Ano 1 - nº 5 
20 de fevereiro a 06 de março/99 
Líricas
Renato Grinberg "Sem Fronteiras"

Reprodução
O violonista e compositor Renato Grinberg

por Laura Campanér
borage@uol.com.br

Renato Grinberg, 25, lança o CD "Sem Fronteiras", segundo trabalho de sua carreira. Em sua estréia, o violonista paulista homenageou Caetano Veloso com o CD "Sem Palavras", um passeio pela obra do compositor baiano.

"Sem Fronteiras" vem com um som mais elaborado que o trabalho anterior e conta com a participação, em algumas faixas, de músicos consagrados como Benjamin Taubkin, Toninho Ferragutti e Proveta, que deram aquela tradicional "força", indispensável para quem está começando.

Aqui o violão de Renato está mesclado, em boas doses, a outros instrumentos como flauta, baixo, percussão, bateria, teclados e violoncelo, fazendo o ouvinte viajar mais a vontade nas músicas. São 11 inéditas onde o instrumentista se revela como um compositor influenciado pela música popular brasileira mas também, e quase que na mesma proporção, pela música americana.

De fato, entre os ritmos escolhidos para sustentar suas idéias estão o baião, nas faixas "Do outro Lado" (talvez a mais bela de todas) e "Baião Paulista". Porém em outros momentos sua música se desvia do contexto brasileiro e até da própria linguagem do violão, indo para linhas melódicas de longas notas, como é o caso da romântica "Um dia a gente se encontra", onde o sax faz as vezes do solista.

O CD tem um pouco de tudo, desde a balada "Sem Fronteiras, o "clima" da faixa "Duas Semanas", o sabor do violão clássico em "Inocência", o samba-jazz "Fim de Semana" e o quase samba-canção "Angústias", cujas frases trazem ecos de lembranças misturadas do violão de Baden Powell, Toquinho e Villa Lobos. Influências talvez vindas de quem toca o violão e conhece o repertório do instrumento.

O disco pode se tornar um elo de comunicação da nova música instrumental brasileira com platéias de outros países e isso não está sugerido somente no som, mas também na capa, onde de maneira simpática, o título "Sem Fronteiras" foi escrito em dez idiomas diferentes.

O CD só esbarra em fronteiras de acesso ao público, pois não é encontrado nas lojas e a razão é simples: é um disco independente, feito com o patrocínio do Ministério da Cultura.

"Sem Fronteiras"
Renato Grinberg
Faixas:
1) Sem Fronteiras
2) Do outro Lado
3) Conquista
4) Um dia a gente se encontra
5) Sem compromisso
6) Duas semanas
7) Inocência
8) Fim de semana
9) Angústias
10) Baião Paulista
11) Asa Delta

Compra de CDs por telefone: (011) 887-3000
e-mail: rgrinberg@ecodigit.com.br
home page: http://www.ecodigit.com.br/users/r/renato.grinberg


Líricas
Reprodução
Foto de Lucina no CD "Porque Sim Porque Não?" de Luli & Lucina
por Lucina
borage@uol.com.br

Porque Sim, Porque Não?*

Porque sim
Vale tudo na selva dos sentidos
Porque não
Dois caçadores não se caçam
A cara e a coroa se contestam
E o tempo é pouco
Porque sim
As garras não seguram o nada
Apesar de acreditarmos nas nossas mentiras 
no jogo da vida
é doido perder
nessa terra de feras sem lei

no super real tudo é belo
nas taças do amor
bebemos todo o  sonho
explosão deserta
há um grito em meu peito
meu coração voou de dentro

porque sim
somos mosaicos de momentos
porque não
sempre tentamos penetrar na festa
cravados na mente o sim e o não
na escolha a  gente cresce
ou some de vez

*Acredito que a Arte coloca uma situação universal tendo a ver com o universo pessoal. Quando escrevi essa letra, estava vivendo uma situação de questionamento. Era o meu momento na época quando uma amiga me visitou, olhou pra mim e disse: "Porque sim porque não?". Ela me deu o título e o poema foi feito em seguida. OBS: Esse poema foi musicado pela própria autora e dá título ao CD "Porque sim porque não?" da dupla Luli e Lucina.

Acordo**

Nesse Universo
de atores sem um texto
fiz um acordo comigo
assumo o peso
e o carrego inteiro
e não me negarei mais
ao picadeiro
assim o meu excesso de energia
se escoa
não volta
e se transforma em agonia boa
anjo e demônio
fera e maravilha
público e artista
talento tenho pra ser muitos
muitas vidas
e coragem de mergulhar fundo no mito
deixar os personagens
tomarem seu sentido

** "Este poema foi escrito numa época em que eu estava fazendo teatro. Após escrever o texto para falar numa das aulas, conclui que, nesse mundo, todos nós somos poetas, só que a gente não tem texto. Os atores imitam a gente, nós que somos os atores da história"

OBS: Poema musicado pela cantora e compositora Luli.

CAPA