Ano 2 - nº 17 
28 de fevereiro a 10 de março/00 
  
Somniator estréia com o CD "The Best of 1992-1999"

por Laura Campanér
borage@uol.com.br

Saber sobre o futuro é privilegio de poucos. Ter a lucidez em cada passo, é algo mais difícil ainda. Mas a Banda Somniator, que se classifica com banda de garagem, prova das delicias e dos desprazeres de fazer o que gosta, lançando o CD coletânea "The Best of 1992-1999", independente, com 14 faixas inéditas. Franck Jr, guitarrista da banda, fala a Revista Interativa Borage, sobre a produção do CD, das expectativas sobre o trabalho e de como é ser integrante de uma banda independente.

O que significa "Somniator" e porque a escolha desse nome para a banda?
Somniator, significa visionário. Aquele que enxerga o futuro. É uma palavra de origem latina, apesar da gente usar a pronúncia em inglês. A gente buscou uma coisa que significasse o que a banda estava vivendo na época, isso em 92. Achamos esse nome no dicionário. Não foi uma coisa que surgiu naturalmente. Foi de uma maneira meio mecânica mas a gente acabou gostando e ficou.

Por que vocês compõem em inglês?
Basicamente por dois motivos: o primeiro é que a gente acha que o nosso som tem mais a ver com a sonoridade do inglês. A gente até fez algumas apresentações em português mas não ficou legal. O outro motivo é que assim, a gente tem a possibilidade de expandir e uma gama maior de pessoas que conseguem entender o trabalho, o que a gente tá falando, expressando. Já mandamos o CD para os Estados Unidos e para a Irlanda. Mesmo aqui no Brasil, 80% do pessoal que curte esse tipo de som, fala inglês. Se não fala fluentemente tem um bom conhecimento do idioma.

Por que vocês estão lançando um CD coletânea. É a necessidade de fazer um registro desses anos todos da banda?
Na verdade esse é nosso segundo CD, o primeiro foi lançado no começo de 96 com seis músicas próprias e uma regravação. Na época esse processo de fabricação de CD para as bandas independentes era muito caro. A coletânea surgiu por causa de duas idéias: uma era pegar composições de vários tempos, mas também explicar para as pessoas que esse CD coletânea não é um Frankstein, mas que foi feito como uma "colagem" e que tem uma espinha dorsal.

O que leva quatro músicos a formar uma banda e ficar tanto tempo nela?
Engraçado, acho que é o mesmo motivo que leva a gente fica casado, ou viver em família. Você acaba criando laços afetivos, um complementa o outro. Não é uma relação profissional, pelo mesmo não nesse nível de banda que a gente tem. É uma relação de amor, de amizade. A gente se conhece a muitos anos. Eu e o Fernando nos conhecemos desde o ginásio, e isso já vai caminhando para 20 anos. E por isso que a gente acaba mantendo a Banda. Todos ali tem possibilidades de estar fazendo outras coisas, mas ficamos com a Banda. O que não impossibilita também ter outros trabalhos. Às vezes um de nós forma um trio com outros músicos para tocar, ganhar uma grana. Ou toca outro estilo que não o nosso, em bares, em festas.

Como você classifica o estilo musical da "Somniator"?
A gente não pertence a um estilo definido, mas numa forma genérica, eu classifico que nosso estilo é rock.. Um rock basicamente com três tendências, que é: metal, mais para trash metal do que para o heave metal, tecno, porque, mesmo nas batidas, são mais quadradas. Temos ritmos mais definidos. Se você ouvir a música "Bianca", ela é bem tecno, bem dance e por último uma tendência brasileira, alguma coisa de MPB, um pouco mais diferente, que talvez venha do clássico. Alguns acordes dissonantes, umas músicas quase atonais. A música "Fantasie" é um exemplo.

Qual a sensação de estar com um trabalho realizado?
Foi muito trabalhoso, pois aconteceu numa época que eu estava trabalhando no Rio de Janeiro, o Cláudio estudando em São Paulo e o Carlos trabalhando de dia e estudando à noite. No primeiro momento a gente sente um alivio de ter feito. Depois vem o orgulho, meio de pai para filho. Tem os dois lados, tem uns momentos que a gente é muito crítico, achando que não era isso que a gente queria. Eu queria uma masterização melhor, que a guitarra tivesse saído assim, assado, que a bateria fosse concisa e assim por diante. E tem o momento de alegria, descontração que a gente ouve e diz que ótimo. Esses momentos vêm principalmente dos elogios das pessoas, tipo "nem parece uma banda de garagem". Então a gente intercala esses momentos. Não é muito linear. É uma escada você esta subindo e descendo a toda hora. Mas ter um CD realmente cria um patamar de confiabilidade, por exemplo no momento que a Banda vai vender um show. Apesar de hoje em dia ter muita banda gravando, ainda tem aquela coisa: olha, eles conseguiram gravar um CD.

Para onde vocês esperam que esse CD caminhe?
A esperança é que a gente conquistasse um certo lugar, pelo menos no âmbito estado de São Paulo, que a gente arrumasse mais shows. Que a gente acabe conquistando um lugar e tenha o reconhecimento de uma banda independente. A gente ainda está naquele momento de espera. Mas há aqueles devaneios, de vez enquanto você sonha: que bom se nosso CD tocasse na Irlanda, na Inglaterra, que alguém chamasse para um show lá, ou que tivesse o reconhecimento da mídia aqui no Brasil.

Você conhece o público da banda?
A gente acaba conhecendo, porque uma banda independente tem sempre um contato mais pessoal com o público. Eu faço muita divulgação por e-mail. Toda semana eu recebo um ou dois e-mails de gente comentando o CD, falando mal ou bem. Geralmente é falando bem, porque as pessoas não perdem tempo falando mal de banda independente. Se eles não gostam eles nem ouvem. Ouvem uma ou duas músicas e desprezam. Esses fãs, que eu acabo conhecendo em shows são pessoas que conheceram a música na adolescência, que tocam um instrumento, que tem ou teve uma banda, que gosta desse tipo de som. É o pessoal da faixa dos 30 anos. São pessoas que gostam mais conscientemente do nosso som. Às vezes eles não se empolgam tanto com as músicas, mas gostam do contexto. E tem aquele público adolescente que se empolga.

O que você acha da internet?
Eu sou viciado em internet. Eu mando e recebo muitos e-mails. A primeira coisa que eu faço quando chego no trabalho ou chego em casa e abrir o computador. Se não tem e-mail eu fico preocupado: nossa, será que está com problema no provedor? Eu acho que a internet vai ser um meio público, popular e democrático para divulgação de idéias. É claro que tem coisa negativa, como a pornografia infantil, receitas de bombas. Mas isso tem em todos os lugares. A grande vantagem da internet é que não tem um órgão que censure, que domine. Você não tem como falar: ô meu amigo, navegue só pelo meu site. Você está navegando num grande oceano e ninguém te diz para onde você vai. Não tem uma indução.

Fale com a Banda Somniator:
Somniator@uol.com.br
Franck Jr.: Guitarras
C. Constantine: vocal e teclados
Carlos Fiorio: bateria
Fernando Fiorio: baixo

CAPA BORAGE