O Brasil no piano de Raul di Blasio
por Rosa Nepomuceno
rosanepomuceno@prolink.com.br
Depois de três semanas em Miami, onde mora, para cumprir seus compromissos de agenda, o pianista argentino Raul di Blasio volta ao Rio de Janeiro, na próxima semana, para concluir as gravações e mixagem de seu disco de músicas brasileiras. Gravado no estúdio AR, da Barra da Tijuca, durante os meses de abril e maio, o cd será lançado em agosto, nos Estados Unidos e América Latina, segundo previsão da BMG. Nesta segunda etapa da estadia carioca de di Blasio, será gravada a participação de Elba Ramalho, na faixa Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.
Produzido por José Milton, com músicos e arranjadores brasileiros de primeira linha, como Dori Caymmi, Loncoln Olivetti, Cristóvão Bastos e Chiquinho de Moraes, o disco traz um repertório de obras-primas: Na Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, As Rosas Não Falam, de Cartola, A Noite do Meu Bem, de Dolores Duran, Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro, Travessia, de Milton Nascimento e Fernando Brant, Trenzinho do Caipira, de Villa Lobos, Eu Sei que Vou Te Amar, de Tom e Vinicius - esta com a participação de Nana Caymmi - entre outras. A superprodução envolve 40 músicos, incluindo uma primorosa orquestra de cordas. O violão ficou a cargo de João Lira, o baixo de Jamil Jones e Jorge Helder, a bateria de Jurim Moreira. Para o pianista foi reservado um "gran piano" artesanal, Yamaha, 9' , feito no Japão. "Ele é feríssima", atesta José Milton. "E este será um belo disco", garante o maestro Chiquinho de Moraes.
Raul Di Blasio é um dos maiores pianistas internacionais dedicados à música popular. Há 12 anos radicado em Miami, com 10 discos lançados e milhões deles vendidos na América Latina e Estados Unidos, foi convidado no ano passado, pela BMG do Brasil, para gravar seu novo disco no Rio de Janeiro, e, dessa forma, ser lançado no mercado brasileiro. "Jamais poderia fazer um disco desses nos Estados Unidos, com músicos americanos. A música brasileira é tão rica e forte que temos que ter humildade para compreendê-la, e assim tocá-la bem. Isso só seria possível vindo para cá e trabalhando com esses músicos extraordinários", entusiasma-se o pianista.
A qualidade do repertório, o naipe de músicos e o cuidado com a produção, revelam a grande expectativa da BMG quanto ao sucesso de Di Blasio em terras brasileiras - o mesmo que obtém no México, na Argentina e nos Estados Unidos, onde, desde 1995, quando lançou "El Piano de América no. 2", cada um de seus discos vem ultrapassando a marca de um milhão vendidos. Tudo está sendo preparado para que o trabalho desse neto de italianos que migrou da música clássica para a popular mexa com as emoções de um povo que gosta de boa música, vibrante e verdadeira.