Beth Carvalho, lança "Pagode de Mesa", o quarto disco ao vivo, em uma discografia de vinte e cinco trabalhos. Em entrevista a Revista Borage, Beth falou da tradição dos quintais de pagode e dos sucessos que já gravou em sua carreira, como "Coisinha do Pai", que agora apresenta às novas gerações.
O que é o "Pagode de Mesa?
A mesa simbolicamente é um lugar prazeroso. É uma tradição do sambistas, isso de cantar um samba em volta de uma mesa. Mostrar um samba novo, um samba antigo, improvisar versos do partido alto, os instrumentos. E a mesa é uma coisa que confraterniza. Onde também tem uma comidinha, uma bebidinha, enfim, isso é uma coisa que eu freqüento há trinta e um anos. Nesse pagodes que eu freqüentei e freqüento, é que eu tirei muito repertório na minha vida e também descobri muitos compositores talentosos e muitos músicos que hoje até fazem parte de minha banda e outros que já foram da minha banda e não são mais, mais que eu revelei. E também resgatei.
Resgatou compositores?
Resgatei compositores e músicos. É um trabalho o tempo todo. Revelar e resgatar.
Por que a gravação ao vivo?
Porque é outra coisa. Disco ao vivo é muito melhor, eu acho! Esse é meu quarto disco ao vivo. Sendo que esse foi diferente por que não foi um show exatamente. Foi no espaço da gravadora Universal e eu convidei pessoas que freqüentam pagode. Então ficou meio show, porque eu estava muito mais preocupada com a gravação do disco.
Foi uma grande mesa de pagode?
Foi uma grande mesa e atrás um painel que é uma "ceia do samba". É um painel onde tem Cartola, Nelson Cavaquinho, Lupicínio Rodrigues. É um painel muito bonito que estava ali para nós abençoar.
Nesse trabalho você gravou "Meu Sangue é Brasil" uma música de protesto. Qual a diferença para as outras músicas de protesto que você já gravou? Como "Saco de Feijão e com a "Corda no Pescoço"?
Essa música é mais contundente. É por que o país tem mais problemas agora. Mas "Corda no Pescoço" também era música bem forte. "É o povo como é que esta? Esta com o corda no pescoço". E essa é uma música que eu acho belíssima. E o sentimento de um povo. Os compositores que eu gravo são compositores do povo mesmo: Almir Guineto, Luverci . Pessoas que sentem na própria carne toda essa situação caótica brasileira.
Quem freqüenta escola de samba não tem problemas com falta de repertório?
Tem excesso de repertório porque o sambista é o cronista do dia-a-dia. Eles fazem samba todo dia, toda hora. E dos bons.
Conhecendo tantos compositores, freqüentando tantas mesas de pagode, como você conseguiu selecionar apenas 18 músicas?
Olha, foi difícil. Eu ouvi muitas músicas e fui selecionando, selecionando e então ficaram vinte e oito. E eu gravei todas. Depois, como sempre, fiz um "jure" aqui com o pessoal da gravadora e com pessoas da minha casa. Fiz com o pessoal de samba, fiz com gente de todo tipo de classe social e ai cheguei nessa conclusão. Ficaram as dezoito do CD, que na verdade são vinte e um, porque tem dois pout-pourris.
Nesse seu trabalho você homenageia bastante a Velha Guarda Mangueira e da Portela?
É verdade. Tem que homenagear. Porque essas pessoas, a Velha Guarda é tudo na escola. É tudo no samba. Sem a Velha Guarda não existiria a Nova Guarda e eles são nossos exemplos e eu sempre reverencio as "Velhas Guardas" das Escolas que por acaso foi da Mangueira e da Portela.
Por que a escolha da música "Argumento" do Paulinho da Viola?
Eu queria muito gravar essa música. Essa música é genial ... (Beth cantarola um trecho da música) "Tá legal eu aceito o argumento mais não me altere o samba tanto assim. Olha que a rapaziada está sentindo a falta de um cavaco, do pandeiro e de um tamborim". Tudo a ver.
E a música "Acreditar"?
É linda, linda! A música é da Yvonne Lara e Décio Carvalho. E é uma homenagem que eu faço ao cantor Roberto Ribeiro, que foi o criador da gravação.
A música "Coisinha do Pai" é teu maior sucesso?
A música "Coisinha do Pai" é um grande sucesso. É eterna. Foi até parar em Marte. É uma coisa impressionante. Essa música é um fenômeno. E uma música como "Andança" que tem 31 anos e está aí como se estive sido feita agora. A música "Coisinha do Pai" também tem essa magia, como "Vou festejar", "As Rosas Não Falam" .Várias músicas que eu gravei elas tem o gosto do novo. "Coisinha do Pai" eu fiz questão de regravar porque além de ter essa força ela foi simbolicamente a música das crianças que estavam nascendo naquela época que eu gravei. Eu ouvia muitos pais dizerem: "Eu acordo minha filha com essa música ou então minha filha e meu filhinho gostam dessa música". Tem uma relação com criança muito forte, e que agora então vão ser os netos e os bisnetos.
Fale com Beth de Carvalho:
bethcarvalho@olimpo.com.br
http://www.bethcarvalho.com.br
Veja os Shows de lançamento:
Teatro Rival
03/11 à 21/11
Rua Alvaro Alvim - centro - Rio de Janeiro
Quarta, quintas e domingos - R$ 20,00
Sextas e sábados -R$ 25,00
Horário : 19h30
Tom Brasil
Dias: 04 e 05/11 e dias: 11 e 12/12
Ingressos: Camarote - R$ 50,00
A B 35
Setor VIP R$ 40,00
Setor 1 R$ 30,00
Setor 2 R$ 25,00
C e D 20
Horário:
4 e 11/12 às 22:00 horas - 5 e 12/12 às 20:00 horas
Beth Carvalho canta "Ainda é Tempo Pra Ser Feliz" ao lado de Zeca Pagodinho
por Laura Campanér
borage@uol.com.br