Ana Carolina, 24, com cinco anos de carreira, está se destacando pela
inclusão de sua gravação da música "Garganta" (Totonho Villeroy), na
novela "Andando nas Nuvens" da Rede Globo. Foi essa gravação que
possibilitou a Ana Carolina a revelação ao grande público, algo que ela
chama de "amplificação do artista".
Enquanto a mídia impressa compara sua voz grave com a voz das
consagradas cantoras Cássia Eller e Zélia Duncan, ela vai logo afirmando que
em sua formação musical bebeu mesmo foi na fonte da música brasileira
antiga. Segue no tom quase revoltado das canções que gravou em seu CD de
estréia, que vai das inéditas de "Agora ou Nunca" de Arnaldo Antunes, "O
Melhor de Mim" de Frejat em parceira com Paulinho Moska e Dulce Quental e
"Perder Tempo com Você" de Alvin L., passando pelas tradicionais "Retrato em
Branco e Preto"(Chico Buarque/Tom Jobim) e Beatriz (Chico Buarque/Edu Lobo),
até a colagem definitiva dos azulejos do mosaico musical que sua garganta
revelou.
Com vocês, Ana Carolina.
Quais são suas influências musicais?
Sempre gostei das canções antigas de Cartola, Geraldo Pereira e Lupicínio
Rodrigues. Atualmente tenho ouvido o CD do Farofa Carioca e do Otto. Gosto
do Pedro Camargo Mariano e da voz de Ed Motta, como cantor. Gosto muito de
Maria Bethânia, porque parece que sua interpretação é maior que a vida, mas
eu procuro estar antenada com tudo que está acontecendo nessa virada de
milênio, até ouvir CDs de pessoas desconhecidas.
Como surgiu a música "Garganta"?
Essa música o Totonho fez pra mim num show em Belo Horizonte. Ele estava lá
assistindo e a gente não se conhecia. Ele foi escrevendo a letra durante
show e no final me procurou e disse: eu fiz essa letra pra você e acho que
tem tudo a ver. Na hora eu fiquei muito emocionada e dois dias depois ele me
mandou a fita com letra e música e desde então não parei mais de cantar.
O que você achou sobre a escolha dessa música para tema de novela?
Achei interessante porque não é uma música que fala de amor, como é comum em
tema de novela. É uma música mais revoltada.
Como o público está te recebendo depois da repercussão de sua música?
Tenho recebido muitos telefonemas e cartas de pessoas interessadas na minha
música. São músicos, jovens de vinte e poucos anos, pessoas que dizem ter a
cara do disco. É um público diversificado mais ou menos como o meu
liqüidificador que mistura balada com um quase tango moderno, músicas
inéditas com músicas como "Retrato e Branco e Preto" e "Beatriz".
Você tem algum esquema para compor?
Componho de maneira mais intuitiva do que racional, a música vem
naturalmente, sem pensar. Por exemplo a música "Armazém" eu fiz só no
pandeiro, à capela mesmo. Foi como aquela coisa da caixa de fósforo junto
com a melodia, depois os acordes foram saindo.
Como você está sentindo sua entrada na mídia?
Bem, eu já tinha uma carreira antes e havia tocado em várias cidades. Eu ia
nas rádios, as vezes gravava lá mesmo uma música em MD e a rádio veiculava
na programação, enfim, as pessoas me conheciam mas não era uma coisa muito
grande. Agora eu vejo que gravar com uma multinacional funciona como um
amplificador. As pessoas passam a te conhecer em maiores proporções e pra
mim a resposta do público está sendo muito boa.
Ana Carolina - BMG
1. Tô Saindo (Totonho Villeroy)
2. Alguém Me Disse (Evaldo Gouveia/Jair Amorim)
3. Nada Pra Mim (John)
4. Trancado (Ana Carolina)
5. Armazém (Ana Carolina)
6. Garganta (Totonho Villeroy)- Veja letra cifrada
7. A Canção Tocou na Hora Errada (Ana Carolina)
8. Tudo Bem (Lulu Santos)
9. Agora ou Nunca (Arnaldo Antunes)
10. Melhor de Mim (Frejat/Paulinho Moska/Dulce Quental)
11. Retrato em Branco e Preto (Chico Buarque/Tom Jobim)
12. Perder Tempo com Você (Alvin L.)
13. avesso dos Ponteiros (Ana Carolina)
14. Beatriz (Chico Buarque/Edu Lobo),
15. Tô Caindo Fora (Ana Carolina/Marilda Ladeira/Fernando Barreira)
Conexão do Morro
Rappers que querem viver 25 anos
por João Moreno Jr.
gangstajoe@sti.com.br
Começando sua caminhada na estrada do rap, o Conexão do Morro vem
conseguindo bons resultados junto à Comunidade da Rima: tem sua música bem
tocada nos programas do gênero e já conta com uma legião de fãs, sempre
agitando em seus shows com o single “Click, clack, bang”, e seu refrão
rebelde pedindo a população que saia da mira dos tiras.
Neste seu primeiro trabalho passam uma mensagem positiva a respeito das
coisas da 'Cidade grande' (terceira faixa do cd) e a trilha 'Ilumine meu
caminho' apresenta um ótimo conjunto de letra e base musical, pedindo a Deus
que ilumine os caminhos e cheguem – vejam só – até os 25 anos.
De ruim neste trabalho, apenas as imagens má escolhidas, com cenas de
armamento e caras feias. Isto é um clichê muito velho no rap e hoje em dia
não faz o mesmo efeito de antes, porque todos os conjuntos têm uma mesma
ideologia: a eterna luta contra a violência na periferia, a política e a
favor da justiça social.
João Moreno Jr - Consultor de informática, é ligado nos mano.