Ano 2 - nº 19 
17 de maio a 07 de junho/00 
  
Mutantes em cartão postal "Tecnicolor"

por Luísa Gimenez
borage@uol.com.br

Em 1970 foi gravado pelo Mutantes, no "Des Dames Studio", em Paris, o disco "Tecnicolor", com músicas brasileiras cantadas em inglês. As versões foram feitas pelos Mutantes de forma impecável. Quem ouve as músicas em inglês, extrai a mesma mensagem de quem as ouve em português.

O disco surgiu num contexto interessante: os Mutantes estavam em temporada no Olympia. Então a gravadora britânica Polydor decidiu produzir um álbum com o grupo, mas não chegou a lançar o trabalho. Guardado durante 30 anos por Antonio Peticov - amigo dos integrantes do grupo - o disco foi redescoberto numa entrevista que Carlos Calado fez com Peticov, para o seu livro "A Divina Comédia dos Mutantes", e lançado pela Universal Music.

Ayrton Mugnaini Jr., em seu livro "O Futuro Me Absolve" (Ed. Sampa), onde faz uma pequena biografia de Rita Lee (http://www2.uol.com.br/ritalee), comenta que os anos 70 não foram exatamente anos de paz dentro dos Mutantes.

Era uma época de " sexo, droga e rock and roll". Houve muito desentendimento entre a gravadora brasileira, os produtores e os integrantes do grupo. Rita Lee foi lentamente se desligando da banda e em 70, já realizava shows solos, gravando seu primeiro disco "Build Up".

Em 72, quando saiu o segundo LP solo de Rita Lee, "Hoje é o Primeiro dia do Resto da sua Vida" - na verdade mais um disco dos Mutantes, lançado com destaque para Rita - Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, começaram a discordar quanto ao estilo a ser adotado pelo grupo. Os rapazes, declarados "progressivos", achavam que Rita Lee estava errada em insistir na mistura de ritmos brasileiros com o rock. O grupo acabou se desfazendo.

Hoje, vistos de longe, é interessante observar a dimensão que os fatos da época revelam. O disco "Tecnicolor", onde os rapazes dos Mutantes ainda não tinham assumido uma postura mais radical, pesada, tem o tempero que Rita Lee defendia: a mistura.

Em "Tecnicolor", músicas como "Panis et Circences" (CaetanoVeloso/Gilberto Gil) e "Baby" (CaetanoVeloso) estão intactas, com a mesma concepção das originais. O disco tem a participação de Arnolpho Lima Filho (Liminha), no baixo e Ronaldo Leme (Dinho), na bateria e traz ilustrações de Sean Ono Lennon.

É impossível ouvir o disco e não fazer uma ligação direta com o trabalho da Rita Lee. Pois ela estava certa: a mistura de rock e ritmos brasileiros dá certo. Tanto que o disco está sendo reconhecido internacionalmente como revelação da World Music. Pode ???


Tecnicolor
Universal
Preço Médio: R$ 25

1. Panis et Circences (CaetanoVeloso/Gilberto Gil-versão Mutantes)
2. Bat Macumba (Gilberto Gil /CaetanoVeloso)
3. Virginia (Arnaldo Baptista/Rita Lee/Sérgio Dias)
4. She's My Shoo Shoo - A Minha Menina (Jorge Ben-versão Mutantes)
5. I Feell A Little Spaced Out - Ando Meio Desligado (Arnaldo Baptista/Rita Lee/Sérgio Dias-versão Mutantes)
6. Baby (CaetanoVeloso-versão Mutantes)
7. Tecnicolor (Arnaldo Baptista/Rita Lee/Sérgio Dias-versão Mutantes)
8. El Justiceiro (Arnaldo Baptista/Rita Lee/Sérgio Dias-versão Mutantes)
9. I'm Sorry Baby (Arnaldo Baptista/Rita Lee-versão Mutantes)
10. Adeus Minha Fulô (Humberto Teixeira/Sivuca)
11. Le Premier Bonheur du Jour (Jean Renard/Frank Gerald)
12. Saravah (Arnaldo Baptista/Rita Lee/Sérgio Dias-versão Mutantes)
13. Panis et Circenses (reprise)

CAPA BORAGE