oportunidade de visitar a home page da editora, que prima por
qualidade e conteúdo. E no final, ainda vai ter em casa uma das mais belas
produções fonográficas da década.