Seis anos sem um disco de Cláudio Zoli, o soulman carioca que iniciou sua
história popular com "Noite do
Prazer", faixa obrigatória do único álbum do grupo Brylho. Isso lá no início
dos anos 80. Agora, em plena reta
final de milênio, Zoli lança "Férias", seu quarto disco solo, e de longe o
mais interessante.
A sonoridade alcançada neste trabalho equilibra bem o estilo Tim Maia de
Zoli com timbres e recursos bem
contemporâneos, tão familiares do rap dos anos 90. Tem clichês, é claro. Voz
rouca e melodias românticas
permanecem lado a lado de samplers e scratches, tornando "Férias" um disco
ao mesmo tempo dançante e
romântico.
São dez faixas envolventes, do tipo que podem rolar no CD player o tempo
todo. Nove são de Zoli em parceria
com o também expert Bernardo Vilhena. A música que abre e dá título ao CD é
do medalhão Cassiano (em parceria
com Índio, seja ele quem for). Daí já dá pra saber que a intenção de Zoli em
"Férias" é resgatar o bom e velho
funk'n'soul dos tempos de Ben e Maia, temperando com a atitude que os novos
sons necessitam.
Descrever faixa-a-faixa, no caso de "Férias" seria redundante. Todas têm o
mesmo jeitão, a mesma cadência. Não
é uma coletânea. Não tem rock misturado com xaxado, nem viagens jazzísticas.
"É o sangue negro correndo nas
veias desse Rio brasileiro", cantaria Fernanda Abreu.
Ainda assim, o disco tem boas sacadas, começando pelos três "M" nas
mixagens: Marcos Eagle, Marcos Ferrari e
Max de Castro. Numa ouvida básica do disco dá pra sentir a importância que a
união de sons e timbres teve para
o resultado do trabalho.
Outro ponto alto é a inclusão da música "Pista Vazia", gravada por Zoli em
1987 e recuperada de uma fita
cassete por processo de masterização digital. É uma pérola e vale só por
provar que Zoli é Zoli já faz muito
tempo.
*o jornalista Ricardo Fotios é Editor-assistente da estação Personalidades do Universo Online e coloborador da Revista Interativa Borage